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ESPADA MÁGICA

"Arte e vida se misturam. Fantasia e realidade se acrescentam.'' - Affonso Romano de Santana

            Quem tiver a posse da espada mágica comandará o nosso reino para a vitória, assim dizia a antiga profecia, que era passada oralmente de geração para geração, por milhares de séculos percorreu essa narrativa, os deuses iriam escolher um escolhido entro o povo que sofria como escravo de um povo mais forte e temido, quebrando qualquer forma de possibilidade para resistência robusta passível de romper o sistema.

              Um jovem comandante, exibindo sua bela armadura, dos pés até a cabeça o protegiam de qualquer possível ataque, os ferreiros nórdicos forjaram uma nova defesa para nossas tropas, agora é mais leve e impede os flagelos das flechas romperem nosso peito, ou seja, nossa investida nas linhas principais do inimigo será decisiva e fundamental para nossa VITÓRIA, dessa forma dizia muito eloquente, caminhado enquanto falava e, em simultâneo, batendo no ombro dos soldados.

                Os espiões informaram que dentro de quarenta minutos os inimigos já estariam em nossa posição, solicitei para iniciar o procedimento defesa cobra, é uma tática militar secreta, que visa atrair o inimigo o mais perto possível e na sua falha arma o bote fatal, o chão começou a tremer, não eram apenas centenas, mas sim milhares de tropas inimigas que marchavam, era nítido o pavor e medo no rosto dos soldados, especialmente jovens e inexperientes no campo de batalha. “Soldados, o medo é o impulso do inimigo para a vitória, por essa razão afaste ele ou será morto antes de matar o seu rival, e lembrem-se dos seus filhos virão  crescer sem um pai no lar.’’ Notei após essa afirmação, um silêncio que foi possível ouvir o barulho da floresta, dos arqueiros armando o seu arco inglês, os combatentes da linha da frente, era nítido que estava m em lágrimas, mas tentavam esconder tal fato.

            A espada, banhada em bronze e ouro, inscrições nela do último matador de dragões, Beowulf, pertencera ao legítimo matador de monstros de Reinos distantes e fora herdado pela minha família.  Segurei ela na mão direita, e dei o sinal para a tropa de longa distância, sinalizando que já poderiam atirar tudo o que tivessem, eram tantas flechas quer por longos minutos, dez, eu acho, a luz do Sol foi encoberta, e ouviram se gritos de dor, horror do outro lado, o pequeno número que chegou ao nosso encontro era muito pequeno, mandei que deveriam ser todos mortos, e começamos a correr ao seu encontro.

            A explosão de escudos, barulho metálico oriundo das inúmeras espadas que travam um combate mortal que iria decidir não apenas qual dos lados iria sair como vencedor, mas quem  veria o seu descendente crescer, humanos contra os orcs, visualizei o sangue azul tomando grande parte da grama, mutilações era mais comum que tomar um tiro de flecha, acredito que dessa forma que o Purgatório foi elaborado,  o local que a luta ocorria era um enorme pasto, nos dois lados a floresta impedia a utilização de cavalaria, fui informado que a luta inicialmente começara ao nosso lado, não estava cedendo como esperado, foi como ser informado que morrera em vão.

            Observou no campo de batalha, um grupo, pela armadura dos soldados eram as melhores tropas e não lutavam, estavam em círculo, informei para me enviar um grupo com os melhores homens disponíveis, fomos para aquele local, possivelmente uma pessoa importante estaria lá, e olha, que não estava errado, avistei fumaça verde saindo de lá, era a forma que o outro lado usava para sobrepujar os humanos, como não eram páreos para a força e mente humana, sempre apelavam para a magia negra, fonte que mal usada poderia libertar seres temidos.

            Os inimigos portavam uma vestimenta, preta com marfim, no braço direito exibiam um escudo em formato retangular, na mão direita, era presente uma espada curva, afiada em todas as extremidades, pois vi alguns soldados tentarem investir contra eles, mas seus membros foram rasgados como se não tivessem ossos no corpo das vítimas, respirei fundo e corri em direção aquele grupo com minha tropa, dois homens me lançaram ao encontro do bruxo, um senhor, setenta anos, aparentava, cego, mas em contato com as forças do oculto sábia donde iria ataca-lo, fiquei tomado por uma grande preocupação de como iria matar ele. Enquanto isso, no lado de fora meus homens lutava com grande afinco tentando dar luz para o meu sucesso, foi quando descobri que ali não havia nenhum sinal de luz, essa seria a maneira de vencê-lo, observei uma leve madeira no chão, usei minha espada como fonte do fogo, o senhor começou a gritar palavras de uma língua estranha, cobras saíram dos seus pés, mesmo assim matei todas, cortando a cabeça, como fiz quando criança como Hércules. Até que em um momento de descuido, pulei na direção dele, rompi sua defesa, e enfiei a espada em seu peito bem fundo, falei em seu ouvido: “tudo está acabado’’.

            Tive que usar meus pés para tirar a espada o seu corpo morto, pois acabou ficando presa no osso, quando me encontrei com meus homens, tive a sorte de sair vivo, e observei que isso fragilizou a moral do inimigo, muitos começaram a recuar sem o consentimento do oficial, muitos pereceram naquele campo, entretanto, hoje finalmente seríamos livres de verdade pela primeira vez em séculos. Acredito que a partir de hoje, meu nome será Alexandre, o grande. Interessante ressaltar, mesmo após quase uma semana da batalha, ali ainda está presente a morte, uma sensação estranha permaneceu no solo, além disso, é fácil achar o local por conta dos corvos no céu, no mesmo dia, o rei me saudou em seu castelo, apertou meu ombro, minhas mãos, “são as mãos que conduziram nosso povo para a celebração de muitos anos esperada’’, senti uma picada, talvez fossem os insetos. Agora poderei descansar, e me levou para a melhor cama, me ajeitou a disse que agora eu poderia descansar que amanhã seria um novo dia. Tirei o meu capacete com uma imagem de uma espada.

            Pela janela duas pessoas o examinavam, enquanto com um lápis que deveria pintar para o psiquiatra daquele centro o examinasse e julgasse qual seria o seu diagnóstico sobre ele, usou para abrir uma boa parte do seu colchão, o chão estava rodeado de algodão e espuma, pois também furou a sua almofada, com o lápis se exibia como um lutador que venceu a maior luta da sua vida, esticando o lápis para cima e cortejando uma pessoa invisível. O surto de Cervantes era mais nítido agora, no teto olhavam a fonte do suposto delírio do paciente, uma enorme espada mágica pintada no teto, segundo o psicólogo isso auxilia no processo, os doutores discordam dessa medida. Um médico disse para o outro: “Triste realidade de grande parcela de pessoas no mundo atual, preferem viver em uma fantasia do que encarar a dura realidade’’.

           


 INSPIRAÇÃO

 
      A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. Surgiu como inspiração um desafio no Instagram, no qual deveria elaborar um texto que deveria abordar "trapaça'', por essa razão mesclei referências literárias (o texto épico Beowulf; guerras médicas sobre esconder a luz solar; no contexto inicial mesclar com o livro Êxodo, e o final foi influenciado pelo filme Meu pai (ganhador do óscar de melhor ator + roteiro adaptado) Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
 
    Ps: Mais um desafio do @mochileiro_do_multiverso, o segundo texto. 
 
 
 

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