"Quanto mais aumenta nosso conhecimento, mais evidente fica nossa ignorância." John F. Kennedy
Nasci em uma pequena cidade, ficou internacionalmente reconhecida por toda sua população ter um nível de QI¹ superior ao físico, Albert Einstein, dos mais novos até os idosos, todos apresentavam um conhecimento da mente em todos o aspecto mais elevado que a média nacional, eu era um dos gênios reconhecidos, passei grande parte da minha vida estudando a biologia de pequenos roedores, e como inúmeros experimentos explicavam como uma pessoa poderia sofrer um acidente grave e perder a melhor coisa que temos, nosso cérebro, milhares de vezes superior que de qualquer animal da face da Terra, analiso que por essa razão, nenhum animal conseguiu nos dominar, como nós fizemos.
Semestralmente é feito uma avaliação da condição do cérebro de cada indivíduo, por essa razão, é necessário estar sempre em contato com livros e atualização constante dos estudos, importante ressaltar que não apenas o conhecimento adquirido ao longo da vida escolar e universitário, mas também aquele oriundo de conhecimento técnico avaliado em uma prova prática consoante o seu ofício. Nunca ouvi ninguém que não tenha tido sucesso nesse teste, mas há indícios de pessoas anteriores, não tiveram êxito, e por essa razão, para evitar compartilhar o vírus da irracionalidade, foram enviados para a zona conhecida como "excluídas'', os motoristas que passam por lá, precisam introduzir um dispositivo dentro do seu ouvido, para evitar com que sejam fisgados pela vida mansa de quem não têm estudo, caso ocorra uma mera transgressão, a pena definida em nossa legislação é a expulsão permanente da pessoa.
Fiquei pensando um dia o grande medo de tal receio ocorrer comigo, você do outro lado deve estar supondo que estou exagerando, mas do outro lado, a taxa de crimes violentos é extremamente alta, além disso, não há comida para todos, ou seja, é obrigado a comer do lixo para sobreviver, preferia morrer do que viver dessa forma, e jamais ser possível apreciar de um bom vinho ao som de uma música clássica, somente aquela batida eletrônica repetitiva, e o pior de tudo, não ter um carro próprio e ter que se sujeitar ao transporte público, andar com a mesma massa enquanto pode te roubar pode transmitir um vírus que fará o mesmo, por essa razão sempre me dediquei na prova. Viver juntos dos pobres?Não sou Zola², já bastam as consequências que a literatura traz sobre esse problema que não é mais nosso!
Enquanto fazia o meu trabalho, um rato me mordeu, apliquei as medidas necessárias, mas quando o procurei para realizar o processo de combate a qualquer doença grave, o infeliz sumira, comecei a suar, em minutos estava cheirando forte, me segurei para não desmaiar, pois, esse é um dos primeiros sintomas de quem vive do outro lado, há séculos que essa característica física foi eliminada do corpo humano. Meu azar que a prova seria na sexta-feira, fui para casa mais cedo, enquanto tentava estudar, passei longas horas na mesma página sem compreender o sentido de tais anotações, nem conseguia interpretar o básico de tudo, comecei a me interessar mais por atividades passivas, nem trabalhei no dia seguinte, passei o resto da semana, assistindo televisão, comendo sem parar e bebendo coca-cola. Na sexta-feira, pela manhã chegou o carro para me buscar, nem conseguia ficar em pé.
Chegando lá, após minhas respostas, fui conduzido para uma sala fechada, com dois amigos de profissão, me deram um papel, e falaram: "Escreva o seu nome completo, por extenso, e não te mandaremos para lá.'' Peguei a caneta, eles tapavam o nariz e comentavam como o odor estava piorando, fiquei parado por alguns segundos tentando lembrar como escrevia o meu sobrenome, comecei até terminar de escrever. Tremia frio, e respirava cada vez pior, meu braço esquerdo começou a tremer de maneira involuntária. Os dois me chamaram, e falaram que tudo estava ajustado. EU PASSARA NO TESTE.
Fui conduzido para outra sala e me solicitaram para entrar em uma porta, que ali, em dez minutos, minhas roupas seriam trocadas e tomar banho bem quente, outra coisa que os pobres não podem usufruir, as luzes se apagaram, senti o chão se movendo, corri para me segurar na mesa, ocasionalmente ocorriam terremotos por aqui, contudo, não era um incidente geológico, senti escorregando e comecei a rir sem conseguir parar, até que comecei a sentir dores no estômago de tanto forçar. Quando abri os olhos, estava lá fora, junto de muito lixo, sentia sede, avistei uma pessoa se aproximando da varanda, estava bebendo água com gás, gesticulei para pôr fim ao meu desejo de sentir aquela bebida na minha garganta, apenas brincou de eu ser tão engraçado, bebeu até a última gota, e jogou em minha direção, tive que desviar para não me acertar no olho.
INSPIRAÇÃO
OBS: inspirado no livro Flores para Algernon por Daniel Keyes; Romance ganhador do prêmio NEBULA!

Texto profundo sobre segregação,seja ela desencadeada por qual fator for.
ResponderExcluirAdorei ! Uma história fictícia,mas que infelizmente transborda a realidade atual.
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