"Apesar das minhas fragilidades, avanço." Lya Luft
Eu queria encontrar minha mamãe, novamente, ela disse que iria sair e já voltaria, horas já se passaram desde a última vez que eu a vi, antes de partir de me deu um beijo bem apertado na bochecha, foi impossível não demonstrar minha emoção por ela, minhas lágrimas deixaram sua blusa molhada perto do pescoço, ela se agachou diante de mim, me abraçou bem apertado, mas ressaltou precisar ir se não seria pior, queria compreender por qual razão as coisas seriam piores, apenas informou que eu deveria ir para floresta e ficar longe da cidade, e mesmo caso sentisse sua falta não deveria gritar o seu nome, se não iriam me encontrar e não seriam tão bondosos comigo, só disse que fariam comigo o mesmo que realizamos quando encontramos uma barata em casa.
Engoli em seco essa última explicação bem explícita que minha mãe me mostrou, antes de finalmente partir para a floresta, ela tirou da mochila um presente, comentou que gostaria de me entregar quando fosse o meu aniversário, como as condições estão bem extremas me entregou um urso marrom, do tamanho de um folha que a tia da escola me entregava para desenhar, não tirei ele debaixo de um dos meus braços. corri bastante querendo olhar para trás, e com medo de qualquer barulho que escutasse, tudo o que eu mais desejava era ter minha mãe de volta.
Você não sabe o quanto eu ODEIO, ter que usar essa maldita máscara, mas da última vez que tentei tirar quase morri por não conseguir respirar, maldito ser humano, único animal que destrói aquilo fundamental para te manter vivo, nesse momento em intensas reflexões sobre como viemos para nessa situação, com a mão esquerda, fechava ela em movimentos que exaltava as veias da região, sentia minha respiração mais pesada, quando já estava longe da cidade, escutei vindo de um carro, um barulho muito alto oriundo de um carro, aparentava não ter ninguém ali, quando olhei pelo vidro, no banco de trás, encontrei um bebê, gesticulou suas mãos para mim, devo ser parecida com sua mãe, mas infelizmente não poderia resgatá-lo, o seu choro seria a minha sentença de morte.
Quando finalmente cheguei na floresta, chorei muito, não aguentava o que fui obrigada a fazer, mas pelo menos estava viva, não acha? Sentia uma dor do caralho nas minhas pernas, para "melhorar" a situação começou uma chuva torrencial, fiquei encharcada, pelo menos agora não precisava esconder estar chorando, a notícia boa que teria agora água para beber, usei um boné de metal que encontrei no chão, estava morrendo de sede. Quando o mundo está em guerra, somos obrigados fazer coisas que ultrapassam a moral humana.Espero ver minha mamãe outra vez, estou sentindo saudades, há dois anos eu não a vejo.
Diário de Amy, dia 50, retrato da invasão em sua terra natal.
INSPIRAÇÃO
Texto muito sensível ao momento.
ResponderExcluirMuito importante tratar de forma poética esse período.
Impactante!
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