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O REINO DAS DUAS LUAS

 

‘’As pessoas sempre fazem coisas malucas quando estão apaixonadas. ‘’ Meg

 

    Sob o céu púrpura de Elandor, um reino mágico onde ambas as luas brilhavam como sentinelas do destino, vivia Samara, uma jovem de cabelos cacheados cor de noite e olhos castanhos que refletiam a luz das estrelas. Dotada do dom raro da Luz da Terra, ela possuía a habilidade ancestral de conversar com a natureza, despertar plantas adormecidas e curar feridas com um simples toque. Sua presença era como a brisa quente de um amanhecer, trazendo esperança em tempos de escuridão. Ao norte, em uma vila cercada por pinheiros eternos, morava Gabriel, um rapaz de pele alva, cabelos negros e óculos de cristal lunar que ampliavam sua visão mágica. O jovem era mestre na Arte dos Ecos, um poder mental que lhe permitia manipular sons e vibrações, criando ilusões ou desferindo ondas sonoras capazes de derrubar muralhas. Diferente da curandeira, sua força estava na estratégia, na precisão e no cálculo – uma mente afiada que enxergava além do óbvio.

    Certo dia, o Dragão Obsidiano, criatura ancestral forjada das trevas, despertou no coração da Montanha Negra. Seus olhos de fogo corrompiam tudo que tocavam e seu rugido espalhava medo por todo o reino. Diziam que ele era o guardião do Cetro da Eternidade, um artefato capaz de conceder poder absoluto a quem o possuísse – poder que o maligno Lorde Kaelthar desejava para mergulhar Elandor em sombras eternas. A fera, antes adormecida, deixou sua prisão de pedra em um voo repentino que fez estremecer os vales. Com as asas de sombra cortando o céu, lançou chamas negras sobre a pacata Vila de Aurim, reduzindo casas de madeira a brasas e espalhando pânico entre os moradores. Crianças choravam enquanto as mães tentavam fugir, e o som de sinos desesperados ecoava em meio ao rugido ensurdecedor.

    Foi em meio àquela tragédia que a moça da luz e o rapaz dos ecos, sem se conhecerem, atenderam ao chamado real para enfrentar a ameaça. O destino entrelaçou suas jornadas quando se encontraram entre as ruínas fumegantes de Aurim, onde labaredas ainda dançavam sobre os telhados quebrados. Ela curava os feridos, fazendo brotar flores de energia que fechavam as feridas mais profundas, enquanto ele guiava sobreviventes com ecos de localização que atravessavam o caos como faróis sonoros. Seus olhares se cruzaram e, como se o tempo tivesse parado, ambos sentiram um reconhecimento inexplicável, duas metades que a magia do reino finalmente unia. A confiança nasceu ali, entre gritos, cinzas e o cheiro de madeira queimada.

    A jornada que os aguardava foi longa e repleta de perigos. Juntos, atravessaram florestas vivas, onde árvores sussurravam segredos, e cruzaram rios de cristal, enfrentando criaturas sombrias enviadas pelo lorde para atrasá-los. A donzela protegia o grupo com barreiras de raízes luminosas, enquanto o estrategista confundia os inimigos com ilusões sonoras que ecoavam como trovões falsos. Durante as noites, sob o brilho das duas luas, compartilhavam histórias, risadas e olhares cada vez mais intensos. O calculista encontrava na coragem impulsiva da parceira uma nova força, e ela, em sua empatia luminosa, via na mente aguçada dele um farol seguro para seguir.

    Quando enfim alcançaram a Montanha Negra, sentiram o ar pesado como ferro derretido. O covil do Dragão Obsidiano era um abismo de rochas pontiagudas e vapores de enxofre. De repente, uma sombra colossal rasgou o céu, seguida por um rugido que fez tremer o solo. As escamas da criatura brilhavam como carvão em brasa, refletindo a luz das luas em tons de vermelho e negro. Sem aviso, a besta mergulhou sobre eles, expelindo labaredas que transformavam a pedra em lava líquida. A guardiã da terra ergueu barreiras de raízes para conter as chamas, mas a força do fogo era tão intensa que as folhas se carbonizavam em instantes. O manipulador de ecos, por sua vez, lançou uma onda sonora que vibrou como um trovão, desviando o monstro e rachando as rochas ao redor.

    O dragão, contudo, era mais astuto do que esperavam. Com um golpe de sua cauda, abriu uma fenda no solo que quase os lançou ao abismo. O calor queimava a pele, o cheiro de enxofre sufocava e o rugido ensurdecedor fazia o ar vibrar como se o próprio mundo estivesse prestes a ruir. Em um salto furioso, a fera se libertou das correntes de raiz e investiu novamente, cuspindo chamas negras que pareciam devorar a própria luz. A jovem, guiada por um instinto mais profundo que o medo, percebeu então que o inimigo não era puramente maligno. Nos olhos da criatura havia algo além da fúria, uma dor antiga que solicitava libertação. Com a voz firme, ela gritou para o companheiro que a fera era uma vítima e não somente um monstro a ser destruído.

    O parceiro hesitou por um instante, mas a confiança que nascera entre eles falou mais alto. Ele canalizou seu poder para amplificar a voz da guerreira, que entoou um cântico de cura. A terra vibrou, a luz envolveu o dragão e lentamente a escuridão em suas escamas se desfez como cinzas ao vento. O rugido de ódio transformou-se em um lamento profundo, e do corpo da criatura emergiu o espírito aprisionado de um antigo guardião de Elandor. Livre de sua maldição, o ser etéreo destruiu o Cetro da Eternidade antes que o lorde pudesse usá-lo, quebrando para sempre a ambição sombria que ameaçava o reino.

    Com a derrota do vilão e o dragão agora aliado, a paz retornou a Elandor. Sob as duas luas, o estrategista de olhar profundo contemplou a companheira, exausto, porém triunfante, e murmurou em tom emocionado que juntos eram mais fortes que qualquer treva. A curandeira, sorrindo, tocou seu rosto com delicadeza e respondeu que a luz só existe quando encontra o som certo para ecoar. Ali, no coração da Montanha Negra, selaram seu amor com um beijo ardente, enquanto o novo guardião lançava ao céu um rugido de vitória que ecoou por todo o reino, anunciando que o bem havia triunfado sobre o mal e que Elandor permaneceria livre sob o brilho eterno de suas duas luas.

 

 

 


 

INSPIRAÇÃO


 
      A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. Grato pela pessoa que me inspirou na escrita deste texto, minha musa, Samara, a eterna dona do meu coração e amor recíproco. Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
 
 Carta realizada para celebrar os 59 meses de namoro!
 
 A imagem do conto foi criado por intermédio de uma IA, CHAGPT digitei "A imagem mostra uma pintura digital realista em tons dramáticos. Em primeiro plano, um casal se beija com ternura: a jovem de pele morena e cabelos cacheados veste um traje verde simples e segura o rosto do rapaz, que tem pele clara, cabelos negros e usa óculos redondos. Atrás deles, o céu é púrpura e exibe duas luas brilhantes. Ao fundo, um imenso dragão negro com asas abertas e olhos incandescentes solta fogo, iluminando um cenário de montanhas sombrias e ruínas em chamas. A composição mistura romance e fantasia épica, equilibrando intimidade humana e grandiosidade mítica." e obtive esse resultado.

 

 

Comentários

  1. Samara Fernandes Leite1 de outubro de 2025 às 15:51

    Lindo texto, meu amorzinho. Obrigada pelo seu texto dedicado a mim. Amo você imensamente.

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  2. Muito bom, principalmente pelos motivos reais apresentados. 👏👏👏

    ResponderExcluir

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