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TEOREMAS DO CAOS COTIDIANO microcontos

       ''Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela.'' Albert Camus

 

    Um buraco na rua engoliu a roda dianteira do carro de Dona Marta. O guincho demorou 4 horas. Ela perdeu a consulta com o dentista. O dentista, sem ninguém para atender, foi almoçar e comeu um camarão estragado. Passou mal e cancelou todos os outros pacientes. Um desses pacientes era o cobrador do prédio de Dona Marta, que, sem ter como pagar a conta do dentista, aumentou a taxa condominial. O buraco, impassível, continuou lá, consumindo almas e pneus. 

 

     Paulo postou uma foto naquele novo bar hipster, marcando o local. "Momento de descontração! #VibesBoas". Na mesma hora, seu chefe curtiu a foto. O suor frio escorreu por suas costas. Ele havia inventado que estava com uma virose. Passou a noite inteira criando mentiras elaboradas no grupo do trabalho, enquanto seus amigos genuínos riam da piada que ele não ouviu. Sua diversão agora era um artefato digital, um fóssil de um momento que nunca aconteceu de verdade.

 

     Um vira-lata sarnento observou Renata tropeçar no meio-fio e derramar o café na blusa nova. O cachorro não se moveu. Seus olhos pareciam dizer: "A gravidade é uma lei implacável e o universo é indiferente. Sua blusa é irrelevante. Agora, você vai me dar esse pãozinho que você deixou cair?" Renata, sentindo-se inexplicavelmente julgada por um ser superior, deu-lhe o pão e foi para o trabalho, questionando toda a hierarquia cósmica.

 

    O professor de História marcou uma prova para "o dia 15". A turma, por consenso telepático de grupo de WhatsApp, entendeu que era uma sexta-feira. Ele quis dizer o sábado. No sábado de manhã, 30 alunos sonolentos e um professor possesso se encararam em uma sala vazia. Ele aplicou a prova para os presentes, triplicando o peso da nota. A lição foi clara: a História é escrita não por quem está certo, mas por quem tem a caneta vermelha.

 

      Lucas foi condenado a fazer um trabalho em grupo com três pessoas que ele chamava de "O Fantasma", "O Encosto" e "O Plágio". Ele escreveu tudo sozinho. Na hora da apresentação, "O Fantasma" leu os slides com a emoção de um alerta de tsunami, "O Encosto" só sabia dizer "é isso" e "O Plágio" citou uma fonte que não existia. Tiraram 9.5. Lucas percebeu que a universidade não premia a competência, mas a habilidade de carregar parasitas sem cometer homicídio.

 

      A máquina de xerox da biblioteca desenvolveu consciência. Ela só copiava páginas de livros de auto-ajuda e poesia ruim, recusando-se terminantemente a reproduzir qualquer material de estudo sério. Os alunos faziam fila para tentar convencê-la. "Por favor, só o capítulo 7 de Cálculo II", suplicavam. A máquina cuspia uma página com um soneto sobre borboletas. O diretor financeiro se recusou a mandar consertá-la. Ela economizava 83% em toner e papel.

 

     Carlos era monitor de Álgebra Linear. Seu poder subiu à cabeça. Ele começou a espalhar que a prova final teria um teorema "que nem estava no livro", criando pânico generalizado. Vendia "sessões de monitoria exclusivas" por pizza e favores. No dia da prova, o teorema era fictício. Todo mundo se ferrou. Carlos foi demitido, mas saiu como um lenda, provando que a verdade é irrelevante perto do medo bem administrado.

 




 

 

INSPIRAÇÃO

 
      A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. A ideia para esse texto é recente, me basei em livros, séries, filmes da cultura pop, profundamente na realidade sonhos. Me esforçando para criar  textos com humor ácido, trago minha décima quinta antologia de microcontos. Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
 
    Ps: A imagem do conto foi criado por intermédio de uma IA, SEAART digitei ''  Um buraco na rua engoliu a roda dianteira do carro de Dona Marta. O guincho demorou 4 horas. Ela perdeu a consulta com o dentista. O dentista, sem ninguém para atender, foi almoçar e comeu um camarão estragado. Passou mal e cancelou todos os outros pacientes. Um desses pacientes era o cobrador do prédio de Dona Marta, que, sem ter como pagar a conta do dentista, aumentou a taxa condominial. O buraco, impassível, continuou lá, consumindo almas e pneus. 
     Paulo postou uma foto naquele novo bar hipster, marcando o local. "Momento de descontração! #VibesBoas". Na mesma hora, seu chefe curtiu a foto. O suor frio escorreu por suas costas. Ele havia inventado que estava com uma virose. Passou a noite inteira criando mentiras elaboradas no grupo do trabalho, enquanto seus amigos genuínos riam da piada que ele não ouviu. Sua diversão agora era um artefato digital, um fóssil de um momento que nunca aconteceu de verdade.
     Um vira-lata sarnento observou Renata tropeçar no meio-fio e derramar o café na blusa nova. O cachorro não se moveu. Seus olhos pareciam dizer: "A gravidade é uma lei implacável e o universo é indiferente. Sua blusa é irrelevante. Agora, você vai me dar esse pãozinho que você deixou cair?" Renata, sentindo-se inexplicavelmente julgada por um ser superior, deu-lhe o pão e foi para o trabalho, questionando toda a hierarquia cósmica.
    O professor de História marcou uma prova para "o dia 15". A turma, por consenso telepático de grupo de WhatsApp, entendeu que era uma sexta-feira. Ele quis dizer o sábado. No sábado de manhã, 30 alunos sonolentos e um professor possesso se encararam em uma sala vazia. Ele aplicou a prova para os presentes, triplicando o peso da nota. A lição foi clara: a História é escrita não por quem está certo, mas por quem tem a caneta vermelha.
      Lucas foi condenado a fazer um trabalho em grupo com três pessoas que ele chamava de "O Fantasma", "O Encosto" e "O Plágio". Ele escreveu tudo sozinho. Criar imagem extremamente reali
'' e obtive esse resultado.



 

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