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AFLIÇÃO

"Na balada sempre cabe mais um, mas na UTI não!'' - Gabriel Machado Saccilotto Freitas

            Observava as fotos da pessoa que foi a mais importante na minha vida, quem me gerou, cuidou de mim, mesmo com ausência de uma figura paterna, deu o seu melhor, para que eu e meu irmão tivéssemos uma educação de qualidade. Recordo-me que  muitas vezes que ela iria dormir tarde após voltar do terceiro emprego que realizava ,na residência de suas amigas do escritório, passava roupas e até realizava faxinas para conseguir um dinheiro extra, pois como era mãe solteira, a sorte não estava ao seu lado, e nada seria ganho.

                Encontrei uma caixa de fotos, que mostrava a felicidade em meu rosto quando era uma pequena criança, no meu aniversário de cinco anos, organizou uma festa surpresa do homem aranha, os vizinhos ajudaram, levando refrigerante, pote de salgados e outras comidas  típicas de aniversário, não nego, recordo que naquele dia chorei de emoção, e hoje, faço o mesmo, mas em um contexto totalmente oposto do que a fotografia traz em minha mente.

                Deitei em cima da cama, tentei fechar os olhos para me acalmar um pouco, mas no final, tudo que senti foi uma dor forte no peito, bem que poderia ser câncer, mas não era, ainda viverei por muitos anos, até pensei estar com gripe ou um possível sintoma da Covid-19, todavia, estava errado, me encontrava apenas triste, e a lágrima que percorria o meu rosto e já se localizava em meu queixo ressaltava muito bem tal fato, infelizmente não a verei novamente, tudo por culpa do Alex. Avisamos para ele não ir naquela balada clandestina, no centro da cidade.

                Mamãe, estava super bem, contudo, dentro de apenas duas semanas seu quadro mudou drasticamente, levantei bem cedo um dia, escutei um barulho horrendo oriundo do quarto dela, aparentava ser de uma criatura de filmes fantásticos, mas era ela com sua mão em direção a sua própria garganta, demonstrando estar com dificuldades para respirar.  Pelos meus conhecimentos da faculdade de Enfermagem, fiz o melhor que pude, e acionei o Samu.

                Naquele mês como estava no início da Pandemia, muitos não julgavam a gravidade que poderia apresentar o novo vírus.Por essa razão, aproveitam a vida sem nenhuma empatia dentro do seu coração, especialmente com os outros, julgo que na sociedade brasileira atual, caso os cachorros fossem as vítimas, grande parcela da população evitaria pegar a doença, pois vivemos em um país que um animal detêm mais valor que um familiar, como sua própria mãe.

                Meu irmão adorava festas de funk, por essa razão foi em inúmeras, e teve a brilhante ideia de fazer uma visita quando eu não estava em casa, pois caso estivesse, ele jamais teria entrado, mas como o amor de uma mãe com saudades  do outro filho, esqueceu de levar em conto esse mero detalhe, e se o seu filho estivesse com um vírus mortal? Seria impossível, avalio rapidamente, não seria tão sem noção ao nível para colocar em risco sua genitora.

                O que mais me abalou foi ver uma senhora, com 52 anos, no auge da sua idade, dentro de um caixão de madeira, aquilo  solidificou que partira para sempre, acusei o meu irmão no grupo da família e quase fui expulso por grande parcela dos parentes serem negacionistas de plantão, pessoas que propagam notícias duvidosas na rede social. Apenas digitei o seguinte: “Alex, vulgo, o mantra da morte iniciou o seu trabalho, caso receba sua visita, saiba que poderá ser a última pessoa a ver na sua casa, antes de partir desse mundo...’’ Ele ficou indignado, falando que eu o acusava injustamente. Apenas mandei o teste positivo que fez na semana que visitou minha querida mãe, sabendo ter conhecimento de tal circunstância. Interessante ressaltar um fato, contra estudos, não há maneira de ser questionado.

                Já se passaram seis meses desde que a mãe foi enterrada, queria visita-la, mas por ser vítima de uma doença mortal, infelizmente é impossível realizar o que mais gostaria, ela não teve o prazer de conhecer a namorada maravilhosa que conheci, jamais conhecerá a futura Aurora (nome que desejo colocar na minha filha); sempre no dia 15 de abril, é sempre o pior, porque era celebrado mais um ano de vida, o bom que não me sinto infeliz por não faltado com afeto com ela, isso que mexe com a cabeça de muitas pessoas.  Anseio para quando morrer ir para o céu, dessa maneira poderei ver o meu anjo da guarda mais uma vez!


 

 INSPIRAÇÃO

 
      A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. A intenção do presente conto é criticar as pessoas que vão em festas ou baladas clandestinas durante a pandemia, um dos fatores por ainda não ter sido solucionado o presente problema, além disso, perto de completar quase um ano do primeiro texto quando discorri sobre os problemas nos primórdios da quarentena, agora como leu, minha meta é criticar o que vemos e lemos diariamente nas manchetes dos jornais, pessoas que são mais semelhantes de um serial killer por não terem nenhuma empatia com o seu próximo.  Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
 
Ps: Além da omissão do Governo Federal, a decisão de muitas pessoas como o irmão do personagem no texto, torna medidas drásticas como o fechamento do comércio a única decisão possível.
 
    Recomendo assistir o vídeo abaixo de uma matéria muito interessante, sobre baladas clandestinas, especialmente a fala de uma jovem.
 
 
 
 
 

 

Comentários

  1. É lamentável a postura de muitos em relação ao corona.

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  2. SAMARA FERNANDES LEITE14 de abril de 2021 às 19:31

    Texto bastante oportuno e confrontador com ações que muitos consideram inofensivas.

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  3. Texto altamente reflexivo e extremamente necessário em meio ao caos que estamos vivendo !

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