"A ignorância é a maior enfermidade do gênero humano.'' - Cícero
Fui com meus pais para um centro de refugiados, foram vestidos com uma roupa enorme, parece até aquilo que usam quando saem do banho, o lugar aparentava ser da idade da vovó, o cheiro era horrível, era impossível não associar quando alguém usa o banheiro após ingerir um prato de feijoada. Era um corredor longo, branco, o chão parecia aquela fase do jogo que me divertia antes de ir, (nome do jogo), um senhor se aproximou, meus pais conversaram quando estou com vontade de ir ao banheiro. E fomos avaliar qual seria o meu novo irmão ou irmã, me falaram, eu poderia escolher, seria estilo tamagotchi, fiquei sem entender o que isso significava, o lugar é amplo, e avistei muitas janelas com pessoas dentro, quando me aproximei, entendi, todas eram crianças parecidas com o menino mowgli. Qual deles você deseja, minha querida?
Caminhando lentamente com meus pais, olhamos o primeiro, o agente nos informou ser goiano, papai me olhou, apenas balancei a cabeça negativamente, e disse: "Apenas para ser músico sertanejo, não considero uma enorme vantagem como fonte de riqueza, e olhe para ele, ainda é deficiente, não serviria nem para tocar um instrumento, a menos que tivesse auxílio que Christine Daaé.
O próximo era um nordestino, não fazia nenhum barulho, e se encontrava na rede, totalmente imóvel, como às vezes um tio distante fica após o almoço, mamãe diz que não é apenas após o almoço, pois, no fundo, ele detém um sangue de preguiça, até que isso faz sentido, por isso meus primos são do mesmo jeito. Papai até comentou: "se for para observar uma criatura que não faz nada, melhor ir perder tempo no zoológico, ainda mais que é possível visualizar animais em extinção, e ainda não é o caso dessa espécie que até parece um coelho se não for controlado pelo Governo. Fiquei sem entender essa parte.
Engraçado seria afirmar, que o próximo era muito agitado, usava uma grande roupa branca e com traços um pouco cinzas como se fossem manchas de suco ou outra coisa, parecia mamãe naquele esbelto vestido, foi impossível não rir, meus pais leram em conjunto... Á-R-A-B-E, vi que os dois engoliram em seco, ou seja, não gostaram desse possível ''irmão'', gostava muito de ver coisas sobre guerra e até tinha uma arma de plástico, no formato da "arma mais famosa do mundo'' papai falou, que não seria bom, pois esse povo é conhecido pelo receio de serem um gás com vazamento, e temiam pela tia SAM, pois poderia afetar o bom contato que temos com essa parente de longa data.
O próximo era quase perfeito segundo meus pais, pois poderia trabalhar na empresa do papai, pois de acordo com ele, no país dele não conhece o que são direitos trabalhistas, e como a criança estava comendo fazendo por conta sopa de morcego, até auxiliaria os custos, pois não seria necessário gastar dinheiro com suprimentos alimentícios, entretanto, exibe dois lados negativos: primeiro, é portador de doenças que podem nos matar, e por fim, sempre, SEMPRE, assim ressaltava mamãe, que tal povo apenas induzia o consumo da pirataria, e como é crime, jamais alimentamos isso, somos pessoas sérias.
O penúltimo era branco, cabelos pretos, e olhos puxados, segundo o agente era um crânio em tudo o que fazia, até gostei dele, pois vi que também gostava do mesmo videogame que eu, a sala mais limpa que vimos era a dele, meus pais o admiraram por longos minutos, notei os olhos como uma partida de pingue-pongue, tudo parecia bom para terem mais um membro da família, enquanto realizava uma atividade escolar, errou uma questão no livro, ao invés de usar uma borracha ou algo similar, apenas quebrou o copo de água, na ponta da mesa, aproveitando dessa forma para cortar seu pescoço, o vidro foi totalmente escurecido lentamente por uma cor forte, vermelho, até que não era possível olhar nada no seu interior. Mamãe, correu para tapar meus olhos, apenas disse: "Já vi coisas piores nos filmes de terror''. Ela olhou com uma cara feia para o meu papai, ele franziu a testa, e começou assobiar enquanto caminhava para o último.
d Meus pais mal chegaram e já exibiram um longo sorriso, estilo aquele inimigo do batman, meu herói favorito, comentaram que essa criança não iria precisar de usar casaco, pois até eu conseguia ver na temperatura ambiente, constava como menos de dez, o agente nos informou ser frio impossível para nós ficarmos sem uma blusa de frio, nesse momento lembrei do cachecol que vovó fez para mim, o menino era todo branco, olhei seu cabelo loiro, e olhos azuis, papai comentou apresentar um bom vigor no estilo do melhor líder que Alemanha já teve em 1933, "aquele do bigodinho, papai?". Ele mesmo, meu amor. Uma pessoa entrou na sala, exigiu que o jovem, pegasse um balde e o ajudasse a limpar, recusou até que foi tomado por uma grande raiva, estilo quando mamãe briga com papai, pulou em cima do homem gordo, fez sua cabeça se chocar contra o chão, o senhor começou a tremer dos pés até a cabeça, igual quando eu matei a barata ontem no banheiro. A criança colocou o chapéu e o cartão, e bateu uma continência, o agente informou que esse ser constava com esse problema, tenta ao máximo ser independente mesmo que seja impossível por conta do seu tamanho, ou seja, vivia apenas no mundo mágico idealizando esse fato, mas, no fundo, nem conseguia cuidar de si mesmo, deitou em posição fetal, passou a chupar o dedo, e gritar pedindo sua mãe. Nem eu iria aguentar esse grito infernal, até eu teria o matado, mas seria um ultraje sujar minhas lindas mãos brancas com um ser inferior, meus pais elogiaram a minha fala, "Amor, vamos embora agora mesmo, para a pizzaria, pois notei que não precisamos de mais ninguém mais nessa família, para sermos completo.''
O agente apenas disse: "Cômico seria afirmar que a ignorância nasce com a pessoa, mas isso é totalmente errôneo, pois ela é transferida pelos "responsáveis da criança''. Essa jovem seria perfeita para realizar a revolução dos bichos, e não iria perder tempo para se livrar dos outros.
INSPIRAÇÃO

Texto muito bom. Soube abordar bem o tema com criatividade ,fugindo do casual abordado nesses temas.
ResponderExcluirO ambiente virtual endossa a impunidade.
Ótima reflexão sobre a contaminação parental na construção desses pré -conceitos.