"Não sou um psicopata, só faço justiça de forma diferente.'' - César Gonçalves
Nas ruas da Grande cidade de São Paulo, uma praga tomava conta durante a madrugada, o ceifador atacava novamente, engana-se quem imagina que seria aquela figura oriunda dos tempos medievais durante a Peste-negra, agora seria um criminoso, que ceifava a vida de moradores de rua. O governador Dória, se pronunciou no mesmo dia, que iria empenhar todas as forças para que esse problema fosse de fato solucionado, a força policial, jornalistas, e grande parcela da população acreditava que essa vitória estava longe.
O que dificultava o trabalho da polícia jurídica é o fato que o autor dos delitos não detinha um padrão definido, sendo morador de rua, ele mandava para a vala, passaram muitos meses, com uma enorme pressão tanto da população local quanto ao nível nacional. Cômico, seria apenas afirmar que apenas isso seria capaz de criar um temor tão alto das pessoas, que os lojistas antecipavam o fechamento das lojas, antes das 20 horas. Era possível ouvir o barulho do rato buscando comida no lixo do restaurante, furando os sacos de lixo, enquanto ao seu lado, um senhor barbudo, fazia de travesseiro a tampa de uma pizza, melhor ali talvez estaria seguro.
O despertador tocou, 2:00 da manhã, o horário para iniciar o trabalho, coloquei o meu traje para essa finalidade, coloquei as luvas, o ruim por conta da textura era necessário esticar um pouco mais. Guardei a pistola que estava na mesa da cozinha no bolso da jaqueta. Entrei no carro, não era um modelo novo, assim dificultava ser localizado pelas autoridades, apresenta coloração vermelha na lateral com preto, e levemente cinza no capô. Estava chovendo, assim minha arma ficaria silenciosa, deu um sorriso malicioso, andava buscando uma vítima, fiquei furioso quando pensei que não acharia mais mendigos, até que avistei três dormindo juntos. Parei o carro ao lado deles, peguei um saco com marmita, gritei até os acordarem, foram tomados pelo medo, todavia a fome era maior que o receio da morte iminente, um veio no carro pegar, quando virou as costas, era nítido aquele grande estrondo que foi abafado pela chuva, tornando árduo para vizinhos terem escutado algo, três cápsulas caiam no chão, hoje foi um dia muito bom, quase um orgasmo, registrava o assassino em seu diário. Melhor era a reação deles, adoro ver isso.
Se passou mais de oito meses sem nenhum desenvolvimento esperado no curso do inquérito policial, até que o delegado recebeu uma ligação sobre uma mulher afirmando que provavelmente avistou o possível veículo do criminoso, até registrou um vídeo de forma indireta, de acordo com ela, era de madrugada, época que teve insônia, decidiu fazer um vídeo na sacada da sua casa, reagindo a determinados vídeos, pelo incrível que pareça, conseguiu registrar fortes evidências, como uma fotografia, que batia com o carro que testemunhas descreveram. O delegado, após ouvir tal informação, até sentou melhor na cadeira, sabia que seria poucos dias até que o autor fosse preso.
Levou duas semanas até que aprenderam o suspeito em uma blitz de rotina, irônico seria salientar que todos os documentos estavam em ordem, fora um traje nada casual no banco do passageiro, quando o homem abriu a porta, o agente policial notou que ali alguém praticou tiros com arma de fogo, pois havia indícios tanto na porta quanto na blusa, para o azar daquele motorista, por decorrência de um acidente nas proximidades e falta de pessoal, um perito estava realizando a fiscalização.
Quando o delegado do caso, sentou-se diante do grande criminoso, o indagou por qual razão cometeu tais crimes se na teoria tivesse uma vida sem problemas?
"Então, Dr. Fiz isso, pois minha vida era um grande tédio, acredito que, no fundo, as vítimas irão me agradecer, porque agora possuem um lar, não passam mais fome, fiz isso em prol de reduzir as desigualdades da nossa rica nação. Fui bem mais eficaz do que determinadas instituições religiosas para acabar com a fome, a melhor maneira sem dúvidas, seria a MORTE!''. O dr. ficou surpreso de como era uma pessoa jovem, 23 anos, cor parda, vinha de família abastada, mesmo assim se tornou um ''monstro''. Afirmou para os jornais que, finalmente o criminoso estaria fora das ruas, todavia, ele detinha todas as caraterísticas de um psicopata, único momento que ficou triste, foi quando matou um morador de rua, e após ser baleado, caiu direção ao seu carro e deixando um risco na pintura, ou seja, apenas se importava consigo e com seu carro, até parecia o Meursault, comentei com o escrivão que me auxiliava.
INSPIRAÇÃO

Ótimo texto!!
ResponderExcluirExcelente 👏
ResponderExcluirMuito bom 😊
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