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O AVIADOR

  

"A guerra é uma arte simples e essencialmente prática.'' - Napoleão Bonaparte

 

         O trem estava muito lotado, recheado de rostos cansados, especialmente de jovens, não indo para uma     jornada de trabalho, mas em prol de algo que era totalmente desconhecido, o medo era uma palavra desconhecida no seu vocabulário, era nítido apenas um misto entre  ansiedade e felicidade. Todos estavam de casaco, algumas pessoas liam o seu jornal pela manhã, outros livros (para aonde iríamos seria a sua única companhia).  Tive até que me apertar entre dois senhores para conseguir uma vaga, não existiam lugares vagos, evitando uma nova punição caso me atrasasse para chegar lá como fora combinado, decidi embarcar antecipadamente. Olhava o olhar sonolento de todos, careciam de descanso que era nítido.

        Fui designado para ficar na área Leste, local para os futuros bombardeiros, o treinamento foi suado, nunca havia treinado tanto na minha vida, ou escutando pessoas tentando fazer com que abandonássemos o respectivo curso, iríamos pilotar a grande fortaleza, a tecnologia mais evoluída da época dos aliados no âmbito ataque por intermédio de enormes bombas, resistia aos pesados tiros do Flak-88, e também apresentava resistência contra massas de ar que poderiam formar gelo e determinar o fim da missão, fomos instruídos durante o curso que deveríamos portar o traje de aviador, pois seria vital para permanecermos vivos até o fim de cada operação que fossemos encaminhados. 

        Foi cômico na enorme praça de alimentação, um senhor passava esporadicamente vendendo cigarros, não vi o objeto de fato, mas presumi que seria isso por conta da sua voz, era um grave estranho, há grandes hipóteses de ter sido um ex fumante. Outro fato icônico foi quando um soldado chinês tentou se esconder quando visualizou um policial japonês, era difícil explicar que ele estava do nosso lado, mas nos revelou que por conta da invasão da Manchúria, desde então, não confiava em ninguém dessa nação!

        A primeira missão foi acompanhar cerca de 200 aviões em combate contra fábricas industriais que proviam a força de guerra alemã, ou seja, mesmo sendo nossa primeira missão oficialmente, seria de alto risco e foi nos alertados todas as orientações caso fosse atingido, era necessário seguir como dizia no protocolo, manter o avião nivelado (caso o piloto automático fosse afetado), e pular o mais rápido possível, o ruim que mesmo lá no alto, o barulho das hélices que eram maiores que dois silos juntos, fazia um barulho muito chato em união com o calor extremo e a turbulência que tomava o material de metal que fora construído a aeronave, por exibir pequenas orifícios onde seria possível receber cargas de vento, o ruído da fuselagem durante o ataque era insuportável, principalmente quando éramos atacados.

        Na tripulação, eu fui designado para ser o copiloto, um militar da reserva que já serviu como bombeiro antes da guerra, Geovânio, detinha na faixa dos 50 anos, cabelo grisalho por conta da idade, raramente foi visto alterado por algo, fora poucos momentos em que era tirado do sério por perguntas bestas, mas sua aparência ostentava uma grande calma assumia como piloto por expor experiência na condução de veículos de grande porte, observaram tal fato,     quando leram o seu histórico de cursos; no rádio e como cartógrafo era Daniel, negro, magro, adorava exibir com as melhores roupas, e mesmo para a época quebrava os padrões por gostar de pessoas do mesmo sexo, mas no âmbito profissional demonstrava um extraordinário empenho, todavia, quando não existia trabalho preferia ficar sentado procrastinando; e por fim, na traseira do avião, estava localizado o último tripulante, Samuel, negro, não era magro, alto, por ser considerado portado de uma doença que ficasse muito agitado, se tornou quem deveria proteger as aeronaves dos caças alemães, interessante que nos treinamentos individuais, geralmente alcançou grandes resultados, seu ponto fraco era receber ordens e cumpri-las como deveriam ser, sem questionar a autoridade competente.

        Tenso, quando nos aproximamos um quilômetro, o barulho das metralhadoras antiaéreas começaram a entrar em cena, avistei grandes explosões próximas da asa, nariz e naves próximas, um aliado foi atingido na causa, o barulho foi ensurdecedor, quando um projétil partiu por completo a área do avião que concede estabilidade no ar, ou seja, caiu como um bebê quando o pai joga para cima e pega posteriormente, ao contrário da analogia, os soldados lá dentro, todos morreriam antes de atingir o solo em decorrência da gravidade, força G era a grande rival dos pilotos, especialmente daqueles que buscavam sair com vida, o suor e medo em todos, tomou conta, o rádio era de gritos de socorro que baixavam a moral dos envolvidos, o suor na mão, nuca, costas era quase surreal, respirei fundo muitas vezes, até tivemos que desviar de destroços aliados para evitar uma futura queda, acredito se Dante tivesse servido na guerra, a divina comédia seria totalmente diferente. O cheiro de carne queimada era apetitoso, perdemos a essência do humanismo? 

        Nossa missão foi realizada com sucesso, contudo, perdemos cerca de 95 aviões, e muitas mães nos Estados Unidos das Américas e Inglaterra, iria receber telegramas informando, cara senhora x, sinto lhe informar, mas o seu filho morreu como um herói da guerra, nesse momento era quando senhoras eram tomadas de grande dor e pesar interior, por de forma indireta não terem tentado evitar que o filho ingressasse no conflito, mas sabiam isso no fundo, quem vai para a guerra assina um papel prevendo que não irá retornar. O sangue derramado no meio do nada, pagará apenas um caixão com o que achar como o seu filho e pagará um valor irrisório para a família do falecido. O avião do quarteto fantástico, jamais fora visto novamente, de quem diga, foi abatido quando retornava; por serem iniciantes não observaram o problema de ausência de ignição no motor para a subida ou estavam agora em algum campo de concentração alemão, ansiando por libertação, já teriam se tornado cinzas ou estavam vivos? 

        TODOS OS OCUPANTES, FORAM TIDOS COMO "DESAPARECIDOS EM COMBATE", assim ainda alimentava falsas esperanças de mães e pais, dessa forma o Governo não precisaria pagar donativos. A política em tempos de guerra nunca muda!



 INSPIRAÇÃO

 
      A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. Idealizei o texto abordando o enredo de um jovem soldado, utilizando de referências que notamos diariamente no transporte público, e como o autor do texto é fascinado pela Segunda Guerra Mundial, não seria peculiar abordar um conto sobre esse período. E como é comum em algumas publicações minhas, às vezes crio um final aberto. Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!



Comentários

  1. O fundo histórico só foi um realçador para expor a maldade e o utilitarismo humano. Adorei, muito introspectivo.

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