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MATURIDADE

 

"A adversidade é um trampolim para a maturidade.'' - Charles Caleb Colton

 

   Ainda no mesmo dia, antes de dormir, fui ao bar da sede, antes de ingressar no estabelecimento, tirei as luvas, colocou um pouco de gel transparente de coloração levemente esverdeada na minha mão, esse ato simples, era para evitar que fosse interrompida a circulação de sangue na mão, vivemos em futuro que os autores célebres de ficção descreviam. Antes de finalmente conseguir entrar, pegou um aparelho com um visor térmico, mirando em nossos olhos, consegue examinar se você é um foragido da justiça, detentor de uma doença crônica que o ceifará sua vida na próxima bebida, ou caso seja reincidente de brigas ou delitos mais graves. 

    Quando finalmente ingressei no bar, recordava muito em minha memória os cenários dos filmes, sentei na mesa que existiam alguns conhecidos, solicitei uma bebida, em poucos segundos já estava saboreando, criando um bigode de espumas, até que com uma mão limpei com a manga do uniforme, começamos a jogar cartas e conversar sobre fatos triviais, que não despertavam muito minha atenção. Até que indaguei sobre o que poderiam falar, sobre aquela negra. Me indagaram de quem estava me referindo. Até que fui bem específico, dra. Samara, cacheada, um nível intelectual bastante fascinante. Desejo saber mais sobre essa mulher, alguém poderia me falar algo sobre ela?  

     Notei uma mudança de clima no bar, a mulher que entregava as bebidas, nesse momento, pegou um pedaço de pano, e começou a limpar enquanto assoviava, olhei para os homens na mesa, dirigiam as bebidas em direção a boca tremendo um pouco as mãos, até ouvi uma voz, partindo de uma região que estava em penumbra total. “Você disse, dra. Samara?”. ''Sim, ela MESMO!'' 

    Se aproximou um homem, na casa dos trinta anos, pelo seu rosto e os traços físicos, deduzi ser alemão. Cabelo curto, bem feito, até lembrei da minha primeira semana aqui. Portava um terno bastante elegante, verde-claro (parecia um marcador de texto), que não combinava nada com o ambiente. Se aproximou, puxou uma cadeira e sentou, colocando uma maleta executiva em cima da mesa. Li no seu terno, dr. e o símbolo do curso de Direito, ali deduzi estar falando com alguém que poderia me auxiliar, não apenas por conhecer o corpo do campo jurídico. 

    "Olá, tudo bem? Como pode me auxiliar no que busco, amigo? 

    ''Sim, ou quase, salvo pela pressão que estou passando lá em casa, após recusar noivar pela segunda aquela adorável mulher, entretanto eu não a amo, prefiro minha vida boêmia, fora as discussões que já tive com meu pai, todavia, são assuntos para outra conversa, ou quem sabe até uma carta … Refletia em silêncio cabisbaixo, após terminar seus pensamentos. Tomou um gole da bebida que estava no seu lado, e me respondeu ''posso te ajudar!'' 

    Quando escutei isso, fui agraciado por uma felicidade difícil de explicar. 

"Então, a Samara, até pelo, o que sei, pois, já trabalho há longos anos em uma empresa que realiza um trabalho burocrático, atualiza os dados semestralmente, pelo que me lembre, nunca li nessa pessoa que está interessada se envolveu em um relacionamento, provavelmente como ela mesmo te disse, possuí um coração de gelo por duas razões, alguém o partiu ou por questões religiosas, mesmo distante da Terra, é importante acreditar em algo, não acha?'' 

    Balancei a cabeça de forma positiva.  Alguma dica? O indaguei.  

    "Jovem, apenas digo o seguinte, para criar uma árvore não é muito rapidamente, é necessário constituir longas raízes no solo, apenas a partir daí que começam a dar folhas e frutos.'' Compreendi muito bem a metáfora. Olhei no relógio e vi que já era tarde, apertei sua mão, o agradeci. Perguntei como era possível pagar por uma dica tão valiosa?  

    Ele abriu a mala, pegou um livro em processo de criação, apenas informou para entregar para o Max Brod, ele saberia o que deveria ser feito com aquilo. Vesti minha luva, paguei as bebidas, inclusive daquele senhor. Após sair e ser tomado por uma rajada intensa e violenta de frio, refleti que pela pressa, nem perguntei o seu nome, decidi olhar naquele papel, como estava em alemão não pude ler, mas na capa aparecia um inseto, e uma letra inicial, que deduzi ser um "K'', por essa razão o denominei como senhor K.



 INSPIRAÇÃO

 
      A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. Foi inspirado no capítulo 3 do conto/novela que elaborei para namorada como presente de aniversário, ademais, é importante ressaltar que o personagem que converso, o escritor Kafka, me respaldei em uma versão do processo da mesma cor com a roupa que o advogado aparece no texto, e por fim, criei uma referência com a exigência para ingressar em qualquer estabelecimento atualmente por conta da pandemia, pois a conheci nesse período.  Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
 
OBS: Max Brod  foi um dos amigos de Kafka e responsável por dedicar grande parte da sua vida publicando as obras do seu amigo de maneira póstuma, a obra do inseto que é abordada no conto, para os leitores que conhecem esse escritor, sabem ser a obra mais célebre, caso desconheça, recomendo a leitura!
 

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