''Estamos todos condenados à prisão solitária dentro de nossa própria pele, por toda a vida.'' Tennessee Williams O despertador tocou e Clara abriu os olhos. O teto do hospital era o mesmo de sempre, branco com uma mancha úmida no canto. Ela virou o rosto e viu a mãe dormindo na poltrona, o pescoço torto, o rosto marcado pelo vinco do travesseiro de viagem. Clara sentiu algo que deveria ser amor, mas era apenas uma constatação: aquela mulher cuidou de mim. Os médicos comemoraram sua recuperação. Falaram em milagre, em sorte, em vontade de viver. Clara ouvia e acenava, mas não entendia o entusiasmo. Claro, o acidente foi grave, o coma durara meses, mas agora ela estava acordada. Ponto. Não havia motivo para lágrimas. A primeira vez que percebeu foi no elevador. Um homem entrou com um cachorro no colo, um pinscher minúsculo que rosnava mostrando os dentes. O...
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