''O mistério gera curiosidade e a curiosidade é a base do desejo humano para compreender.''
O céu estava carregado de nuvens espessas, um manto cinza que parecia sufocar qualquer resquício de luz. O vento frio serpenteava entre os poucos presentes, arrepiando peles e provocando tremores involuntários. A terra úmida absorvia lentamente as lágrimas que caíam, misturando a dor dos vivos à solidão dos mortos.
Ao redor do caixão fechado, rostos velados pela incerteza observavam em silêncio. Ninguém ousava dizer em voz alta, mas todos compartilhavam a mesma suspeita: Arthur estava realmente morto? Seu corpo não fora encontrado. Somente seu veículo, despedaçado no fundo do penhasco, e um documento chamuscado, prova frágil de uma identidade talvez apagada pelo acaso ou por algo muito pior.
A mãe de Arthur soluçava, segurando entre os dedos trêmulos um lenço amarrotado. Seu olhar vagueava, buscando no horizonte alguma resposta que não viria. O irmão mais novo permanecia estático, apertando os punhos, como se esperasse que a qualquer momento Arthur surgisse do nada, rindo de tudo aquilo como a brincadeira de mau gosto de um irmão mais velho.
Quando o padre pronunciou as palavras finais, o silêncio se tornou mais pesado que a própria terra sendo jogada sobre o caixão. Era um funeral sem corpo, um adeus forçado a uma ausência. Mas o que mais inquietava era a sensação incômoda de que aquilo não era um fim, somente o começo de um mistério que jamais seria desvendado.
Longe dali, sob a penumbra de uma marquise desgastada pelo tempo, um homem de cabelos desordenados e roupas sujas observava a cena de longe. Seu rosto estava oculto pela sombra, mas um sorriso melancólico se desenhava em seus lábios. Arthur nunca fora de se despedir.
INSPIRAÇÃO
A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. É uma ideia nova, em um funeral envolto por dúvidas e incertezas, familiares e amigos se reúnem para se despedir de alguém cuja morte nunca foi confirmada. O clima pesado e silencioso carrega um mistério que ninguém ousa questionar em voz alta. Enquanto a despedida acontece, uma presença desconhecida observa de longe, trazendo um sentimento inquietante de que algo ainda não terminou. Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!

Adorei o texto,amor. Ansiosa pelos próximos.
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