''O que é verdadeiro volta? Não. O que é verdadeiro não vai. O que é verdadeiro, permanece.''
A casa guardava o cheiro do tempo. O pai vivia ali sozinho, cercado por móveis que um dia serviram a uma família completa, mas que agora sustentavam apenas lembranças. A sala, antes ecoando risos e discussões, agora era um espaço dominado pelo silêncio, onde apenas o ranger da cadeira ao final do dia pontuava sua solidão.
No dia em que o filho partiu, a despedida não foi feita de abraços ou lágrimas, mas de palavras truncadas e uma carta deixada sobre a mesa de jantar, aquela que um dia fora o coração do lar. Nela, o jovem não pedia perdão nem dava explicações: apenas declarava que buscaria seu sonho, a música, e que precisava de distância para encontrá-lo. O pai, com o orgulho ferido e o coração pesado, não respondeu. A mesa permaneceu intacta por dias, a carta repousando ali como um testemunho de um laço desfeito.
Anos se passaram como uma sucessão de dias indistintos, até a manhã daquela Páscoa. O telefone tocou, interrompendo sua rotina. Era uma mensagem de voz, inesperada e cheia de vida. “Pai... Sou eu. Faz muito tempo, eu sei. Mas hoje é o meu grande dia. O meu concerto, as minhas músicas. Tem um lugar reservado para você, na frente. Gostaria muito que viesse.” A voz era mais grave, mais madura, mas inconfundivelmente a de seu filho.
Por um longo tempo, ele segurou o telefone, relendo a mensagem, ouvindo o áudio repetidamente. Havia ali algo que não se podia ignorar: um convite, uma chance de remendar o que fora desfeito. Durante a tarde, abriu a Bíblia pela primeira vez em anos. Não buscava respostas, apenas um pouco de paz. Ao lê-la, sentiu a presença de sua esposa, como se ela estivesse ali, sussurrando que ele deveria ir.
No início da noite, vestiu o terno que guardava para ocasiões especiais e dirigiu-se ao centro da cidade. Passou por uma loja de música e comprou um violão, com um bilhete simples preso ao estojo: “Para que nunca pare de tocar.” Pegou também um livro, lembrando-se de como o filho devorava histórias, herdando esse hábito da mãe.
O GPS indicava quase duas horas de viagem. Ao entrar na estrada, a ansiedade o acompanhava como um passageiro invisível. O carro estava silencioso, e ele, curioso, decidiu finalmente ouvir a playlist que o filho enviara junto com o convite. A primeira música começou, e ele ficou imóvel por um instante, absorvendo cada nota. Era brilhante. As melodias falavam de sonhos, perdas e esperanças; uma história que parecia contar a vida deles.
Na sala de concerto, o filho aguardava, nervoso. Não era o público que o preocupava, mas aquela cadeira vazia na primeira fila, reservada especialmente para o pai. Enquanto afinava o violão, olhava para ela de tempos em tempos, tentando convencer-se de que ele viria.A apresentação começou, e ele tocou com o coração. Cada música era uma carta não escrita, uma tentativa de comunicação. Mas o peso daquela cadeira vazia crescia a cada pausa, cada silêncio entre as canções.
Na estrada, o pai seguia com o som da música preenchendo o carro. A noite parecia um borrão, a estrada fluía como as páginas de um livro. Foi então que viu um caminho alternativo no GPS. “Metade do tempo”, pensou. Com a música como trilha sonora, virou o volante, sem perceber que o destino já escrevera o próximo capítulo.
Mais tarde, quando o último acorde ecoou no teatro, o filho olhou novamente para a cadeira. Ainda vazia. O coração apertou, mas ele sorriu para o público, curvando-se em agradecimento. A notícia chegou antes do amanhecer. Na estrada secundária, encontraram o carro. As ferragens retorcidas ainda protegiam um homem com um sorriso sereno. O violão novo, intacto, estava no banco do passageiro. O celular, ainda tocando a playlist, repetia a primeira faixa em um ciclo infinito.
No dia em que o filho partiu, a despedida não foi feita de abraços ou lágrimas, mas de palavras truncadas e uma carta deixada sobre a mesa de jantar, aquela que um dia fora o coração do lar. Nela, o jovem não pedia perdão nem dava explicações: apenas declarava que buscaria seu sonho, a música, e que precisava de distância para encontrá-lo. O pai, com o orgulho ferido e o coração pesado, não respondeu. A mesa permaneceu intacta por dias, a carta repousando ali como um testemunho de um laço desfeito.
Anos se passaram como uma sucessão de dias indistintos, até a manhã daquela Páscoa. O telefone tocou, interrompendo sua rotina. Era uma mensagem de voz, inesperada e cheia de vida. “Pai... Sou eu. Faz muito tempo, eu sei. Mas hoje é o meu grande dia. O meu concerto, as minhas músicas. Tem um lugar reservado para você, na frente. Gostaria muito que viesse.” A voz era mais grave, mais madura, mas inconfundivelmente a de seu filho.
Por um longo tempo, ele segurou o telefone, relendo a mensagem, ouvindo o áudio repetidamente. Havia ali algo que não se podia ignorar: um convite, uma chance de remendar o que fora desfeito. Durante a tarde, abriu a Bíblia pela primeira vez em anos. Não buscava respostas, apenas um pouco de paz. Ao lê-la, sentiu a presença de sua esposa, como se ela estivesse ali, sussurrando que ele deveria ir.
No início da noite, vestiu o terno que guardava para ocasiões especiais e dirigiu-se ao centro da cidade. Passou por uma loja de música e comprou um violão, com um bilhete simples preso ao estojo: “Para que nunca pare de tocar.” Pegou também um livro, lembrando-se de como o filho devorava histórias, herdando esse hábito da mãe.
O GPS indicava quase duas horas de viagem. Ao entrar na estrada, a ansiedade o acompanhava como um passageiro invisível. O carro estava silencioso, e ele, curioso, decidiu finalmente ouvir a playlist que o filho enviara junto com o convite. A primeira música começou, e ele ficou imóvel por um instante, absorvendo cada nota. Era brilhante. As melodias falavam de sonhos, perdas e esperanças; uma história que parecia contar a vida deles.
Na sala de concerto, o filho aguardava, nervoso. Não era o público que o preocupava, mas aquela cadeira vazia na primeira fila, reservada especialmente para o pai. Enquanto afinava o violão, olhava para ela de tempos em tempos, tentando convencer-se de que ele viria.A apresentação começou, e ele tocou com o coração. Cada música era uma carta não escrita, uma tentativa de comunicação. Mas o peso daquela cadeira vazia crescia a cada pausa, cada silêncio entre as canções.
Na estrada, o pai seguia com o som da música preenchendo o carro. A noite parecia um borrão, a estrada fluía como as páginas de um livro. Foi então que viu um caminho alternativo no GPS. “Metade do tempo”, pensou. Com a música como trilha sonora, virou o volante, sem perceber que o destino já escrevera o próximo capítulo.
Mais tarde, quando o último acorde ecoou no teatro, o filho olhou novamente para a cadeira. Ainda vazia. O coração apertou, mas ele sorriu para o público, curvando-se em agradecimento. A notícia chegou antes do amanhecer. Na estrada secundária, encontraram o carro. As ferragens retorcidas ainda protegiam um homem com um sorriso sereno. O violão novo, intacto, estava no banco do passageiro. O celular, ainda tocando a playlist, repetia a primeira faixa em um ciclo infinito.
INSPIRAÇÃO
A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. É
uma ideia nova, inspirada na música abaixo com pitadas de drama e melancolia com final triste. Um pai e um filho, distantes há anos, são unidos por uma oportunidade
inesperada: o convite para um concerto onde a música será o fio condutor
de emoções e reconciliação. Carregado de memórias, arrependimentos e
esperança, cada um embarca em sua própria jornada para reconstruir um
laço há muito fragmentado. Enfim, caro leitor (a), espero
que sua leitura seja prazerosa!
REFERÊNCIAS
1. https://www.youtube.com/watch?v=AvJVjMqWl0s Escutar a música após a leitura do texto serviu como base
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Ótimo texto, com um toque de tristeza, mas que nos deixa belas reflexões .
ResponderExcluirAdorei o texto,amor. Parabéns,ansiosa pelos próximos.
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