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UMA BIBLIOTECA DE SENTIMENTOS

 ‘’Mas o coração não é como uma caixa que se enche. Ele aumenta seu tamanho quanto mais você ama’’. ( Filme Ela)

Era uma tarde de céu opaco em Brasília, um dia como tantos outros onde o vento brincava de passar entre os blocos de concreto e os ipês coloriam o cinza com seu vibrante protesto natural. Samara estava sentada em uma das poltronas do Casarão dos Livros, seu refúgio favorito, onde os estantes transbordavam histórias e o aroma dos volumes antigos se misturava ao café servido no canto da livraria. Os cachos densos caíam sobre os ombros, os olhos grandes absorvendo cada linha de um romance de Lygia Fagundes Telles.

Ele a observava de longe, discreto, tentando buscar coragem para se aproximar. Ele era leitor voraz, mas naquele instante sentia-se como um personagem de Tolstói diante de uma heroína de Austen. Samara parecia tão concentrada que ele teve receio de interromper sua imersão literária, mas a paixão compartilhada pelos livros era um convite impossível de ignorar. Apertando os óculos sobre o nariz, armou-se de uma desculpa literária para iniciar a conversa.

— Vejo que é fã da Lygia — disse ele, a voz baixa, mas segura. — Sabe, ela escreveu que os livros são os verdadeiros confidentes da alma.  Ela ergueu os olhos, um sorriso iluminando sua expressão. — E também os cúmplices dos sonhos mais ousados — respondeu ela, marcando a página com cuidado antes de encará-lo. — E você? Que confidências anda trocando com os livros ultimamente?

Assim começou a conversa que se estenderia por horas. Falou sobre sua admiração por Clarice Lispector e como “A Hora da Estrela” o ensinara a olhar para o ordinário com olhos extraordinários. Ela confessou sua predileção por romances de formação, mencionando “Dom Casmurro” como o exemplo perfeito de um amor tão denso quanto indecifrável. Entre um parágrafo citado e outro, os dois perceberam estarem construindo um diálogo que fluía como páginas viradas por mãos ansiosas.

Naquela noite, sugeriu que fossem ao cinema.— A Renata faz os melhores hambúrgueres de Brasília. Que tal começarmos por lá e depois vermos um filme? — perguntou ele, tentando esconder o nervosismo por trás do convite casual.

Samara, rindo, aceitou. Na lanchonete, o aroma de carne grelhada e a conversa animada tornaram o momento mais íntimo do que qualquer jantar à luz de velas. Ao lado, um casal adolescente tirava selfies enquanto eles discutiam como Stephen King conseguia criar um terror psicológico que também fosse lirismo puro.

No cinema, o filme “A Morte do Demônio” os envolveu em momentos de susto compartilhados, risos nervosos e, finalmente, uma proximidade inevitável. Quando Samara agarrou o braço de Gabriel em uma cena mais tensa, ele sorriu.

— Achei que só autores russos podiam provocar tanto suspense assim — comentou ele, arrancando dela uma gargalhada que ecoou entre os outros espectadores. Na saída, o vento de Brasília estava mais gelado, e Gabriel ofereceu seu casaco.  — Você é mesmo um clichê ambulante — brincou, mas aceitou o gesto.

Caminhando lado a lado, ambos sabiam que algo novo e vital estava sendo escrito naquela noite. Um pouco hesitante, citou um trecho de “Guerra e Paz” que dizia: “O amor nos ensina mais do que qualquer professor ou livro”. Sorriu de lado e retrucou: — Então acho que estamos escrevendo nossa própria epopeia.

No fim da noite, diante da porta de sua casa, ela parou e o encarou com os olhos grandes que já pareciam ler todas as entrelinhas de seus pensamentos. Gabriel, lembrando dos heróis literários, decidiu não deixar o momento escapar. Aproximou-se e, em um gesto que parecia planejado desde o prefácio daquela história, a beijou. Não foi um beijo qualquer, mas um parágrafo inteiro, cheio de metáforas, exclamações e reticências.

Daquele dia em diante, o Casarão dos Livros se tornou o ponto de encontro oficial. Entre sessões de leitura compartilhada e debates acalorados, eles construíram um romance que misturava o melhor das narrativas clássicas com a leveza da vida moderna em Brasília. Nas páginas de suas vidas, descobriam que cada capítulo, por mais simples que fosse, era uma história que valia a pena contar.


INSPIRAÇÃO

 
      A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. Grato pela pessoa que me inspirou na escrita deste texto, minha musa, Samara, a eterna dona do meu coração e amor recíproco.  Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
 
 Carta realizada para celebrar os 51 meses de namoro! 
 
Ps: A imagem do conto foi criado por intermédio de uma IA, BING digitei ''Criar imagem realista uma mulher morena de cabelo cacheado, sentada em uma livraria aconchegante, rodeada por estantes de livros antigos e com um café ao lado. Ela está segurando um livro de Lygia Fagundes Telles e parece concentrada na leitura. Ao fundo, vemos um homem discretamente observando-a.'' e obtive esse resultado.
 

 REFERÊNCIAS 

1. O Casarão dos Livros de Taguatinga é um espaço encantador que combina o charme de uma livraria independente com a atmosfera acolhedora de um refúgio literário. Localizado em Taguatinga, na região do Distrito Federal, o casarão é conhecido por seus ambientes repletos de estantes que transbordam obras de todos os gêneros, desde os clássicos da literatura brasileira e mundial até títulos contemporâneos.

2. No coração de Taguatinga, encontra-se uma hamburgueria da Renata que une sabor excepcional e preços acessíveis. Com um ambiente acolhedor e ingredientes de alta qualidade, é um destino imperdível para os amantes de bons hambúrgueres artesanais. Sabores irresistíveis e um excelente custo-benefício fazem desta hamburgueria uma parada obrigatória.

 Ps: Ambos lugares que frequentamos com frequência!

 

 

https://www.instagram.com/renata_montalvan/  Hamburgueria da Renata

https://www.instagram.com/casaraodoslivrosofc/ SEBO CASARÃO

 

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