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SOB O VÉU DAS ESTRELAS

 


“O nosso amor é como o vento: não posso ver, mas posso sentir.” Um Amor para Recordar

 

O vento no Vale das Luzes era mais cortante naquela noite, um mensageiro gelado do perigo que espreitava. Gabriel estava parado na borda do penhasco, o cachecol castanho voando atrás dele como um estandarte. Seus cabelos pretos caíam na testa, e ele ajustou os óculos, encarando a escuridão à frente como se pudesse penetrá-la com o olhar. Ele sabia que ela estava ali. Samara. Ela sempre estava.

"Chegou mais cedo do que eu esperava," disse uma voz doce, mas carregada de tensão. Ele se virou e a viu, um contraste impressionante contra a paisagem sombria. A pele morena dela parecia absorver e refletir a luz das estrelas, e seus cachos vibravam ao ritmo do vento. Mas eram seus olhos castanhos, profundos e inabaláveis, que o mantinham ancorado.

"Não consegui esperar." Ele deu um passo à frente, hesitando por um instante. "Você está bem?" Ela riu, mas o som era frágil. "Ainda estou aqui, não estou?" ela era mais do que parecia ser. Ele sabia disso desde o dia em que ela apareceu na biblioteca da universidade, procurando um livro que não constava em nenhum catálogo. Desde então, ele a seguira como um marinheiro atrás de uma estrela, descobrindo aos poucos que ela era, de fato, uma estrela caída. Mas não caíra sozinha. Algo terrível a seguira do céu, algo que queria apagá-la e, por extensão, ele próprio.

"Está mais perto," ela disse, cruzando os braços. Seu brilho usual parecia diminuído, quase pálido. "O Devastador está aqui." Sentiu o coração apertar. O Devastador era uma sombra viva, um fragmento da escuridão entre as estrelas que consumia tudo o que tocava. Samara explicara, com uma voz tão baixa que ele mal ouvira, que a criatura a seguira na queda, e que agora ela se escondia porque ele era sua última esperança. "Você não vai enfrentá-lo sozinha," ele disse, a determinação ardendo em sua voz. "Eu vou com você."

"Gabriel..." Ela o olhou com tristeza, mas havia algo mais, algo que ele não conseguia decifrar. "Você não é como eu. Ele vai destruir você." "Não me importa!" ele explodiu, e a força de suas palavras pareceu ecoar no vale. "Você não entende? Eu não posso ficar aqui e vê-la desaparecer. Não quando sei que posso lutar ao seu lado." O silêncio entre eles era palpável, até que ela deu um pequeno sorriso, como se reconhecesse uma verdade inevitável. "Então vamos juntos."

O Devastador os aguardava na base do vale, onde as estrelas pareciam relutantes em iluminar a terra. Ele era um redemoinho de trevas pulsantes, olhos como poços infinitos que absorviam toda a luz. Quando Samara e Gabriel se aproximaram, a criatura se moveu, uma onda de escuridão viva que pareceu recuar e se expandir ao mesmo tempo.

"Eu sinto sua fraqueza," a voz do Devastador sibilou, mais um pensamento injetado diretamente em suas mentes do que um som real. "Você é uma vela tentando queimar no vazio. E você... humano... é nada." sentiu o gelo nas palavras, mas não vacilou. Ele segurou a mão dela, sentindo o calor que restava. Era tudo o que precisava. "Você está errado," disse ele, sua voz ressoando como um trovão no silêncio. "Eu sou tudo o que ela precisa."

Ela fechou os olhos, reunindo a luz que ainda pulsava dentro dela. Mas desta vez, não era apenas sua própria força. O calor da mão dele parecia alimentar algo profundo e esquecido. Ele estava lhe dando algo que o céu nunca poderia — um propósito que não dependia de brilho ou grandiosidade, mas de amor. "Juntos," ela sussurrou, apertando a mão dele. A luz explodiu ao redor deles, uma torrente de energia dourada que parecia surgir de ambos. O Devastador gritou, tentando fugir, mas a luz os envolveu, queimando cada fragmento de escuridão até que restasse apenas o silêncio.

Quando tudo terminou, Samara ainda estava ali, mas algo havia mudado. Seu brilho era mais suave, mais humano, mas seus olhos estavam vivos, brilhando com algo mais poderoso que qualquer magia, a segurava, tremendo de alívio e exaustão. "Acabou," ele disse, mais para si mesmo do que para ela. "Sim," ela respondeu, tocando o rosto dele. "Acabou." Eles ficaram ali sob o céu estrelado, a luz deles própria rivalizando com as estrelas acima. Pela primeira vez, Gabriel sentiu que o mundo estava completo — porque agora, ele tinha tudo o que sempre precisara. E, juntos, eles caminharam para o amanhecer, prontos para o que quer que o futuro trouxesse.

 

 


 

 

 

INSPIRAÇÃO

 
      A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. Criei o conto inspirado em contos de fantasia nórdicos e no amor. Grato pela pessoa que me inspirou na escrita deste texto, minha musa, Samara, a eterna dona do meu coração e amor recíproco.  Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
 
 Carta realizada para celebrar os 49 meses de namoro! 
 
Ps: A imagem do conto foi criado por intermédio de uma IA, CHAGPT digitei ''Recordo com plenitude cada momento ao seu lado. Olhando para trás, vejo como você fica extremamente fofa ao tentar segurar a emoção ou omitir as lágrimas enquanto lê mais uma carta. Criar imagem realista'' e obtive esse resultado.

 


Comentários

  1. Adoro seu dom dedicado em textos para mim. Deus abençoe mais o seu dom da escrita. Amo você.

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  2. O texto é uma bela mistura de fantasia e romance, explorando temas de amor, sacrifício e coragem. A narrativa é rica em metáforas, como a do vento e da luz, que representam a força invisível do amor e a esperança que ele proporciona.
    Os personagens, Gabriel e Samara, são bem desenvolvidos, com personalidades e dilemas que ressoam com o leitor. A relação deles é o coração da história, mostrando que o amor pode ser uma poderosa fonte de força em tempos de escuridão
    A batalha contra o Devastador simboliza a luta contra os medos e as sombras internas, e a união deles demonstra que juntos são mais fortes. O final, com a transformação de Samara e o alívio de Gabriel, sugere que o amor verdadeiro pode trazer mudanças profundas e positivas
    Em suma, é uma narrativa envolvente que nos lembra do poder transformador do amor e da importância de lutar por aqueles que amamos.

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