''A principal e mais grave punição para quem cometeu uma culpa está em sentir-se culpado. Sêneca Era uma tarde cinzenta, daquelas em que o ar parece pesado, carregado de presságios. O quarto estava escuro, exceto pela luz mortiça que atravessava as persianas mal ajustadas. No leito, meu tio Edgar, homem de feições outrora austeras, agora apenas um vulto consumido pela doença, respirava com dificuldade. Eu, sentado ao seu lado, mantinha-me em silêncio. Não era um homem afetuoso, nem mesmo agradável; sempre fora duro, distante, um poço de segredos e silêncios. Mas ele fora a figura mais próxima de um pai que conheci, e algo em sua fragilidade me compelira a estar ali. “Arthur,” sua voz soou como o ranger de uma porta velha, baixa e entrecortada. Inclinei-me para ouvi-lo. “Preciso... contar algo. Algo que guardei por muitos anos. É importante.” Meu coração acelerou. A confissão de um moribundo é sempre u...
Textos novos semanalmente!