''Nem a morte, nem a fatalidade, nem a ansiedade, podem causar o insuportável desespero que resulta de perder a própria identidade.''
Eu havia escutado rumores de corredores esquecidos sob a universidade, sussurros entre os alunos mais velhos, mas não dei importância até encontrar a nota escondida em um dos livros na seção de história. A caligrafia era tremida, apressada, e a mensagem, apenas um endereço com uma advertência: "Além deste ponto, o conhecimento não deve ser tocado."
Meus pés hesitaram diante da porta do porão. O ar ali era mais frio, quase pesado demais para respirar. Uma poeira antiga envolvia tudo, e cada passo parecia despertar ecos que não pertenciam àquele lugar. As dobradiças gemeram ao abrir, revelando a entrada para algo muito mais profundo do que os alicerces da universidade. As escadas eram estreitas, as paredes tão próximas que era como descer pelo interior de um pesadelo sufocante.
No fundo, encontrei a porta. Diferente, imensa, uma estrutura de pedra enegrecida, adornada por símbolos que não obedeciam às leis da simetria ou do espaço. Um leve tremor percorreu minha espinha quando toquei a superfície fria. A porta não abriu por esforço físico; ela cedeu ao toque, como se já esperasse. A sala além se expandia diante de mim, um labirinto de estantes que se estendiam para o infinito, como se o espaço ali se dobrasse sobre si mesmo. O silêncio era denso, quebrado apenas pelo ruído sutil de algo... se mexendo, sempre fora de vista.
Livros repousavam nas prateleiras, suas lombadas eram pulsantes como se tivessem vida própria. Um deles, à direita, pareceu vibrar quando me aproximei. Relutante, tirei-o da prateleira. A textura me enojou — algo entre carne e couro, quente, como um corpo ainda vivo. A capa, entalhada com símbolos curvos e retos que desafiavam a compreensão, chamou-me a abri-lo, e minhas mãos obedeceram antes que minha mente pudesse se rebelar.
Quando virei a primeira página, o mundo ao meu redor se distorceu. Linhas de texto ondulavam, se contorcendo como vermes, formando visões diante dos meus olhos. Uma paisagem inominável surgiu em minha mente: desertos de cinzas sob céus eternamente escuros, onde figuras colossais rastejavam, seres cujo tamanho e forma não poderiam ser captados pela razão humana. Os seus corpos eram fragmentos de escuridão sólida, entrecortados por olhos e bocas, que brotavam, se dissolviam, e se reformavam. Eles não caminhavam. Eles fluíam como líquido através de rachaduras no tecido da existência, arrastando consigo realidades inteiras.
Uma delas... me notou.
A sensação não era física. Era como se algo tivesse mergulhado na minha mente, sondando cada pensamento, cada memória. Algo mais vasto, mais velho e mais implacável do que qualquer deus ou demônio. A criatura não possuía forma estável; era uma massa de tentáculos e olhos, torcendo-se em ângulos impossíveis, um corpo que fluía como mercúrio, ignorando as fronteiras do tempo e do espaço. Eu senti seu olhar – uma pressão esmagadora em minha consciência, arrancando camadas de lógica, de sanidade, como um bisturi meticuloso.
Eu tentei me afastar, mas o chão parecia inclinar-se, os corredores se estendiam e se dobravam em direções impossíveis. A biblioteca era viva, um organismo vasto e faminto, e eu estava preso em suas entranhas. Minhas pernas se moviam, mas cada passo me afundava mais profundamente. As estantes ao redor se multiplicavam, os livros emitiam um zumbido baixo, uma melodia estranha e sem padrão, como um sussurro coletivo de vozes distantes. Quando olhei novamente, as palavras nas páginas estavam agora em meu corpo. Elas fluíam em minha pele, queimando lentamente em minha carne, infiltrando-se em meus ossos.
E então eu os vi de novo – não através do livro, mas diante de mim. Seres que não deveriam existir se insinuavam pelas frestas das prateleiras, suas formas ondulando como fumaça, moldando-se em geometrias que me faziam querer arrancar os olhos. Em uma fração de segundo, eles estavam ali, ao meu redor. O ar se condensava com sua presença. Senti meu corpo sendo sugado, minha própria mente dissolvendo-se, despedaçada como uma folha ao vento.
Seus olhos – ou o que eu percebia como olhos – me fixaram. Não havia intenção hostil, apenas a curiosidade indiferente de uma força cósmica diante de uma centelha insignificante. Minha compreensão do mundo, das leis que regem o espaço e o tempo, era ridiculamente inadequada. Eles não eram monstros. Eles eram o próprio abismo, as raízes da realidade se contorcendo e se reformando, e eu – uma mente frágil e patética – fora arrancado do tecido da existência por ousar olhá-los.
Senti minha sanidade escorrendo como água entre meus dedos. O tempo se fragmentava ao meu redor. Minha pele não era mais minha. Meu corpo não era mais sólido. Tudo o que restava era o vazio, um vácuo insaciável que consumia tudo o que eu pensava ser.
Meus pés hesitaram diante da porta do porão. O ar ali era mais frio, quase pesado demais para respirar. Uma poeira antiga envolvia tudo, e cada passo parecia despertar ecos que não pertenciam àquele lugar. As dobradiças gemeram ao abrir, revelando a entrada para algo muito mais profundo do que os alicerces da universidade. As escadas eram estreitas, as paredes tão próximas que era como descer pelo interior de um pesadelo sufocante.
No fundo, encontrei a porta. Diferente, imensa, uma estrutura de pedra enegrecida, adornada por símbolos que não obedeciam às leis da simetria ou do espaço. Um leve tremor percorreu minha espinha quando toquei a superfície fria. A porta não abriu por esforço físico; ela cedeu ao toque, como se já esperasse. A sala além se expandia diante de mim, um labirinto de estantes que se estendiam para o infinito, como se o espaço ali se dobrasse sobre si mesmo. O silêncio era denso, quebrado apenas pelo ruído sutil de algo... se mexendo, sempre fora de vista.
Livros repousavam nas prateleiras, suas lombadas eram pulsantes como se tivessem vida própria. Um deles, à direita, pareceu vibrar quando me aproximei. Relutante, tirei-o da prateleira. A textura me enojou — algo entre carne e couro, quente, como um corpo ainda vivo. A capa, entalhada com símbolos curvos e retos que desafiavam a compreensão, chamou-me a abri-lo, e minhas mãos obedeceram antes que minha mente pudesse se rebelar.
Quando virei a primeira página, o mundo ao meu redor se distorceu. Linhas de texto ondulavam, se contorcendo como vermes, formando visões diante dos meus olhos. Uma paisagem inominável surgiu em minha mente: desertos de cinzas sob céus eternamente escuros, onde figuras colossais rastejavam, seres cujo tamanho e forma não poderiam ser captados pela razão humana. Os seus corpos eram fragmentos de escuridão sólida, entrecortados por olhos e bocas, que brotavam, se dissolviam, e se reformavam. Eles não caminhavam. Eles fluíam como líquido através de rachaduras no tecido da existência, arrastando consigo realidades inteiras.
Uma delas... me notou.
A sensação não era física. Era como se algo tivesse mergulhado na minha mente, sondando cada pensamento, cada memória. Algo mais vasto, mais velho e mais implacável do que qualquer deus ou demônio. A criatura não possuía forma estável; era uma massa de tentáculos e olhos, torcendo-se em ângulos impossíveis, um corpo que fluía como mercúrio, ignorando as fronteiras do tempo e do espaço. Eu senti seu olhar – uma pressão esmagadora em minha consciência, arrancando camadas de lógica, de sanidade, como um bisturi meticuloso.
Eu tentei me afastar, mas o chão parecia inclinar-se, os corredores se estendiam e se dobravam em direções impossíveis. A biblioteca era viva, um organismo vasto e faminto, e eu estava preso em suas entranhas. Minhas pernas se moviam, mas cada passo me afundava mais profundamente. As estantes ao redor se multiplicavam, os livros emitiam um zumbido baixo, uma melodia estranha e sem padrão, como um sussurro coletivo de vozes distantes. Quando olhei novamente, as palavras nas páginas estavam agora em meu corpo. Elas fluíam em minha pele, queimando lentamente em minha carne, infiltrando-se em meus ossos.
E então eu os vi de novo – não através do livro, mas diante de mim. Seres que não deveriam existir se insinuavam pelas frestas das prateleiras, suas formas ondulando como fumaça, moldando-se em geometrias que me faziam querer arrancar os olhos. Em uma fração de segundo, eles estavam ali, ao meu redor. O ar se condensava com sua presença. Senti meu corpo sendo sugado, minha própria mente dissolvendo-se, despedaçada como uma folha ao vento.
Seus olhos – ou o que eu percebia como olhos – me fixaram. Não havia intenção hostil, apenas a curiosidade indiferente de uma força cósmica diante de uma centelha insignificante. Minha compreensão do mundo, das leis que regem o espaço e o tempo, era ridiculamente inadequada. Eles não eram monstros. Eles eram o próprio abismo, as raízes da realidade se contorcendo e se reformando, e eu – uma mente frágil e patética – fora arrancado do tecido da existência por ousar olhá-los.
Senti minha sanidade escorrendo como água entre meus dedos. O tempo se fragmentava ao meu redor. Minha pele não era mais minha. Meu corpo não era mais sólido. Tudo o que restava era o vazio, um vácuo insaciável que consumia tudo o que eu pensava ser.
INSPIRAÇÃO
A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. É uma ideia nova, Quando um estudante universitário curioso descobre uma biblioteca secreta escondida nas profundezas de sua universidade, ele não imagina os horrores que está prestes a desvendar. Esta biblioteca, diferente de qualquer outra, contém livros escritos por entidades de outras dimensões, cada um repleto de conhecimentos proibidos e segredos cósmicos. Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
REFERÊNCIAS
2. "A Beira da Loucura" (título original: In the Mouth of Madness) é um filme de terror psicológico dirigido por John Carpenter, lançado em 1994. A história segue o investigador de seguros John Trent, que é encarregado de encontrar um autor desaparecido chamado Sutter Cane, cujos livros de terror têm um impacto sinistro sobre os leitores. À medida que Trent se aprofunda na investigação, ele descobre que a linha entre a realidade e a ficção começa a se desvanecer. A narrativa explora a influência da literatura de horror na mente humana e a possibilidade de que a ficção possa se manifestar no mundo real.

Ótimo conto, amor. Ansiosa pelos próximos.
ResponderExcluirAdorei 👏
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