Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de outubro, 2024

LUTA CORPORATIVA microcontos

''Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas.''  Friedrich Nietzsche      “Eu e o amigo que indiquei na empresa assistimos, calados, o caminhoneiro saindo no soco com o segurança. 'Isso sim é UFC raiz,' pensei. Claro que fomos demitidos no dia seguinte, mas, sério, valeu cada minuto.”      Após o anúncio da morte do avô, o tio sumido há 13 anos apareceu. Primeiro para "dar apoio". Logo depois, descobrimos: ele também veio pelo terreno, de olho naquela parte da herança que nem avô sabia que tinha.    Pedi o clássico podrão da cidade. Ao chegar o hambúrguer, encarei a maionese azul e verde. *“Nem o Monet usava esses tons,”* pensei. Comi mesmo assim. Se Monet via coisas, quem sabe eu também?    O amigo chorava e soluçava. Me vi na obrigação de consolar: “Calma lá, meu parceiro, você não é completamente inútil… serve, pelo menos, como mal exemplo.” Ele parou de chorar. Para me bater.    Minha avó aprendeu a mexer n...

BIBLIOTECA DOS DEUSES

''Nem a morte, nem a fatalidade, nem a ansiedade, podem causar o insuportável desespero que resulta de perder a própria identidade.'' H.P. Lovecraft      Eu havia escutado rumores de corredores esquecidos sob a universidade, sussurros entre os alunos mais velhos, mas não dei importância até encontrar a nota escondida em um dos livros na seção de história. A caligrafia era tremida, apressada, e a mensagem, apenas um endereço com uma advertência: "Além deste ponto, o conhecimento não deve ser tocado."      Meus pés hesitaram diante da porta do porão. O ar ali era mais frio, quase pesado demais para respirar. Uma poeira antiga envolvia tudo, e cada passo parecia despertar ecos que não pertenciam àquele lugar. As dobradiças gemeram ao abrir, revelando a entrada para algo muito mais profundo do que os alicerces da universidade. As escadas eram estreitas, as paredes tão próximas que era como descer pelo interior de um pesadelo sufocante.      ...

REDENÇÃO DIGITAL

“A cultura do cancelamento está enraizada numa característica do ser humano. O ser humano gosta de jogar pedra nos outros. Ele gosta porque, nesse momento, é quase como se ele sentisse que é puro”. Luiz Felipe Pondé      Na era da Rede Viva, não havia julgamentos, não havia tribunais. Apenas o algoritmo. Ele determinava quem era culpado, quem estava livre de culpa. Um mundo onde tudo o que você era, ou podia ser, estava gravado em um código digital. E, para Lucas, aquele código havia sido distorcido.      Tudo aconteceu de repente. Numa terça-feira cinzenta, enquanto ele descia a rua com a cabeça baixa, vidrado em seu implante ocular, veio o ping. Um alerta rápido, seco, nada mais que uma notificação perdida entre tantas outras. Mas, ao abrir a mensagem, o coração de Lucas vacilou. Não era apenas uma notificação qualquer. Era sua redesignação.      Seu nome piscava na tela: Lucas Bernardes. Sob o nome, o veredicto: Criminoso digital. Abaixo...

A MÁQUINA DO TEMPO REVERSA

 ''O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções.'' Karl Marx      Meu nome é Ricardo. Eu já nem sei há quanto tempo estou aqui, mas tempo... ah, o tempo, já não significa mais o que costumava. Me pergunto, às vezes, se algum dia eu soube realmente o que ele era. Talvez o tenha perdido no momento em que entrei pela porta daquela fábrica, assim como perdi tantas outras coisas. Quando cheguei, prometeram-me que tudo seria rápido, simples. “A Máquina do Tempo Reversa vai revolucionar a vida de todos nós,” disseram, e como tantos outros, fui tolo o bastante para acreditar.      Trabalho na Corporação Chronos, a maior fornecedora de "produtividade instantânea". O conceito parecia tão inofensivo à primeira vista. Você entrava na cabine, passava seus oito, dez, doze horas de trabalho e, ao sair, mal tinham se passado dez minutos no mundo real. "Você poderá ter todo o tempo do mundo para o que realmente importa", eles diziam. O discurso era tentado...

A CANÇÃO DE YGGDRASIL

  ‘’A suprema felicidade da vida é ter a convicção de que somos amados.’’ Victor Hugo   Era uma manhã fria quando Gabriel, um arqueólogo dedicado, encontrou uma runa antiga em meio às ruínas de uma vila nórdica esquecida. A pedra estava marcada com símbolos estranhos, mas familiares para ele, que estudava a mitologia nórdica há anos. Ao tocá-la, sentiu um tremor pelo corpo, e antes que pudesse reagir, o mundo ao seu redor desapareceu. Quando abriu os olhos, não estava mais no mundo que conhecia. As árvores ao seu redor eram gigantescas, e o ar parecia mais denso, cheio de uma energia antiga. Ele sabia onde estava. A lenda de Yggdrasil, a árvore que conectava todos os reinos, estava diante de seus olhos. Confuso, ajeitou seus óculos e tentou entender o que havia acontecido, mas não estava sozinho. De trás de uma árvore, surgiu uma figura feminina. Ela tinha pele morena, cabelos cacheados que caíam até os ombros, e olhos castanhos que brilhavam com mistério. "Você tocou ...