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ALTO CUSTO

  ''A avareza é um nó corredio que aperta cada dia mais o coração e acaba por sufocar a razão.'' Honoré de Balzac

    Na cidade majestosa e impessoal de Brasília, um ser singular caminhava pelas sombras das árvores solitárias, esquivando-se do derretimento dos seus escassos tostões. Usava água que não bebia no trabalho para regar suas plantas de plástico e via nos banheiros públicos a extensão do seu banheiro pessoal.
    Aniversários eram como um baluarte da economia para ele. Ao final de cada festa, seu olhar cobiçoso recai sobre as sobras, que logo se tornaram seu lanche frugal da semana. Ficava alheio às risadas e aos brindes, pois seus pensamentos se perdiam na perspectiva de economizar umas moedas.
    Quando as nuvens se acumulavam nos céus da capital, o avarento celebrava. Com a habilidade de um engenheiro de recursos limitados, ele aproveitava os dias de chuva para tomar banho e armazenar água em bacias, planejando meticulosamente cada gota como um tesouro. A água que escorria sobre seu corpo esquálido o satisfazia e enchia as bacias com o precioso líquido.
    Em sua vida, a obsessão pela economia se manifesta em formas peculiares. Ele coletava restos de sabonetes em hotéis, misturava os últimos grãos de café de diversos pacotes, e suas roupas eram como velhas relíquias, remendadas vezes sem conta. Reutilizar o papel higiênico até o ponto da transparência, e a eletricidade em sua casa era um luxo ao qual raramente se permitia.
    Era uma figura de escárnio na sociedade, um reflexo sombrio da avareza humana. Mas havia uma razão para sua miséria metódica. Nas profundezas de sua mente, um segredo surpreendente se escondia.     Um artista consumado, um pintor de renome. Cada economia, cada ato peculiar, financiava sua paixão secreta, a pintura. Nas lonas e telas, ele derramava a beleza que nunca permitiu em sua vida, e assim, a cidade cinza ganhava cor através da ironia de seu personagem. Um mestre da economia, um virtuoso da arte, é um mistério desvendado no fim de seu caminho tortuoso. 

 


 

INSPIRAÇÃO

 
      A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. É uma ideia nova, basicamente foquei em criar um texto curto, irônico sobre a vida de uma pessoa extremamente muquirana vivendo em uma grande cidade, e como constatou um final cômico.  Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
 

Ps: A imagem do conto foi criado por intermédio de uma  IA, BING AI, digitei "uma pessoa avarenta vivendo em Brasília "  e obtive esse resultado.   

 

 REFERÊNCIAS 

 

1.  No programa ''muquiranas'' do TLC, pessoas que adotam uma abordagem extrema em relação à economia são retratadas como visionárias comprometidas com a redução do desperdício desnecessário da sociedade urbana contemporânea. Elas buscam formas peculiares de aproveitar recursos, como procurar comida e móveis no lixo, compartilhar pratos em restaurantes e lavar roupas na água do banho. Enquanto alguns podem rotulá-los de sovinas, o programa destaca seu compromisso com um estilo de vida sustentável e os desafios que enfrentam ao desafiar as normas do consumo moderno.

 

Comentários

  1. Adorei o texto, principalmente a revelação final. A descrição do personagem também foi bem despertadora de curiosidade.

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  2. Faz texto de "amor" sobre Al..... de Moraes, rei dos avarentos de Brasília. Se falar sobre a corrupção deles, ficará ainda mais autêntico.

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  3. Diferente a proposta que você trouxe, gostei bastante do texto.

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  4. Enredo diferente, Gabriel. Gostei bastante da proposta. Me identifiquei pelo personagem, gosto de economizar tudo, em alguns momentos me rendo as luxúrias da vida.

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