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ODOR

 

    Uma mulher despertou, chamada  era dez horas e vinte minutos, o felino a observava quando ele abriu a boca para dar bom dia, o gato fugiu o mais distante possível,  e ficou alguns segundos coçando o nariz. Ela pensou que seu odor não poderia ser tão ruim, quando cheirou a palma da mão, algo parecia estranho, naquela manhã escovou os dentes 7 vezes seguidas,  se arrumou, anotou na agenda "ir no hospital" e se arrumou para o trabalho.

    No deslocamento ao trabalho, não apenas uma pessoa, mas um número expressivo queixaram sobre um odor insuportável, necessário ressaltar ser próximo da personagem. Um dos passageiros indagou o motorista: " Difícil, esse odor é a consequência de levar os mendigos da rua 42 durante a noite". Outra pessoa complementou: " Creio que esse cheiro seja oriunda de alguma criatura que morreu", muitos caíram na gargalhada. Bruna cheirou de maneira sutil suas roupas,  mas não sentiu nada de anormal, ao final do dia tanto o motorista quanto o cobrador não encontraram nenhum animal morto que pudesse explicar.

    Em uma rua próximo do seu trabalho,  percorria uma quadra considerada dos mendigos,  enquanto passava ao invés de receber comentários, piadas ou assobios que deixariam uma feminista furiosa, apenas recebeu uma reação em conjunta similar ao gato, focaram em tampar o nariz, outros pela resistência não ser das melhores vomitaram; um deles jogou metade de um sabonete em sua cabeça, e simultâneamente disse: "Nem no pior lixão da cidade senti algo como isso, e olha que sou descente de indianos".

    Com o passar do tempo, o odor piorou tanto que passou a ser impossível sair de casa, mesmo consultando muitos médicos, buscar mais de 5 dos melhores especialistas pelo país, contudo,  sem êxito. Suas esperanças começaram a divergir com a descoberta de novos sintomas, em uma noite antes de dormir notou que sua aparência estava horrível, como se alguém a colocasse dentro de um microondas , os olhos perderam o brilho, a pele estava tão áspera e irritada que serviria para lixar madeira,  mesmo nunca fumando seus dentes começaram a ficar gradativamente amarelado. Enquanto comia biscoito sentiu algo andando dentro da sua boca, ao cuspir viu um ser quase minúsculo, era larva, uma sensação muito ruim a incomodava , indo ao banheiro pegou uma lanterna e descobriu a bochecha esquerda tomada pelos vermes malditos,  após uma semana intensa de cirurgia estava livre dos parasitas.

    Quando teve alta do hospital decidiu ser bom voltar andando,  *não poderia viver como um hamster, devo pegar vítima D * assim pensou. Inclusive optou por um caminho alternativo para casa, faltando 3 quarteirões para chegar no lar, uma senhora, com cabelos bagunçados, roupas extravagantes de cores vivas, cheirando cigarro, a segurou pelo braço apertando tão forte quanto largou ficou marca, "Me deixe em paz sua velha doida", retornou para seu destino, mas um  fato na fala dela a fez retornar " Minha querida, aquilo que a Medicina não explica, a resposta está no espiritual".

    Bruna foi convencida a ingressar na pequena que a mulher sábia fazia o seu ganha pão, notou um cartaz indicando os trabalhos e bem abaixo ressaltando "NÃO REALIZAMOS MAGIA NEGRA!". A senhora pegou um baralho da gaveta, dois dados, e um pó,  olhava diretamente dentro dos seus olhos, notei que você minha filha,  detêm dentro de si um dos piores demônios que uma pessoa desejaria, neste momento com a mão direita fechou sobre o pó branco, e soprou diante da face da sua nova cliente.

    Nesse momento foi como se fosse transportada para outro ambiente, em total penumbra, muita dificuldade para se locomover, começou escutar a voz da cigana: " criança, sua tarefa é simples encontrar o seu demônio e descobrir seu nome, sua aparência não será tão convidativa,  todavia, quem o enviou fica registrado como seu nome, sabendo tal informação eu te trago de volta, enquanto escutar o som do sino estará segura para retornar, não esqueça deste detalhe.

    A jovem começou sua jornada em um mundo irreal na sua cabeça, mas que realmente existia, observando com melhores detalhes constatou ser uma asilo psiquiátrico, dessa maneira enxugava e muito suas buscas, deveria encontrar a cela correta que o maldito o infernizava, percorreu o primeiro andar, ali provavelmente morreu muitas pessoas não pelo odor que exalava, mas pelo sangue já seco preso na parede e os móveis, e milhares de saco preto de lixo, quando se aproximou o máximo que pode para tentar descobrir o que existia ali, todos se moveram em conjunto fazendo surgir um líquido escuro, e pegajoso, ao se unir começou a formar um ser que escapou das profundezas do inferno, não era alto, magro, na faixa de um metro e cinquenta, olhos esbulhados, bastante ágil como constatou, conseguia se pendurar na parede e se deslocar como uma aranha invertida usando todos os membros do corpo, no lugar da cabeça apresentava duas ramificações com três linhas de dentes que devoram tudo o que encontra pela frente em questão de segundos, descobri da pior ter um olfato apurado, começou a perder o interesse pelo resquício de carne que mastigava, começou a buscar a direção perfeita do que sentia, até que começou a se deslocar próximo de mim, não tive escolha menor se não a fuga, nesse momento o ser começou a emitir um ruído horrível, enquanto corria visando o segundo andar, no lugar das gárgulas, criaturas de quase três metros começaram a bater vôo, apresentava pelos, cortes ao longo das asas, inicialmente julguei ser por  conta de contato com outros humanos, mas servem para favorecer sua aerodinâmica, o ser que me perseguia emitiu um outro barulho, o maldito que voava tentou me capturar.

    Fiquei presa em um lugar sem saída, o tinhoso se aproximou ficando a cinco passos da minha pessoa, meu sangue congelou, sentia um misto de emoções, uma sensação estranha pelo meu corpo, espinha e uma dor de cabeça muito forte, creio que a pior que já senti em toda minha vida, até me ajoelhei por conta do alto sofrimento. Não iria morrer ali, nutri forças de outros mundo ou de quem me guarda, abracei o monstro em um pulo caia para minha morte, até que um dos seres voavam nos pegou e fomos em direção ao piso, fechei os olhos instintivamente tremendo a morte certa, o chão se abriu e muitos braços começaram a tentar me puxar para lá, com toda força do mundo começou a chutar e não virar mais um infiel lá, ouvia o barulho baixo do sino, falei bem próximo do ouvido dele qual era o seu nome? Retornei para onde jamais parti, a cadeira na tenda da cigana.

Quando voltei, tentei a chamar repetidas vezes, mas sem sucesso, ao entrar no lugar que ela usava como quarto a encontrei deitada no chão, já sem pulso, uma poça se formava, observei embaixo dela havia um enigma a ser desvendado, após horas lendo seus diários encontrei a solução ao meu problema, para me livrar do demônio que me matava a cada dia deveria realizar um ritual com quem tentou ceifar minha vida primeiro. Foi fácil convencer ela, chegando na minha casa, bati com toda força atrás da sua cabeça com um abajur.

    O processo foi lento, me senti quando brincava com minhas bonecas fingindo como médica de ‘’cirurgia’’, o santuário estava montado, e edificado, os membros formavam uma edificação de culto, na base os membros inferiores sustentavam, acima os braços apoiavam a cabeça como um pedestal, o globo ocular foi retirado, amassado e batido até se transformar, após usar o livro de porta da cigana, descrevia de maneira simples como uma receita de bolo como quebrar o efeito da maldição odor:


1. Descubra o verdadeiro nome do seu demônio

2. Mate e transforme quem te amaldiçoou em uma peça de lego

3. Construa um altar, seguindo o tutorial indicado na página 23

4. O globo precisa estar em perfeito estado para ser transformado em líquido

5. Após derramar o líquido, precisa cortar o cabelo e bater até se tornar apenas pó

6. Realizando a tarefa anterior com sucesso, basta jogar em cima de todo o corpo

7. Não esquecer de incendiar o corpo antes de entrar no portal que ele abre

8. Realizando corretamente você retornará para o primeiro dia do início do sintomas, mas sem nenhuma anormalidade em sua saúde.


9. Cons tat xxxxxxx 08-12-2023.  


    Não entendi bem o que seria a última etapa, mas acredito estar tudo em perfeito estado, entrei no portão, deveria ter indagado para a senhora se é normal sentir uma dor muito forte ao longo do processo. Não retornei para minha residência, continuava na tenda, qual seria o problema? Agora lembrei, Amanda era loira e não morena, no mesmo instante da descoberta um policial a paisana entrou na tenda por relatos da vizinhança de fumaça e barulhos estranhos durante a madrugada, o agente da lei, sentiu como se estivesse em Milwaukee, odor horrível, viu uma mulher segurando uma faca manchada de sangue, assim, mandou ela soltar no chão e manter as mãos acima da cabeça, ressaltando para não realizar nenhum movimento brusco.


JORNAL DA NOITE - ASSASSINA DIABÓLICA DETIDA


    Na madrugada de ontem, uma mulher foi detida suspeita de ter cometido dois homicídios com alto grau de crueldade, por razões que jamais serão compreendidas pela mente humana. Há quem aponte que fora tentativa de trazer de volta à vida não aquele homem sem nariz, mais uma entidade mais sombria nesse mundo. Acusada permaneceu em silêncio durante todo o interrogatório, pela gravidade do crime nenhum advogado quis aceitar o caso, por conta de tal procedimento, foi defendida por um defensor público.


    Ela se encontra isolada em sua cela no hospital psiquiátrico afastado de todo o contato humano, especialmente para evitar qualquer possibilidade de cometer mais uma vez um crime dessa natureza. Médicos que acompanham o quadro dela comentaram que nunca na vida viram uma pessoa apresentar uma síndrome tão grave que a mente entenda não ser autora dos próprios atos, fazem atividades, e relatórios semanais e mensais informando a evolução, sempre batem na mesma tecla, para impedir sua saída, agora senhora, jamais apresentou nenhum sinal de empatia pelos seres humanos que ceifou, a única queixa que apresentou enquanto o médico indicado para ela, foram seus olhos terem mudado  para cor preta, mas isso uma outra médica, Emmy disse ser fruto de condições geográficas e decorrente uma problema raro e hereditário que não afeta nada do aspecto físico, apenas no âmbito visual.

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