"A felicidade nasce da infelicidade; a infelicidade está escondida no seio da felicidade." Lao-Tsé
Não lembro uma única vez que derramei uma lágrima ao longo da minha existência, não sou nenhum personagem de Camus¹; mesmo assim, fechando os olhos e forçando que minha mente se recorde de apenas uma vez que chorei, é impossível, pois jamais aconteceu, não apenas comigo, mas com nenhuma outra pessoa em nosso mundo. Um grande cientista trouxe algo que iria revolucionar por completo as mazelas mentais de uma sociedade enferma no âmbito psicológico, dessa maneira ele afirmava de maneira eloquente nos debates que realizava ao redor do globo, nosso país se tornou sua fase de testes.
O grande médico, descobriu uma fórmula que não apenas eliminava cor completo, fazendo nosso corpo se emocionar, especialmente com o outro, e o mais relevante de tudo, de uma maneira indolor e com que a pessoa não perdesse nenhum controle sob seu próprio corpo, por tal feito foi laureado com o Nobel de Medicina, por assegurar o fim da depressão. A cada esquina era possível deslumbrar um sorriso doce de cada cidadão, inclusive em locais que nunca houve, no corredor da morte e prisões, todos pareciam contagiados por uma artimanha do palhaço;
Farmácias lucraram milhões com esse novo medicamento, pois reduziu para muito o valor de consultas caras e longas com psicólogos, médicos e outros agentes da saúde, tudo o que seria necessário era colocar se apegar a uma determinada memória considerada extremamente melancólica, ingerir a pequena pílula verde circular com uma carinha que enfatizava felicidade, dentro de dez minutos o soluço cessava; a respiração se tornava mais lenta até se normalizar e as lágrimas secavam por completo. Nesse mundo o capitalismo se aprofundou ainda mais, pois a partir desta invenção, jamais foi concedida novamente licença por luto ou similares, a morte foi vista como um momento de alegria e encontro.
Se tornou muito comum observar em cada esquina um cartão, exibindo a imagem de cada faixa etária, principalmente jovens que anteriormente não tinham costume de demonstrar felicidade, dessa maneira reduziu números impressionantes de jovens que cometem suicídio, ou seja, tudo o que faltava não era apoio e sim uma maneira eficaz que realmente trouxesse efeito na pessoa para sua vida ser mais benéfica do que tirar sua vida, engraçado citar que essa consequência deu lugar a um salto no número de turistas, todos queriam conhecer a cidade mais feliz para se viver. Era comum crianças de seis anos sorrindo após o seu bicho de estimação morrer em seus braços, por exemplo, escutei vindo de uma criança que sua avó faria companhia para o cenoura (seu rato de estimação). Me sinto inserido quando surgiu o purgatório.²
INSPIRAÇÃO
A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo.
A ideia para esse texto é antiga, mas ganhou força após
visualizar a foto da Martina Correia e grato por permitir o seu uso no
blog, além disso, pensei em
criar um texto onde a personagem é uma criança pequena, foi para o
paraíso de passagem após ter sofrido um acidente, lá conhece o
verdadeiro Pai, que trabalha com analogias em sua fala como é feito em
um clássico livro que está nas referências, além disso, não poderia
faltar referência literária que é assinatura do escritor. Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
REFERÊNCIAS:
1. Analogia com o livro, o estrangeiro do escritor Albert Camuus, o narrador e personagem principal é Mersault, um homem de poucas palavras e cuja objetividade se confunde com seu comportamento frio.
2 Citação histórica de como a morte durante a peste-negra ganhou um novo significado, marcado pela criação do tema citado pela igreja católica;
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Que texto!
ResponderExcluirMuito criativo ao buscar uma solução para um dilema filosófico da angústia que por vezes pode ter uma raiz biológica também.
Ansiosa para os próximos textos.
Uau !
ResponderExcluirTexto interessantíssimo ,adorei a premissa .
Apesar de um mundo onde não exista o sentimento de tristeza ,somente felicidade me assustar muito .