"Coragem é a resistência ao medo, domínio do medo, e não a ausência do medo." Mark Twain
Voltando da escola vi um prédio muito antigo, sua tinta já desparecia por conta da idade, parece ser mais velho que minha vó, mesmo relutante no início entrou naquele lugar que o convidou de maneira indireta para entrar ali, algo no seu interior conduzia seus passos, era como se uma força maior tomasse controle do seu próprio corpo, lembrou ter contado 7 andares, nada viu que despertasse sua atenção no primeiro, só estava muito sujo de poeira e outros objetos; nesse momento ficou em silêncio pensando e chegou a conclusão que a pessoa que viveu ali antes jamais teve uma mãe como a dele.
Partiu para o segundo andar, lá constatou ser um ambiente mais agradável, estava bem menos sujo, contudo, no banheiro existia um líquido vermelho tanto na parede quanto no chão, refletiu que alguém desperdiçou um suco de morango que traria fim na sua sede. Quase imperceptível, mas sentiu não apenas ter escutado a voz de alguém como passos no próximo andar, quando estava chegando na escada, olhou para cima rapidamente, viu a penumbra de uma figura que portava uma fantasia extravagante se escondendo.
Mesmo com medo, deveria descobrir o que acabara de ver, não era apenas sua imaginação como sua cabeça tentava dizer para si mesmo de mil maneiras diferentes. Já no terceiro andar, observou que nem estava sujo, a não ser pelas pegadas de uma pessoa, era um estrangeiro, pois o caminho estava manchado de vermelho, e pelo que saiba e estudara, seria muito difícil ter se sujado daquela forma lá, sendo que não há nenhuma areia daquela mesma coloração, vermelho forte. Me escondi embaixo de uma cama, vi no correr passar uma pessoa morcego, estranho é não ver nenhum sinal de fantasia e apresentou o meu tamanho, aquilo fez eu querer correr o mais rápido possível, levei longos anos até ter coragem de ver o filme do batman, agora em situação de sobrevivência é muito mais complexo.
No penúltimo, vi apenas portas fechadas, quando me aproximei encontrei crianças da minha idade, todas estavam imóveis, sem nenhuma alegria no rosto, tentei estabelecer contato sem sucesso com elas, no meio do corredor, existi uma placa exuberante, trazendo apenas uma informação: ''órfãos'', agora compreendi por qual motivo não consegui nenhum sucesso com eles, perderam seu maior norte os pais.
Quando estava chegando no último andar, senti um grande balanço tomar conta do meu corpo, olhei para o chão e estava se fragmentando, abriu um limbo totalmente inexplorado de qualquer sinal de luz, dentro era possível ouvir sons de animais berrando, barulho humano de milhares de pessoas chorando e gritando por ajuda, não era apenas eu quem precisava de ajuda, quando estava muito perto de atingir o chão me levantei da cama assustado e suado por completo, minha mãe abriu a porta, disse que deu um grito bem alto, ela disse que isso tudo não passava de um pesadelo, me colocou de volta na cama, e me dei um beijo na testa, quando olhei em cima do seu ombro, vi aquela figura demoníaca do sonho, dentro da minha casa, estava circundando papai ele já começou a tossir, e falei baixinho para minha mamãe tomar cuidado com o batman, ela apenas riu. Quando fechou a porta escutei barulho bem alto, e um som constante de batidas na porta, de repente abriu sozinha, até que uma escuridão tomou conta daquele recinto, e por fim, no canto direito no teto, observei apenas os olhos de um ser se abrindo e demonstrando um sorriso maléfico para mim.
INSPIRAÇÃO

Excelente texto!
ResponderExcluirParabéns 👏
Excelente!
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