"Há muita gente para quem o receio dos males futuros é mais tormentoso que o sofrimento dos males presentes.'' - Marquês de Maricá
Observava cada cliente procurando o que desejava, eu trabalho há cinco anos em uma loja de construção, a maior da cidade. Todo dia vejo inúmeras pessoas, desde quem compra material para construir uma residência do piso até o telhado e outros que buscam apenas material para um pequeno reparo.
Na sexta-feira, 13, notei um senhor que apresenta ter na faixa dos cinquenta anos, muitas rugas no rosto, uma barba branca, cabelo grisalho, um boné vermelho com um símbolo de uma águia, andava lentamente, julguei apresentar problemas na coluna, fiquei surpreso com o que comprou. Examinei quatro metros de corda vermelha, martelo, uma caixa de pretos, um machado e uma pá. Pagou à vista no dinheiro, indicou suas costas e pediu gentilmente se fosse possível auxiliá-lo para colocar no porta-malas respondi positivamente e o acompanhei. Seu carro é uma van preta, com sinais de arranhões e batidas recentes na traseira, o furgão é muito grande, por dentro também olhei rapidamente, três tapetes e um saco preto de lixo. Apenas me agradeceu e me entregou 20 dólares, ligou o carro e partiu.
Cinco dias posteriores, enquanto limpava uma área da loja por conta de uma funcionário faltar ao serviço, o que passava na televisão cativou minha atenção, o jornal local, informava que uma mulher foi morta, com sinais de marteladas nos braços e crânio, iminente de ter causado um traumatismo craniano; indícios que teve um braço cortado por machado também foram observados, tanto os membros superiores ,quanto inferiores estavam amarrados com uma corda vermelha.Quando olhei me aproximei mais da televisão, notei ser idêntica a qual vendi para o senhor, seria ele o assassino? A jornalista, relatou que fora encontrada em um local inóspito, na floresta, e pelo jeito foi enterrada às pressas. Além disso, encontraram junto do corpo, um papel que dizia: "Aplicava golpes contra idosos, agora não aplico mais. O JUSTICEIRO ESTÁ DE VOLTA.''
Na quarta-feira, durante a manhã, o senhor novamente veio comprar, comecei a respirar mais rapidamente, tentava evitar que notasse o meu receio dele saber que descobri o seu segredo sombrio, contudo, não tenho nenhuma prova que embase sua prisão e alegar que um cliente é um criminoso desse nível poderia acarretar a minha demissão sem justa causa. Hoje, colocou as mãos sob o balcão ,enquanto esperava entregar o troco, reparei hematomas vermelhos entre os dedos, circular, sinais de corte recente. O sino tocou, indicando a entrada de um novo cliente, olhei que adentrou o estabelecimento um policial. Entreguei o troco, apenas sorriu e me deixou mais uma nota de 20 dólares, indaguei se desejava ajuda hoje, falou que não, pois hoje dormiu muito bem e foi embora.
INSPIRAÇÃO
The Hammer and the Hatchet
A stranger walks into the general store and buys a hammer, a hatchet, some rope, and an apple. What does he do with them?
Ps: Indiretamente me espelhei na descrição do escritor chileno Roberto Bolaño na sua obra primordial, 2666, na parte três que narra e descreve uma série de crimes.

Adorei ! Texto pequeno ,mas carregado de sensações e altamente instigante .
ResponderExcluir50 ano não é tão velho e muitos nem tem cabelo branco
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