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GATILHO

 "Fiz o que me mandaram fazer, da melhor forma possível". - Simo Häyhä

 

Estava deitado, com uma mão na ponta gatilho da arma, se aproximando cada vez mais de aperta-lo, o suor percorria o meu rosto lentamente, sentia a tensão do coração batendo mais forte, o isolamento acústico externo, me sentindo imune aos tiros oriundos de outro lado, gritos de horror ou a beleza da fauna local, era como se apertasse um simples botão, e me tornasse uma onça caçando sua presa, observando pela mira da arma, olhei um grupo de soldados inimigos, estavam vindos em nossa direção, molhei a ponta do dedo direito e estudei a força do vento, girei em sentido horário a mira do armamento, “Vamos, amigo, deixa o comunismo e venha conhecer o nosso Senhor”.

                Avisei meu pelotão pelo rádio, ouvi barulhos de botas batendo com firmeza na terra molhada. O inimigo nem teve tempo de reação, andavam cuidadosamente olhando todos os lados, enquanto cada um carregava uma ak-47, apenas fui até o final do meu ato, indiretamente pude sentir a bala saindo do cano, o projétil caiu centímetros do meu peito. O jovem que atingi não morreu na hora, apenas ficou tentando inserir novamente seu estômago para dentro, seus “amigos’’ se esconderam, quem fugiu apenas eliminei com meu rifle, o segundo alvo caiu como se fosse um saco de batatas, mirei no triângulo da cabeça;

                Hoje não morrerei no Vietnã, fiquei contemplando a arte da guerra, fiquei indagando seu o corpo a cem metros que foi realizado a pedaços por conta de uma mina terrestre se assemelhava com o quadro guernica, em meia hora depois começou a chover, observei novamente, o homem parou de se mexer, julgo que na próximo devo atirar mais para cima, a morte não deveria se prolongar tanto, mas quando recordo o que fizeram com o meu irmão, avalio que devem sofrer como sofri.  

                    Julgo que não irei me esquecer do seu olhar de medo, um semblante triste e de terror, olhos abertos como se tivesse constatado o próprio demônio pessoalmente, sua mão tremia muito, segurava com a mão direita o que restou do intestino delgado, e com a esquerda segurava com força um papel, posteriormente examinei um fato, descobri ter sido uma carta, quando abri, encontrei uma carta com a fotografia de um moça, provavelmente seria sua esposa, o olhar dele ainda me visita em meus sonhos.

                Depois durante o almoço, refleti que o soldado que abati parecia muito com linguiça, pessoas julgam que isso é desumano, mas só dizem isso pessoas frescas, e lembre-se ele já está morto, não irá reclamar não acha? Registrei em meu diário uma determinada reflexão: “A guerra não revela a maldade do homem, todos temos um lado sombrio que decidimos omitir da sociedade.’’

 

 

 INSPIRAÇÃO

 
      A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. Um dia enquanto jogava um jogo de tirro online, como o personagem do conto foi quando surgiu a ideia para esse conto, além disso, de forma bem superficial abordei o aspecto sangrento de uma guerra, mas como observou, foquei mais no desenvolvimento realista e reflexivo do atirador de elite. Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
 

 REFERÊNCIAS:A fotografia do atirador é uma homenagem ao maior atirador norte-americano da Guerra do Vietnã, Carlos Hathcock e o autor da frase inicial é considerado o maior atirador¹ de elite da história.

1 - Abatido mais de 500 homens durante a resistência finlandesa à invasão soviética de 1939.

OBS: O segundo, lutou na guerra de inverno, Finlândia vs União das Repúblicas Socialistas Sov­­­­­­­­­­­­­­­iéticas

Comentários

  1. SAMARA FERNANDES LEITE13 de agosto de 2021 às 15:47

    Ótimo texto com referências a um período em que se dava o máximo de para lutar por ideias alheios,dando espaço para o afloramento de ímpetos mais sombrios.

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