"Expectativas são sempre angustiantes, a realidade nunca corresponde à nossa fantasia.''
Martha Medeiros
Pisei fundo no pedal do acelerador, aquele caminho era complicado, até apertei o botão par a aumentar os cintos que me seguravam no banco, no mesmo momento, observei no painel um sinal laranja de alerta, era o aviso do tempo real, informando estar em contato com fragmentos oriundos do espaço, até senti uma vibração maior no peito, o sangue serviria para esquentar o café que carregava comigo, na cafeteira embutida no painel.
Apertei um botão retangular na porta, acionei os óculos vermelhos, dessa forma seria mais nítido minha visão em um ambiente em total penumbra, pois como o caminho fora inaugurado recentemente, não tinha nenhum satélite natural, segurei com todas as forças no volante, senti uma forte turbulência, graças a Deus, o traje que vesti reduzia ao máximo essa sensação, no fundo, o enjoo após esse período era horrível, apenas passava ingerindo comprimidos.
Eu não era jovem, como é o que espera de um motorista desse transporte específico, tenho 50 anos, branco, barba e cabelos grisalhos, a verruga em meu rosto é uma evidência forte do Sol, apresento uma voz aguda e rouca por conta do cigarro, muitos anos nesse ofício, deveria empregar em algum vício, não acha? Melhor do que investir em prostitutas, sempre fui fiel quando tinha uma esposa, ainda persisto, ela me deixou, pois, alegou passar mais tempo na boleia do que ao seu lado, no final ela realmente estava certa, eu acho.
Conheci planetas das raças mais diversas que uma criança poderia confeccionar após ter contato com o filme Sinais, era tudo lindo, seres que apresentavam mutações naturais por conta da miscigenação, humanos com ventosas perceptíveis no rosto, crianças com uma agilidade incrível, seres que odeiam qualquer sinal luminoso (esse é o que menos gosto), pois imagina estacionar no centro da cidade sem possibilidade de usar uma mera luz alta, uma grande merda.
Ah? Quase me esqueci, o planeta Holder, apresentava uma versão da Terra com uma visão ambientalista, como se Greta, tivesse se tornado chefe da presente Nação, muito rico, um povo bastante educado, gentil, único fator ruim que apresentava uma leve xenofobia contra pessoas denominadas “normais’’, especialmente com pessoas do olho puxado e seres que ingerem a carne vermelha, me sentia em um Japão recheado do ideal budista da Índia.
Enquanto dirigia em uma noite que caia uma chuva leve, uma criatura verde mandou eu parar, estacionei como me informou, apresentei minha identidade, durante essa rápida análise de dados, seus olhos eram muito grandes, um fato que me estranhou foi que um olho lia os dados presentes no documento que entreguei, enquanto o outro, me fitava de baixo até cima, tentando procurar algo, respirei fundo, com um pedaço de pano, limpei o suor que se formava na minha testa, outra razão para odiar essa categoria de caminhão. Para minha surpresa, me informou para descer do veículo, pois estaria sendo preso, pelos simples fatos de utilizar substâncias alucinógenas, fui preso em flagrante, apenas informou que deveria entregar no planeta Limbo, o agente da PRF, ressaltou estar fora de mim, verificando no meu caminhão, encontrou no tapete, abaixo do banco do passageiro, um livro, guerra dos mundos versão ilustrada, naquele momento na cabeça do policial, o quebra-cabeça estava sendo finalmente concluído, por essa razão, como foi tão irônico essa prisão, optou por relatar na “internet”.
INSPIRAÇÃO
Especialmente o terceiro áudio, foquei nesse para construir o texto que leu, por essa razão até incluí o relógio e seres de outro planeta que não passava de postes e semáforos.
Adorei ! Uma dose ficção científica com uma pitada de humor .
ResponderExcluirBastante criativo e divertido.
ResponderExcluirParabéns ��