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CONVITE

            Desde que meu amigo partiu, jamais pensei que iria me sentir tão sozinho, o que não muda muita coisa, pois sabemos que nunca tive amizades de fato, além da dele.
            Quando me mudei de cidade as coisas foram bastante difíceis para mim se acostumar nessa nova região, e após ser transferido para o 2º ano do Ensino Médio em uma nova instituição, pensei que talvez iria me sentir melhor comigo mesmo, mas o tempo demonstra que isso é difícil de superar.
            Tudo mudou em 2016 quando fui com meus pais para uma nova localidade, bem longe de onde vive grande parcela da minha vida, por conta disso senti grande dificuldade para adaptação, principalmente na escola, pois como morava bastante longe mesmo sendo muito introvertido desenvolvi alguns amigos, mesmo sendo um número que poderia ser contado com os dedos de apenas uma mão.
            Nessa nova escola, após passar um tempo de forma isolada, pois tanto pelo fato de não me sentir à vontade, sentia-me como um alienígena que caiu um planeta completamente diferente do seu habitual, ou seja, possuía problemas no que diz respeito nas relações sociais com outras pessoas.
            Entrei lá em fevereiro daquele ano, na volta das Férias de julho, conheci um menino que seria meu melhor amigo ali, seu nome era Charlie, começamos a conversar porque tínhamos o mesmo interesse por temas relacionados com o lado “obscuro’’, e, além disso, filme e livros de terror, principalmente do autor Stephen King, começamos a dialogar na biblioteca, pois quando era possível nos momentos de intervalo, no qual muitos iriam conversar com seu grupo ou amigo, ia todos os dias para lá com objetivo de estudar ou ler alguma obra que me despertasse interesse.
            Em poucas semanas se tornamos melhores amigos, às vezes ia à casa dele, ou ele na minha, e onde nós jogávamos muito videogame, como jovens dessa faixa etária, seria difícil não curtir isso. Até que um dia em questão esse meu amigo, começou a ficar diferente, a agir como eu era anteriormente, comecei a suspeitar, pois, evitava situações aonde nós poderíamos conversar sobre algo, e até me assustei quando o vi no banheiro da escola, com muitas marcas de cortes ao longo do seu braço, quando o questionado sobre isso, dei uma desculpa que não acreditei muito, disse como possuía um animal que havia adotado em pouco tempo, ele às vezes o atacava e deixava daquele modo, mas observando bem tais feridas, foi possível notar que nenhum animal faria aquilo tão similar quanto uma faca afiada ou outro objeto que usou.
            Vi que até as suas publicações nas redes sociais mudou completamente, antigamente postava fotos rindo e memes, contudo atualmente compartilhava músicas de cunho depressivas e fotos sem demonstrar muita felicidade em seu rosto, talvez houvesse ocorrido algo em sua família, ou quem sabe perdido um parente relevante para ele, mas como a gente nunca tocava no assunto era complicado tentar descobrir qual era o motivo.
            Como éramos melhores amigos, e nossos pais se conheciam, possuímos a chave da casa um do outro, caso houvesse necessidade para algo essencial ou emergencial essa seria a razão, supus que nunca a usaria para tal finalidade, até que esse dia chegou, lembro completamente desse dia, estava dormindo, acordei com a vibração do celular de algumas mensagens do Charlie, dizia coisas desconexas, tornando bastante tenso compreender o que gostaria, e algumas fotos pesadas sobre letras de músicas de uma banda chamada Suicideboys, o nome já diz tudo, não há necessidade para explicações há mais, decidi então que era seria melhor ir na sua casa.
            Era uma sexta-feira chuvosa e com relâmpagos, levei um tempo mais que o habitual para chegar lá, e nesse período, seus pais haviam viajado para um comemorar um aniversário especial entre eles, ao chegar em sua casa, desci do uber que havia solicitado, me andei, me aproximei daquela porta branca, coloquei a chave nela e a torci, desse modo estava lá dentro.
            Tudo muito escuro e estava tudo em seu devido lugar, tentei chamar ele, mas sem ter nenhum êxito, decidi me dirigir ao seu quarto, ao me aproximar de lá, comecei a sentir um cheiro estranho, que nunca havia sentido antes, como seus pais possuíam melhores condições financeiras, seu quarto possuía um espelho que não permite a visão externa, mas dentro para fora reflete, e em tempos de tempestade, principalmente os raios naquela noite, ao abrir a porta do seu quarto, houve um relâmpago bem nesse momento, antes mesmo de ter tempo de acender a luz, vi ele deitado de forma imóvel, e um líquido escuro ao seu redor, por conta da ausência de iluminação era difícil saber o que era.
            Ao ligar a luz, percebi o que era ao me aproximar dele, aquilo em volta dele, tinha uma coloração vermelha e escura, ao tentar o movimentar percebi que estava totalmente imóvel, e ao olhar novamente o chão vi que era sangue, no chão do seu quarto.
            Ao juntar de forma rápida as informações e sem entender a razão daquilo, entrei em uma sensação grande de medo e tristeza profunda, de ver aquele que antigamente era meu melhor amigo, e além de saber que havia cometido suicídio, fora eu quem achara seu corpo... Aquela imagem até hoje me atormenta em meus sonhos. Às vezes ele brincava sobre abrir sua cabeça, pensei que apenas seria uma brincadeira pesada ou algum trecho de música, porém foi isso que ocorreu, pois, foi constado na autópsia que se matou com um tiro na cabeça, mas antes havia feito o mesmo ato do banheiro da escola.
            O enterro dele, foi um dos momentos mais tristes e difíceis da vida, observar seus familiares chorando muito, e inclusive eu, que foi bem chegado dele, no curto tempo em que a gente se conheceu, e perceber outros estudantes e professores prestando as devidas condolências.
            Sentia sua falta, pois como só tinha ele como amigo, agora fiquei sem nenhum, e agora todos tentavam falar comigo, mas devido a ter pena, e não com vontade de criar uma amizade com minha pessoa, e isso me deixava bastante para baixo, até que tive uma ideia, iria conseguir um tabuleiro de Ouija para falar pela última vez com ele, como se fosse uma despedida, pois ele não havia deixado carta explicando qual razão decidiu cometer tal ato.
            Um dia no sábado à noite fiquei sozinho em casa, seria o momento perfeito para realizar esse experimento, fiz todos os procedimentos da forma correta, para iniciar o jogo, contudo havia lido de forma rápida e não prestado, atenção, para não cometer nenhum erro, principalmente o que em nenhuma hipótese deveria ser questionado, ia perguntando e a pedra se mexendo, até que o indaguei “Charlie como você matou? ‘’
            Apenas essa pergunta, fez com que as luzes do meu quarto piscassem de forma aleatória, ouvisse barulhos de passos pela casa, oriundos de diversos locais, inclusive dentro do meu quarto, fui tomado por um grande medo que gelou a minha espinha, e fez com que os pelos da minha mão se encontrassem todos em grande parte em pé, como se estivesse com muito frio, mas não havia vento ou ar condicionado para isso.
            Decidi que era melhor levantar, e botar aquilo no lugar, maior erro que cometi, pois, como diz... você não deve acabar o jogo antes do seu final de fato, ao tirar a pedra, sinto que libertei algo em minha casa que não jamais pisara neste mundo, mas sim no inferno, pois era algo totalmente inumano.
            Deitei na cama, esperando meus pais chegarem no dia seguinte, contudo jamais vi a luz do dia, enquanto dormia, senti algo pegando em mim, e via pela coberta algo que não possuía nenhum traço de caráter humano, fiquei com muito, muito e muito medo, tentei fazer uma prece com o terço que usava, e aquilo disse em uma voz grossa: “ Após ter feito o convite, Deus não pode te ajudar!’’ ... Fiquei sem reação, e senti uma dor tão intensa que gritei bastante alto, talvez tenha assustado algum vizinho, após isso apaguei.
           

Jornal de JOPIAN

             

MORTE CRUEL APAVORA CIDADE!


Um jovem na idade de 17 anos, fora encontrada morta dentro da sua casa, sem nenhum sinal de arrombamento, mas de forma extremamente brutal, e com forças que as autoridades dizem que apenas uma criatura selvagem teria força para partir tal jovem em dois, e apenas com sua mordida quebrar seu crânio.
            Foi informado pela polícia que os peritos criminais tiveram dificuldade para realizar seu trabalho, pois os pedaços estavam espalhados pelo quarto todo.
            Grupos céticos religiosos, tentam achar uma justificativa que para isso ocorresse, o menino buscou algo e sem querer acabou invocando algo que não faz parte desse mundo. Mesmo assim as autoridades continuam investigando esse crime bárbaro, que chocou nossa nação.

Moral: Caso alguém tenha morrido, não tente se comunicar com ela, faça isso enquanto ela se encontra viva.
 
 

FILOSOFIA DA COMPOSIÇÃO

        Esse texto foi elabora por conta de um pedido de uma melhor amiga minha, a Luana Mara, pois segundo ela devido a gostar muito do gênero terror e possuir conhecimento de obras dessa categoria, escrevendo nessa temática daria um texto interessante.
          Além disso, a banda que cito no texto, é uma que gosto de escutar e muitas vezes uso como inspiração na hora de escrever, como nesse caso, pois inseri traços da música que você poderá ouvir abaixo e desse modo identificar qual parte fiz a conexão.
          E os únicos temas que antes de escrever gostaria de os relacionar entre sim, fora sobre escola, suicídio e sobrenatural, e como viu, pude montar o quebra-cabeça de forma coesa.

https://www.youtube.com/watch?v=IVqPwaJ3ou0
         


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