‘’O amor é o espaço e o tempo tornados sensíveis ao coração.’’ Marcel Proust O medo era uma sombra que se alongava pelas aldeias, anunciado pelo bater de asas que escurecia o sol. Eu, Samara, que sempre encontrei conforto no simples aroma das ervas e na ordem serena do meu pequeno jardim de cura, via agora o caos personificado tingir o horizonte de brasa. Das entranhas da terra, onde a luz não ousa penetrar, um mal ancestral emergira sob a forma de um dragão de escamas rubras, convocado pela feitiçaria de uma alma corrompida. Ainda assim, no peito, a lembrança de um olhar terno e promessas sussurradas ao pé da fogueira me mantinha firme, como uma chama que nenhum vendaval poderia extinguir. Aquele com quem divido meus sonhos, Gabriel, conhecido pela força descomunal de seus braços e por sua índole impetuosa, jamais hesitaria diante de tamanha ameaça. Lembro-me da primeira vez que o vi, sua pele clara contrastando com a madeira escura do machado que manuseava...
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