''Os espelhos são usados para ver o rosto; a arte para ver a alma.'' George Bernard Shaw Rafaela observava o relógio de ponteiros grossos no alto da parede enquanto pintava o último traço azul-esverdeado sobre a tela branca que repousava sobre o cavalete. Ela suava um pouco, os dedos manchados de tinta, a respiração pesada. Ao lado, Miguel ajeitava o rolo de lona no chão, pressionava os pés na madeira dura e observava. Eles disputavam a bolsa de residência artística da Casa Almeida Silva. Vitória garantia visibilidade internacional, exposição no exterior, convites e bolsas comissionadas para projetos. Perder custaria a Rafaela ficar invisível durante anos, seria mais tinta desperdiçada, cadernos em branco. Miguel pensava parecido, embora fingisse desprezo. Miguel lançou um risinho contido quando viu a aliança de ouro no dedo de Rafaela. Tanto esforço para pintar flores imortais, dizia, e ainda presa a símbolos comuns de casament...
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