‘’Mas o coração não é como uma caixa que se enche. Ele aumenta seu tamanho quanto mais você ama’’. ( Filme Ela) Era uma tarde de céu opaco em Brasília, um dia como tantos outros onde o vento brincava de passar entre os blocos de concreto e os ipês coloriam o cinza com seu vibrante protesto natural. Samara estava sentada em uma das poltronas do Casarão dos Livros, seu refúgio favorito, onde os estantes transbordavam histórias e o aroma dos volumes antigos se misturava ao café servido no canto da livraria. Os cachos densos caíam sobre os ombros, os olhos grandes absorvendo cada linha de um romance de Lygia Fagundes Telles. Ele a observava de longe, discreto, tentando buscar coragem para se aproximar. Ele era leitor voraz, mas naquele instante sentia-se como um personagem de Tolstói diante de uma heroína de Austen. Samara parecia tão concentrada que ele teve receio de interromper sua imersão literária, mas a paixão compartilhada pelos livros era um convite impossível de ignorar....
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