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ESPERANÇA

''A violência não é força, mas fraqueza, nem nunca poderá ser criadora de coisa alguma, apenas destruidora.'' Benedetto Croce




    O professor Silva caminhava pelo corredor da escola, seus passos ecoando no chão de azulejos gastos. Era o fim do dia, e os alunos já haviam saído para suas casas, exceto uma. Ao virar a esquina, viu Rihanna, encostada na parede, soluçando baixinho. Aproximou-se com cuidado, seu coração pesado ao ver a menina em tal estado.

    — Rihanna, por que você está chorando e soluçando? — perguntou, a voz suave, porém firme.

    A jovem tentou enxugar as lágrimas com a manga do uniforme, mas seus olhos continuavam a derramar gotas salgadas. Com a voz trêmula, respondeu:

    — Eu... eu não quero voltar para casa, professor.

    Silva respirou fundo, seu olhar cheio de compaixão. Sem pressioná-la, ele sabia que precisava entender melhor a situação.

    — Tudo bem, garota. Vamos conversar com a orientadora, está bem? Estamos aqui para ajudar.

    A aluna assentiu lentamente, e juntos caminharam até a sala da orientadora pedagógica. Ao entrarem, Carla, a orientadora, olhou para a menina com preocupação. Pediu que se sentasse e, com um tom gentil, perguntou:

    — Querida, meu nome é Carla. O que está acontecendo em casa que te deixa tão triste?

    A estudante hesitou, os olhos fixos no chão. Depois de um momento, começou a falar, sua voz baixa e carregada de dor.

    — Em casa... as coisas não estão boas. Minha mãe... ela mudou muito. Está sempre... dizendo coisas que me machucam. Eu tento ser forte, mas... às vezes é demais.

    A casa da menina era pequena e simples, mas outrora havia sido um lugar de alegria. Agora, era um ambiente de tensão constante. Sua mãe, Marisa, estava frequentemente irritada, seus olhos queimando de frustração e raiva.

    Lembrava de quando a mãe era carinhosa, sempre disposta a ouvir e oferecer palavras de conforto. Mas isso havia mudado. Marisa passava horas trancada no quarto, saindo apenas para lançar críticas cortantes à filha.

    — Você não faz nada direito, menina! — gritava Marisa, a voz cheia de amargura. — Por que você não pode ser como as outras crianças?

    A adolescente se encolhia, cada palavra da mãe penetrando fundo como uma lâmina. Tentava ajudar em casa, fazia as tarefas escolares, mas nada parecia ser suficiente.

    Certa noite, depois de um dia particularmente difícil, a jovem estava na cozinha, lavando a louça. Marisa entrou, os olhos fixos na filha.

    — O que você está fazendo acordada a esta hora? — perguntou, a voz fria.

    — Eu só estou terminando a louça, mãe — respondeu à garota, tentando manter a voz firme.

    Marisa bufou e saiu da cozinha, deixando a filha sozinha, suas lágrimas misturando-se com a água do prato.

    Na escola, a jovem encontrou um refúgio. Silva e Carla estavam determinados a ajudá-la. Conversas foram realizadas, planos de apoio foram elaborados, e, pouco a pouco, a estudante começou a sentir um fio de esperança se entrelaçar em seu coração.

    Certa manhã, Silva chamou a garota à sua sala. Com um sorriso encorajador, disse:

    — Queremos que saiba que estamos aqui para você, sempre. Trabalhemos juntos para as coisas melhorarem.

    A menina sorriu timidamente, sentindo pela primeira vez em muito tempo uma sensação de segurança. A batalha estava longe de terminar, mas ela não estava mais sozinha. Havia pessoas ao seu redor que se importavam, que estavam dispostas a lutar ao seu lado.

    Ao final daquele dia, enquanto o sol se punha e tingia o céu com tons de laranja e rosa, a garota sentiu uma mistura de medo e esperança. O futuro era incerto, mas agora havia uma faísca de luz na escuridão que a cercava.

    Quando chegou em casa, a familiar sensação de tensão a envolveu novamente. Marisa estava na sala, os olhos fixos na televisão, mas a expressão dura não suavizou.

    — Onde você estava? — perguntou Marisa, sem desviar o olhar da tela.

    — Na escola, mãe. Tive que falar com o professor e a orientadora — respondeu a adolescente, tentando manter a voz firme.

    A mãe bufou, mas não disse mais nada. A garota suspirou aliviada e foi para seu quarto. Fechou a porta e se sentou na cama, abraçando os joelhos. Olhou ao redor do pequeno espaço, decorado com posters de seus ídolos musicais, incluindo um grande pôster da própria Rihanna. Era seu refúgio, o único lugar onde podia sonhar com um futuro diferente.
 
 

 

INSPIRAÇÃO

      A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. É uma ideia nova, fiz um texto curto demonstrando uma aluna que sofre violência física e psicológica da própria mãe.   Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
 
 Ps: A imagem do conto foi criado por intermédio de uma  IA, BING AI, digitei "A realistic image of a sad black student crying in the school hallway "  e obtive esse resultado. 
 



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