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A ESCULTURA

 ''A obsessão é a fonte da genialidade e da loucura.'' Michel de Montaigne

 

    O estúdio de Adriano, um espaço amplo e frio, era impregnado pelo cheiro acre de gesso e mármore recém-cortado. A única luz que atravessava o ambiente vinha de uma janela alta, por onde a lua lançava suas sombras bruxuleantes sobre as estátuas inacabadas e as ferramentas dispostas meticulosamente. Ali, entre figuras esculpidas que pareciam sussurrar segredos antigos, o jovem escultor passava suas noites, preso em uma busca febril pela perfeição.

    O artista conhecido por sua habilidade sobrenatural em esculpir o mármore. Suas mãos, movidas por uma precisão quase divina, traziam à vida formas de uma beleza perturbadora. Mas sua obsessão, alimentada por um anseio insaciável, o consumia. Ele não queria apenas esculpir a perfeição; ele queria possuí-la, torná-la eterna. E foi em uma dessas noites, enquanto vagava pelas ruas sinuosas de sua pequena cidade, que encontrou sua musa.

    Ela estava sentada em um banco de pedra, sob a luz pálida da lua, como se tivesse sido esculpida pelo próprio mármore das montanhas. Seus cabelos negros contrastavam com a pele pálida, e seus olhos, profundos e insondáveis, pareciam segredos enterrados sob camadas de tempo e esquecimento. Observou por longos minutos, hipnotizado pela serenidade etérea que emanava dela. Quando ela levantou finalmente o olhar e o fitou, ele soube haver encontrado o que procurava.

    "Você deve me deixar esculpi-la", disse ele, com uma urgência que mal conseguia conter.

    A jovem, cujo nome era Sofia, sorriu de maneira enigmática e acenou em concordância. Assim, ela se tornou uma presença constante no estúdio de Adriano, sentando-se por horas enquanto ele trabalhava, suas mãos movendo-se com fervor insano sobre o mármore bruto. A cada golpe do cinzel, ele sentia que estava se aproximando de algo divino, algo que o mundo ainda não havia testemunhado.

    No entanto, algo perturbador começou a acontecer. Durante a noite, enquanto Adriano dormia, a escultura parecia se mexer. Ele acordava com a sensação de que os olhos esculpidos o observavam, de que os dedos de mármore haviam mudado ligeiramente de posição. Ao princípio, ele descartou esses pensamentos como frutos de uma mente exausta. Mas as mudanças se tornaram inegáveis. O mármore parecia pulsar, quase como se tivesse um batimento cardíaco próprio.

    Certa madrugada, incapaz de resistir à curiosidade, se escondeu no estúdio, vigiando sua criação. Enquanto as horas passavam e a lua atingia seu ápice, ele viu algo que gelou seu sangue. A escultura, lentamente, começou a se mover. Seus braços rígidos se flexionaram, o torso se curvou, e aqueles olhos mortos se voltaram para ele com uma intensidade inumana. Ela desceu do pedestal com uma graça sobrenatural e caminhou até ele. Sua voz, um murmúrio frágil, preencheu o ar.

    "Adriano... meu amado."

    O escultor recuou, horrorizado, mas também fascinado. A escultura, sua obra-prima, estava viva, e não apenas viva – ela estava apaixonada. Sentia por ele uma devoção insana, uma possessividade que ia além de qualquer entendimento humano. Contudo, enquanto a escultura ganhava vida, percebeu que Sofia, a musa de carne e osso, começava a definhar. Sua pele, outrora vibrante, adquiria uma tonalidade cinzenta, e seus movimentos tornavam-se lentos, como se estivesse sendo petrificada de dentro para fora.

    Desesperado, ele procurou a jovem, confrontando-a sobre o que estava acontecendo. Sofia, com a voz fraca e os olhos apagados, confessou que havia um pacto, um laço sobrenatural que ela não compreendia completamente. Algo na essência de Adriano havia despertado forças antigas, adormecidas nas profundezas da matéria que ele moldava. Ela estava sendo consumida pela escultura, que se alimentava de sua vitalidade para existir.

    Ele se viu diante de uma escolha impossível: poderia destruir a escultura, o trabalho de sua vida, e salvar Sofia, ou completar sua obra-prima, sabendo que isso significaria o fim de sua musa. Mas o mármore chamava por ele com uma voz sedutora, prometendo glória eterna, uma beleza imortal.

    No auge do desespero, escolheu continuar seu trabalho, acreditando que poderia encontrar uma solução antes que fosse tarde demais. No entanto, conforme os dias se passavam, Sofia se aproximava cada vez mais de seu fim, até que, em uma noite trágica, ela se transformou completamente em pedra diante de seus olhos horrorizados.

    O escultor, agora enlouquecido, abraçou a escultura animada, acreditando que ela era a fusão perfeita entre sua arte e a mulher que amava. No entanto, ao toque final, a escultura, fria e cruel, o envolveu em um abraço mortal, apertando-o com força descomunal até que seu corpo foi reduzido a pó.

    Na manhã seguinte, os habitantes da cidade encontraram o estúdio vazio. No centro, sobre o pedestal, estava a mais bela escultura já criada, uma mulher de mármore, eternamente jovem e perfeita, segurando nas mãos uma fina camada de pó.

 


 

INSPIRAÇÃO

 

  A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. É uma ideia nova, criar um clima de tensão sobre um escultor talentoso, obcecado por criar a escultura perfeita, finalmente encontra sua musa em uma bela jovem. No entanto, a escultura começa a ganhar vida à noite, desenvolvendo uma obsessão doentia por ele. Quando o escultor tenta se afastar da escultura, descobre que sua musa está lentamente sendo consumida, transformando-se em mármore. Ele deve escolher entre salvar a vida de sua amada ou completar sua obra-prima. Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!

 

Ps: A imagem do conto foi criado por intermédio de uma IA, BING AI, digitei "Um escultor talentoso, obcecado por criar a escultura perfeita, finalmente encontra sua musa em uma bela jovem. No entanto, a escultura começa a ganhar vida à noite, desenvolvendo uma obsessão doentia por ele. Quando o escultor tenta se afastar da escultura, descobre que sua musa está lentamente sendo consumida, transformando-se em mármore. Ele deve escolher entre salvar a vida de sua amada ou completar sua obra-prima." e obtive esse resultado.     

 

REFERÊNCIAS

 

 

1.Cemitério é um romance de terror escritor por Stephen King, gira em torno da família Creed, que se muda para uma pequena cidade do Maine. Perto de sua nova casa, eles descobrem um misterioso cemitério de animais de estimação, além de um antigo e amaldiçoado cemitério indígena escondido nas profundezas da floresta. Quando a tragédia atinge a família, eles se veem tentados a explorar os poderes sobrenaturais do cemitério, desencadeando consequências aterradoras que desafiam as leis da vida e da morte.

 

Comentários

  1. Interessante ligação entre as responsabilidades e os desejos.

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  2. Muito bom o texto, o desejo da perfeição e ambição ficaram evidentes no texto

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  3. Adorei a leitura, todo artista tem desejos e ambições que podem se tornar obsessões e até beirar a loucura .

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