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ESTÁTICA

 ''A paranoia é a consciência aguda da fragilidade da vida'' Luiz Felipe Pondé

     A chuva caía incessantemente sobre Moscou, transformando as ruas em espelhos d’água que refletiam as luzes amarelas dos postes. Alexei caminhava apressado pelo beco escuro, tentando evitar as poças de lama. Ele mal podia esperar para chegar em casa, deixar o peso do dia para trás e se enfiar debaixo das cobertas. A sensação de estar sendo observado não o abandonava desde que saíra do trabalho, mas ele a atribuía ao cansaço e à paranoia que a cidade grande inevitavelmente trazia.

    Ao virar a última esquina antes de seu apartamento, ele viu uma figura indistinta parada sob um dos postes. Hesitou por um momento, tentando discernir se era uma pessoa ou apenas uma sombra projetada. Decidiu ignorar e continuou seu caminho, a sensação de ser vigiado agora mais intensa.

    Subiu as escadas rangentes até seu apartamento no terceiro andar, trancou a porta atrás de si e suspirou aliviado. Jogou-se no sofá, tentando relaxar. Ligou a televisão, mas a imagem estava cheia de estática. Frustrado, desligou-a e foi tomar um banho quente. O vapor da água o envolveu, trazendo uma sensação momentânea de paz.

    Quando saiu do banheiro, a televisão estava ligada novamente, mas ainda mostrava apenas estática. Um calafrio percorreu sua espinha. Tinha certeza de que a havia desligado. Aproximou-se lentamente, o barulho branco preenchendo o silêncio da noite. Quando estendeu a mão para desligá-la novamente, a imagem mudou abruptamente.

    A tela mostrava agora seu próprio prédio, visto da rua. A câmera parecia fixa, e ele conseguia ver a janela de seu apartamento no terceiro andar. Seu coração disparou. Sentiu-se exposto, vulnerável. Olhou para fora da janela, mas a rua estava deserta, apenas a chuva caindo sem parar.

    De repente, a imagem na televisão começou a se aproximar do prédio, como se alguém estivesse caminhando em direção à entrada. Podia ouvir o som dos passos através da estática. Trêmulo, pegou seu telefone e tentou ligar para a polícia, mas não havia sinal.

    A câmera entrou no prédio, subindo as escadas lentamente. Sentiu-se paralisado, incapaz de desviar o olhar da tela. A figura indistinta do beco agora era visível, subindo cada degrau com uma calma perturbadora. Ele ouviu o som das escadas rangendo, o mesmo som que ele conhecia tão bem.

    O corredor do terceiro andar apareceu na tela. A figura parou em frente à porta de seu apartamento. Prendeu a respiração. A maçaneta começou a girar lentamente. Ele se virou para a porta de seu apartamento, esperando que ela se abrisse a qualquer momento, mas nada aconteceu. A figura na tela entrou no apartamento, mas a porta permaneceu fechada.

    Ele sentiu uma presença no quarto. Virou-se lentamente e viu a figura parada no canto, um vulto indistinto no escuro. O pânico tomou conta dele, mas ele não conseguia se mover, preso pela intensidade do momento. A figura avançou, e a tela da televisão voltou à estática, os passos ecoando na pequena sala.


INSPIRAÇÃO

 

  A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. É uma ideia nova, criar um clima de tensão com leve terror stalker com sobrenatural, aumentando a tensão pela ausência de provas concretas se de fato é real ou tudo não passa da mente do personagem.   Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!

 

Ps: A imagem do conto foi criado por intermédio de uma IA, SEAART AI, digitei "Alexei sente-se perseguido ao caminhar pelas ruas chuvosas de Moscou, mas ao chegar em casa, sua paranoia toma forma. A televisão mostra imagens estáticas que se transformam em cenas de seu próprio prédio, revelando uma figura sinistra que se aproxima. A tensão aumenta quando a presença ameaçadora entra em seu apartamento, mergulhando-o em um pesadelo onde realidade e ilusão se confundem. Na escuridão, Alexei percebe que seu medo mais profundo tornou-se real." e obtive esse resultado.     

 

REFERÊNCIAS

 

 

1.Metro 2033, escrito por Dmitry Glukhovsky, é uma obra de ficção científica pós-apocalíptica ambientada nos túneis do metrô de Moscou após uma catástrofe nuclear. A história segue Artyom, um jovem sobrevivente, que embarca em uma jornada perigosa para salvar sua estação de uma ameaça misteriosa. Os temas abordados incluem sobrevivência em condições extremas, a luta entre esperança e desespero, e a busca pela humanidade em um mundo devastado. A narrativa explora também a natureza do medo e da escuridão, tanto física quanto psicológica, além de questões de liderança e a moralidade em um ambiente de recursos limitados.

Comentários

  1. Adorei o texto,amor. Parabéns pela abordagem psicóloga e de terror. Ansiosa pelos próximos.

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  2. Apavorante, soube muito bem como aterrorizar os leitores 👏

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