''Será que eu estou andando em direção a algo do qual deveria estar fugindo?''
Pedro Rocha era um fotógrafo com uma queda por relíquias do passado. Seu estúdio no centro histórico de Paraty estava repleto de câmeras antigas, filmes em preto e branco e negativos envelhecidos, capturando a essência de uma época que ele sentia ter mais alma. Mas nada o preparou para a descoberta que estava prestes a fazer.
Numa tarde chuvosa, ao explorar um antiquário que raramente visitava, encontrou uma câmera peculiar, uma velha Leica coberta de poeira e teias de aranha. O vendedor, um homem idoso com olhos que pareciam ter visto coisas além da compreensão, não sabia muito sobre ela, exceto que havia sido encontrada em uma casa abandonada nos arredores da cidade.
“Leve-a”, disse o vendedor, quase implorando. “Algo naquela câmera... é melhor não saber.” ,intrigado, pagou um valor simbólico e levou o artefato para o estúdio, ansioso para ver se ainda funcionava.
Ao carregar a câmera com um filme preto e branco, saiu para fotografar as ruas da cidade, impregnadas de histórias e mistérios. Foi na Praça da Matriz que ele tirou a primeira foto. O clique da câmera soou pesado, quase como um sussurro. Quando revelou a foto no seu laboratório improvisado, sentiu um arrepio na espinha. A imagem mostrava a praça como ele a conhecia, mas havia algo a mais. Um grupo de pessoas, vestidas com roupas do século XIX, cercava um homem no meio da praça, amarrado a um poste, enquanto chamas começavam a envolvê-lo.
Esfregou os olhos, incrédulo. Voltou à praça, mas não havia nenhum sinal do evento trágico. Decidido a descobrir mais, tirou outra foto, desta vez de um beco estreito perto do cais. Quando revelou a imagem, seu coração quase parou. Na foto, um homem estava sendo esfaqueado repetidamente por uma figura encapuzada, sangue escorrendo pelas pedras.
Era como se a câmera tivesse uma janela para o passado, um passado macabro e violento. Pedro começou a investigar os eventos que capturava, descobrindo que cada foto correspondia a uma tragédia esquecida da história de Paraty. Quanto mais ele investigava, mais se envolvia nas histórias das vítimas, sentindo uma conexão perturbadora com suas dores e medos.
A câmera parecia ter vontade própria, guiando para lugares onde tragédias haviam ocorrido. Em uma noite fria, ele tirou uma foto do seu próprio estúdio. Ao revelar, ele viu a imagem de um jovem fotógrafo, parecido com ele, sendo estrangulado por um homem que o acusava de ter causado a morte da sua filha.
Agora obcecado, decidiu ir até o fim. Tirou uma última foto de si mesmo, em frente a um espelho. Quando revelou a imagem, viu seu próprio reflexo, mas não estava sozinho. Atrás dele, uma figura sombria com olhos vermelhos brilhava, como se estivesse esperando pelo momento certo para atacar.
Sentiu uma presença fria em seu estúdio e, ao se virar, viu a figura do homem da foto, o homem que deveria estar morto há mais de cem anos. “Você trouxe todos nós de volta”, sussurrou a figura, antes de avançar sobre Pedro.
Dias depois, a polícia encontrou o estúdio vazio, exceto pela velha câmera Leica, cuidadosamente colocada sobre a mesa. As fotos reveladas estavam espalhadas, contando histórias de tragédias esquecidas e a última foto, a do personagem, ainda presa no secador, mostrando um olhar de terror eterno.
A câmera, agora novamente à venda no antiquário, aguardava pacientemente pelo próximo curioso.
INSPIRAÇÃO
A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. É uma ideia nova, um fotógrafo consegue uma das melhores câmeras por um valor irrisório, entretanto, existe um motivo por trás para ser quase de graça, algo que começa a deixar o personagem perturbado e acaba descobrindo da pior forma. Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
Ps: A imagem do conto foi criado por intermédio de uma IA, SEAART AI, digitei "Pedro Rocha, um fotógrafo fascinado pelo passado, encontra uma velha Leica em um antiquário. Ao usá-la, descobre que a câmera revela tragédias históricas de Paraty. Obcecado, Pedro investiga os eventos, sentindo uma conexão perturbadora. criar imagem realista." e obtive esse resultado.
REFERÊNCIAS
1. "Espíritos - A Morte Está ao Seu Lado" é um filme de terror tailandês dirigido por Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom. O filme acompanha a história de um jovem casal que, após um trágico acidente de carro, começa a ser assombrado por uma presença sobrenatural. Ao tentarem desvendar o mistério por trás das assombrações, eles descobrem segredos sombrios do passado que se entrelaçam com suas vidas atuais, culminando em revelações aterrorizantes e inesperadas.
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Eita, que aterrorizante!
ResponderExcluirUm medo desbloqueado para os curiosos e para os pechincheiros 🤣🤣
Parabéns pelo texto e a pegada antiquário almadiçoado.
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