''O bater de asas de uma borboleta no Brasil pode provocar um furacão no Texas” Edward Lorenz
O silêncio era absoluto na ponte da nave estelar Pioneira. As estrelas
brilhavam friamente no vasto vazio do espaço, testemunhas eternas de um
universo em constante movimento. O Capitão Jonas Reis, um explorador
veterano, estava em sua vigília solitária, observando os monitores que
mostravam o progresso da missão. Ele estava mapeando um sistema estelar
distante, mas a verdadeira joia de sua nave era a tecnologia
experimental de dobra temporal, projetada para encurtar viagens
intergalácticas de anos para meros dias.
Tudo parecia estar indo
conforme o planejado até que uma falha nos sistemas começou a piscar em
vermelho nos monitores. Jonas franziu a testa e começou a digitar
comandos freneticamente, tentando isolar o problema. Antes que pudesse
compreender o que estava acontecendo, a nave foi envolvida por um campo
de energia brilhante e tudo ao seu redor se desfez em luz.
Quando
a luz finalmente se dissipou, percebeu que algo estava muito
errado. Ele não estava mais em um sistema estelar distante; em vez
disso, os sensores indicavam que ele estava orbitando a Terra. Não
apenas a Terra, mas uma Terra de milhares de anos no passado, quando a
humanidade ainda mal havia descoberto o fogo.
Isolado e sem
esperança de retornar ao seu próprio tempo, tomou uma decisão. Ele
poderia usar seu vasto conhecimento e tecnologia avançada para auxiliar a
humanidade a acelerar seu desenvolvimento. Talvez, pensou ele, pudesse
criar um futuro melhor. Com esse objetivo, ele pousou sua nave
discretamente em uma área remota e começou a sua missão.
Começou com coisas simples. Ele ensinou os habitantes locais a cultivar a
terra de maneira mais eficiente, a domesticar animais, e a construir
abrigos mais seguros. Ele introduziu conceitos de escrita, matemática e
astronomia, sempre tentando manter um equilíbrio para não sobrecarregar
as mentes primitivas.
Décadas se passaram, e a influência dele se espalhou. As tribos se uniram em cidades, as cidades em nações.
Ele observava com orgulho a humanidade florescer, mas algo inquietante
começou a surgir. A tecnologia estava avançando rápido demais. Conflitos
surgiram, guerras por recursos que ele mesmo havia ensinado a extrair.
Armas cada vez mais devastadoras eram criadas, e a paz se tornou um
conceito distante.
Começou a perceber a extensão de seu
erro quando viu o céu escurecer com a fumaça de incontáveis fornalhas de
guerra. O desenvolvimento que ele havia acelerado estava destruindo a
própria essência da humanidade. Os líderes das nações não buscavam mais
conhecimento para melhorar a vida, mas para dominá-la.
Desesperado,
tentou reverter suas ações. Ele destruiu sua própria nave para
que ninguém mais pudesse acessar a tecnologia avançada, mas era tarde
demais. A semente do progresso havia se transformado em uma árvore de
destruição. Ele passou seus últimos anos tentando ensinar novamente a
importância da paz e da harmonia, mas suas palavras caíam em ouvidos
surdos.
Em seu leito de morte, Jonas refletiu sobre o impacto de
suas ações. O desejo de ajudar havia se transformado em uma maldição
para a humanidade. Ele olhou para o céu, onde as estrelas brilhavam
indiferentes. De repente, seus olhos captaram uma visão distante e
aterrorizante: uma explosão atômica iluminando o horizonte com um brilho
mortal. Era a culminação de tudo que ele havia precipitado. E nesse
instante, ele percebeu a verdade amarga: o tempo não pode ser forçado a
correr mais rápido.
INSPIRAÇÃO

Adorei o retorno forte à ficção científica. Parabéns pelo texto, aguardando os próximos.
ResponderExcluirFicção científica e ótimas reflexões, adoro ❤️
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