''A leitura é, provavelmente, uma outra maneira de estar em um lugar.'' José Saramago
No labirinto de ruas e arranha-céus de Distration, uma cidade imersa em tecnologia e inovação, a presença de livros físicos se tornara uma raridade esquecida. Desde o ano de 2170, a palavra escrita tinha sido relegada aos confins de pequenos terminais espalhados pela metrópole, onde os habitantes podiam ter um fugaz encontro com as páginas amareladas do passado.
Entre esses habitantes estava Celeste, uma jovem curiosa que se aventurava pelas entranhas da cidade em busca de conhecimento. Todos os meses, ele reservava ansiosamente seu momento de 15 minutos para mergulhar na nostalgia das palavras impressas. Era uma experiência única, uma jornada através do tempo e da imaginação, conforme ele folheava os registros do passado.
Sentada diante do terminal, cujas luzes piscantes ecoam a promessa de aventuras infindáveis, um indivíduo solitário mergulha na obra intitulada "Beowulf". Sob a luminosidade artificial, as palavras ganham vida, dançando diante de seus olhos como sombras inquietas. Ele se vê transportado para as terras geladas da Escandinávia antiga, onde heróis e monstros colidem em uma batalha épica pela supremacia.
Cada página é um vislumbre de um mundo esquecido, onde coragem e honra moldam o destino dos homens. O narrador, com a eloquência digna de um poeta sagrado, descreve os feitos de Beowulf, o herói destemido que enfrenta o terror noturno do monstro Grendel. A cena se desenrola diante do leitor como um filme em preto e branco, onde sombras e luzes dançam em uma dança macabra.
O coração do protagonista acelera à medida que se vê imerso na batalha titânica entre o bem e o mal. Ele sente o medo sussurrante, a tensão palpável no ar enquanto enfrenta o terror indomável que assola a aldeia. Cada golpe, cada grito ecoa na sala silenciosa, como se o próprio tempo estivesse suspenso na expectativa.
E então, no clímax da batalha, quando o destino pende na balança da incerteza, o herói emerge triunfante. A criatura abominável e sinistra, é derrotado, seu corpo retorcido e quebrado jazendo no chão como um aviso para aqueles que ousam desafiar a bravura dos mortais.
O leitor, imerso na narrativa como se fosse um espectador atônito em uma peça teatral, sente a exultação do triunfo. Por um breve momento, ele é transportado para além das paredes da cidade, para um mundo onde os mitos ganham vida e a coragem reina suprema.
As palavras ganhavam vida diante de seus olhos, como se cada página fosse um fragmento de um filme épico. Ele se viu imerso na saga do herói nórdico, testemunhando batalhas grandiosas e momentos de bravura indomável. Cada descrição era como um quadro pintado com as mais vibrantes cores da imaginação, cada diálogo ecoava em sua mente como se fosse sussurrado pelo próprio autor.
Alex estava completamente absorvido pela história, sua mente transportada para um mundo de mitos e lendas. Por aqueles preciosos 15 minutos, ele não era mais um habitante de Distration, mas sim um aventureiro em terras distantes, enfrentando perigos inimagináveis ao lado de Beowulf.
Quando o tempo se esgotou e a tela escureceu, Alex retornou à realidade da cidade moderna. Mas as memórias daquela breve jornada ficaram gravadas em sua mente, lembrando-o do poder eterno das histórias e do valor incomparável de um bom livro, e assim, enquanto as luzes do terminal se apagam e a realidade volta a reclamar sua primazia.
INSPIRAÇÃO
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Adorei o texto! Ótima crítica social sobre o ócio.
ResponderExcluirNarrativa sensível e reflexiva.
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