Ogro, como sempre conhecido desde sua infância difícil, finalmente abandonou a escola aos dez anos de idade. Desde então, viveu isolado com sua mãe em uma casa afastada, em uma pequena vila. Deixara sua cidade natal devido a fofocas cruéis que transformaram a vida de sua progenitora em um verdadeiro inferno. Espalhavam-se boatos malignos, alegando que ela pagava por algum pecado divino, resultado de supostas blasfêmias. Um dos motivos que o levaram a não resistir à decisão de seu filho de partir.
Hoje, aos trinta anos, apenas sua mãe conseguia entendê-lo. Ele sempre ressaltou para não irem à cidade, mas decidiu surpreendê-la assumindo a responsabilidade pelo jantar naquela noite. Aquilo encheu o coração da senhora de alegria.
Sem amigos, a criança desenvolveu uma habilidade inesperada para a costura, que se tornou a única fonte de sustento, pois o auxílio concedido pelo Governo era insuficiente para manter a energia da residência. Buscava novas alternativas desesperadamente. Acumulou cabelos encontrados em suas roupas, especialmente perto da gola, e começou a criar perucas cada vez mais realistas para sua mãe, revelando mais uma de suas habilidades.
Chegou o tão esperado dia do jantar. Ogro estava ansioso, andava de um lado para o outro. Ao trazer o leite, nem percebeu sua coloração vermelha e bebeu como se fosse suco de laranja. Arrumou a mesa com a melhor estampa xadrez, separou dois pratos e, após a oração, começaram a comer. De repente, de maneira violenta, ele se levantou da mesa e correu para cima. Sua mãe segurou a jarra e gritou com ele. Um som estranho como se estivesse empurrando algo começou a ecoar, acompanhado por um cheiro forte que invadiu o ambiente.
"Filho, quantas vezes eu já te disse para não deixar aquele gato maldito dormir aqui em casa? Olha só esse cheiro!", exclamou sua mãe, revoltada.Foi então que ele percebeu que, durante sua corrida repentina, havia colocado mais um prato na mesa. Quem seria? Pensou em diversos parentes, mas seria impossível. Jamais revelou sua localização. "Mamãe, hoje você vai conhecer minha namorada", disse ele.
Ao invés de sorrir, sua mãe tentou afastá-lo para a cadeira mais distante. O jovem carregava consigo o que seriam mais de oito corpos de mulheres costurados disforme, utilizando apenas linha, prego e corda. Era algo que nem Dante seria capaz de reproduzir. Agora, ela descobrira o realismo das perucas. Vomitou tudo o que havia comido em cima do prato. "Eu preciso acabar com esse monstro."

INSPIRAÇÃO
Ps: A imagem do conto foi criado por intermédio de uma IA, SEAART AI, digitei "Criar imagem realista de uma mãe na mesa de jantar olhando com olhar de horror e espanto para o filho descendo as escadas segurando algo que não é revelado ao espectador, deixando subentendido ser horrendo e assustador like frankenstein horror book ." e obtive esse resultado.
REFERÊNCIAS
Ps: Um dos livros que o autor mais gostou de ler!
Ótimo horror. Parabéns, aguardando os próximos.
ResponderExcluirÓtima história. O final é sempre surpreendente. E eu indo por uma linha de entendimento completamente fora do contexto final. Parabéns, Gabriel!
ResponderExcluirMuito bom
ResponderExcluirEsse trecho apresenta um cenário de isolamento e dificuldades na vida do personagem Ogro, que se esforça para cuidar de sua mãe e encontrar uma maneira de melhorar sua situação financeira