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SANGUE FRIO

 "O crime é produto dos excessos sociais." Lênin

     Senti uma tremenda dor de cabeça, ao meu lado se encontrava uma pessoa imóvel, tentei balançar ela até acordar, posteriormente descobri que sua pele estava muito fria, ou seja, estava morta há horas, nada que eu poderia fazer, a coberta estava coberta por uma massa densa de vermelho, tanto minhas mãos quanto meu peito estava coberto com o mesmo material, tal fato acendeu em mim todos os temores possíveis, ainda mais quando escutei alguém tentando abrir a porta, era a faxineira, coloquei o corpo na banheira, como deixei ligado, evitaria suspeita por alguns minutos, troquei de roupa para abrir a porta. 

    Fui até o carro, busquei o material que precisava para o serviço, infelizmente não lembrava de nenhum fato da noite passada, apenas que eu seria preso caso alguma pessoa descobrisse aquele presunto, minha memória estava comprometida para recordar o nome daquela moça, quando retornei para o quarto, a senhora da limpeza já tinha saído, levaria dias até sentirem falta dela, retornei carregando uma grande mala de viagem, até ponderei deixá-la como um lego, contudo demandaria tempo precioso da minha liberdade que poderia ser posta em risco. 

     Aprovei para partir durante a noite, 21 horas, fiz o pagamento dos dias que fiquei naquele motel de quarta categoria, um empregado me ajudou a colocar a mala no carro, por conta do meu cabelo grisalho e a bengala, aparento ser bem mais velho e necessitado. O funcionário até me indagou se estaria carregando um corpo humano pelo peso anormal, apenas sorri para ele exibindo meus dentes amarelos, e brincando que nenhum assassino em série seria tão idiota para fazer uma coisa dessas, assentiu com a cabeça de maneira positiva, deixei com ele uma gorjeta expressiva.

    Jogou a bituca de cigarro pelo vidro, aumentou a velocidade da caminhonete que dirigia até chegar em mais de cem quilômetros, sentiu a vibração do volante, era engraçado, nada recordava do seu passado salvo pelos crimes que cometera, especialistas apontam que no seu caso, o cérebro é moldado para ser executado de uma maneira diferente, onde deveria ficar memórias e família é dedicado para as "vítimas'' e conhecimento de como matar outro ser humano, Desde quando sua mãe o deixou sozinho com seu pai após fugir com o amante e seu pai se enforcar, a única paixão que teve contato foi o momento de segundos que tinha com cada vítima antes delas realmente fecharem os olhos para sempre, o assassino em série disse ao policial que o interrogava: "Sabe qual é a melhor momento do crime? Não é nem antes ou depois, mas durante o ato, você observar aquele olhar de terror sabendo que será a última coisa antes de partir desse mundo, ahhh, isso sim é uma sensação que me deixa extasiado, para quem nunca matou ninguém farei uma analogia, no meu corpo funciona como se tomasse uma coca-cola bem gelada.''

 



INSPIRAÇÃO
     
     A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. Esforcei-me para mostrar a realidade de um assassino em série após acordar e não recordar nada sobre o crime ou sua vítima, além disso, partindo de incentivo moderno do terror, é explícita a crítica social por trás do personagem; enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
 

REFERÊNCIAS: 

1. Série Dahmer: Um Canibal Americano da Netflix (MAIOR INSPIRAÇÃO); 
 
2 - Filme Amnésia, o primeiro longa dirigido pelo exímio Christopher Nolan;
 
Ps: A imagem do conto foi criado por intermédio de uma IA, wombo.art, digitei" blood serial killer room'' e obtive esse resultado. 

 

        

Comentários

  1. Samara Fernandes Leite23 de setembro de 2022 às 11:39

    Ótimo texto, além da inspiração a criação do personagem que se utiliza da fragilidade como disfarce é muito perturbador.

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  2. Assistindo alguns judgment só posso disser que a forma de não lembrar e uma Estratégia usada por bastante assassino para fugir da culpa

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