"Inventamos horrores fictícios para nos ajudarem a suportar os reais." Stephen King
Desde criança, quando conheci o que era um balão, sempre enxerguei uma criança da mesma idade que eu, segurando três balões, dizia para meus pais, na época sempre alegaram ser coisa de criança, até coloquei um nome no meu amigo, "anjo'', pois uma noite antes de finalmente cair no sono, falou bem baixo em meu ouvido "NÃO VÁ PARA ESCOLA AMANHÃ". Era a primeira vez que escutei sua voz, estranho, pensei ser um som da minha cabeça, mas era algo externo, e outro fato que fez eu arregalar os meus olhos é que se comunica muito baixo, até parece minha vovó falando. Sei como meus pais são com escola, por essa razão passei a noite acordada assistindo desenho, foi impossível ser acordada, permaneci em segurança, só estranhei o fato dos meus pais, não permitirem eu ver televisão, pois adorei sempre assistir o jornal após o almoço, descobri posteriormente um fato intrigante.
Naquele dia que eu não fui à escola, ocorreu um atentado que deixou muitos estudantes mortos, para ter uma noção, da minha sala, nenhum saiu vivo, nesse momento olhei para o meu amigo, estava onde sempre permanecia, de costas para mim, quando olhei novamente, apresentava o dedo indicador posicionado sob os lábios, respirei fundo e caminhei devagar até alcançar a porta. Será que ele seria o meu anjo ou algo pior, deve ser aquilo que dizem na bíblia, como é mesmo o nome? Anjo da guarda, por essa razão apenas consigo visualizá-lo.
Uma noite, estava muito zangada com uma amiga por escolher sair com quem tinha interesse no baile, deitei na cama ainda com a roupa do corpo, nesse dia estava tão vermelha quanto um tomate, e por conta do sono adormeci ali mesmo, tomada de uma raiva enorme, tive um sonho muito estranho, era como se tivesse me tornado espírita, não estava na minha residência, acompanhava os olhos de outra pessoa, me deparava com um ser monstruoso, deformado, não andava da maneira natural, a cada passo que dava rangia um osso do corpo, como se estivessem soltos, uma voz baixa me disse" Amanda, faça a vontade de Deus.''
Despertei no dia seguinte com o cobertor banhado em suor, gritei o mais alto que pude, ao lado da cama, havia uma poça enorme de sangue, inclusive na minha roupa, e sinais de cortes em minhas mãos. Em horas, após ter saído do banho e ter dado início na limpeza dos "vestígios'', a polícia bateu na minha porta, falaram que seriam apenas algumas perguntas, pois haviam encontrado provas incontestáveis, trocas de mensagem entre mim e a vítima, inclusive a minha geolocalização que se confirmou meses depois; Atualmente me encontro em uma sala quadrada branca, tenho contato mínimo com a sociedade, o meu principal passatempo por aqui, é desenhar no meu tempo livre e conversar com os colegas de branco, nunca revelei para o meu psiquiatra, mas o comprimido não está funcionando, pois ainda enxergo a mesma criança que me acompanha desde os primeiros passos.
INSPIRAÇÃO
https://tocomvontadedescrever.blogspot.com/2020/09/o-despertar.html TEMA SIMILAR

Ótimo texto, parabéns.
ResponderExcluirAdorei as referências da formação da realidade para a criança.
Conheço a Rejane e amo suas fotos. Parabéns pelo texto, vou seguir a referência e assistir o filme também.
ResponderExcluirÓtimas referências e uma narrativa excelente!
ResponderExcluir