"Uma coisa que humanos possuem e outras criaturas não: temos segredos." Osamu Dazai
Acabei de chegar do trabalho no mesmo horário da minha irmã, estava muito cansado para sair, por esse motivo, decidimos pedir pizza, nesse ínterim, minha mãe tomou banho primeiro, posteriormente minha irmã e eu por último, pois meu pai ainda não retornara do serviço. Escutei uma voz leve me chamando do segundo andar, solicitando a toalha, quando subi as escadas, gritei por alguém, e até mesmo verifiquei os banheiros, e cada um estava aberto sem sinal de ter sido usado, quando virei para descer a escada, tomei um susto, pois vi minha mãe de repente na minha frente, apenas ressaltou para eu cuidar onde ando, a partir desse momento, escutei o som da porta se fechando, o som da água caindo, e para minha surpresa, senti o cheiro de algo queimando, desci o mais rápido que pude, até encontrar algo na cozinha.
Ali permanecia minha irmã, de seis anos, não sei de qual maneira, mas conseguiu ligar o fogão, a chama já estava levemente alta, quase encostando em uma toalha muito grande que mamãe sempre deixava por trás do forno, ela sempre ressaltou que aquilo manto, é praticamente hereditário, está há gerações na família, repreendi a pequena, saiu chorando dizendo que ainda pagaria por aquilo, falei ser extremamente perigoso, pessoas da idade dela, apenas falou em voz alta que o ursinho dela dizia o oposto, coisa de criança falar com animal de pelúcia. Nesse momento, a mãe já havia tomado banho, estava se secando diante de um grande espelho, com a toalha enxugava a ponta de cada dedo do pé, quando reparou novamente, viu no canto inferior direito, a imagem distorcida da sua própria filha, quando virou de maneira rápida de violenta, viu um ser pequeno, com a metade do tamanho que uma criança, aquele ser não tinha olhos e nem boca, mesmo assim emitia um som agonizante, tentava a todo custo abrir a porta, entretanto, sem sucesso, escutou o barulho de botas, gritou por ajuda, Esmeralda, apenas se aproximou da porta, e informou que o seu ursinho também desejava brincar com ela nesse momento.
Perdi a noção do tempo, após a pizza chegar, eu e meu pai nos sentamos no sofá, comendo pizza, bebendo cerveja, e assistindo o final do campeonato, dentro de vinte minutos, todos sofremos um sono monstruoso e apagamos como se estivesse entrado em coma, não sentia nada, e nem sonhava, me sentia em limbo, um lugar escuro ao máximo, com a única possibilidade de som era por conta de barulhos estridentes de um objeto desconhecido, mas que causava dor considerando o som de outros seres após terem um contato; senti minha blusa ficar molhada, em poucos segundos julguei ser sangue tomando conta do meu corpo em decorrência de um ferimento mortal, quando abri os olhos, papai havia sumido, apenas minha irmã empurrava meu ombro, o que senti foi água do segundo andar, banheiro dos meus pais.
Era difícil andar pela casa, meus olhos ardiam, minha irmã rompeu até o seu quarto, ou seja, fiquei sozinho ali novamente, para meu azar, alguém havia derramado um líquido por toda casa, quando liguei a luz da cozinha, uma chama surgiu da faísca gerada, causando o primórdio de um incêndio que na opinião de muitos seria fatal e provavelmente de origem criminosa, naquele momento nem pensava em nada sobre isso, minha única meta seria salvar minha família. Chegastes até onde meus pais estavam, um enorme pedaço de madeira caiu sobre eles, não tinha forças para levantar, o telefone não tinha nenhum sinal; ouvi gritos do segundo andar, quando corri para fora, vi em uma situação árdua, deveria escolher apenas uma para resgatar, optei por quem teria mais tempo de vida, resgatei, a outra não resistiu na queda, quando olhei novamente para minha mão esquerda, ali, existia apenas um pequeno urso de pelúcia banhado por álcool, senti o forte odor e quase vomitei, aquele embrulho no estômago desejando elaborar o caminho inverso.
Uma vizinha que passava naquele momento presenciou todo o momento, ainda mais quando abri a outra mão e descobri ser eu quem estava com a caixa de fósforo desde o início, ou seja, de qualquer maneira jamais constataria a luz natural novamente; foi nítido o choque daquela senhora, levou a mão até o queixo e abriu a boca o máximo que pode, e até pude ouvir o que os seus lábios pronunciavam "ASSASSINO, o inferno é pouco para o que acabou de realizar seu imundo.'' Não vi outra escapatória a não ser essa, corri novamente para dentro da minha residência, o som da minha voz acordou toda a vizinhança da sua bela noite de sonho. Quem acredita nessas coisas do outro mundo, julga caso você passa por lá de noite, possa enxergar uma menina do segundo andar riscando algo.
INSPIRAÇÃO
REFERÊNCIAS:

Gostei da criatividade do texto e do suspense final!
ResponderExcluirParabéns 👏💐
Ótimo texto ,prende o leitor com um misto de agonia e curiosidade.
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