"Sempre achamos que vamos ter mais tempo. E aí, o tempo acaba." The Walking Dead
O foguete tremia muito, além do cinto bem apertado, todos tivemos que segurar ao máximo na cadeira, ninguém gostaria de se tornar um novo Challenger¹, mas era apenas o medo de ser a primeira vez que tínhamos contato com uma viagem para fora do globo, é cem vezes pior do que aquela mera turbulência do avião, em nossa realidade, dentro de 20 minutos chegaremos ao nosso destino, ao planeta Vermelho, pela primeira vez em uma missão tripulada por um pequeno grupo de militares, de uma instituição privada que financiou desde nosso treinamento até nosso transporte, SpaceX. A Nasa se tornou uma lembrança dos livros de História.
Nossa viagem era acompanhada ao nível mundial de maneira simultânea, sentimos na pele o que provavelmente nossos acentrais durante as grandes navegações sentiram, especialmente o enorme medo que morrer sem deslumbrar o que buscamos. Todos acompanharam nossa viagem até aterrizarmos em solo vermelho, ouvimos a celebração do nosso lar, mas por uma ironia do destino, quando estávamos entrando na atmosfera, um detrito se chocou contra a nave, dessa maneira, a partir de então, perdemos o contato definitivo com a Terra.
Creio que na sua opinião, isso seria um motivo para se preocupar, mas estava longe do que descobrimos quando chegamos aqui, imaginamos que seríamos os pioneiros por aqui, entretanto, fomos iludidos. Vimos instalações de grande porte, pelas características arquitetônicas demostrava ser um centro de pesquisa, era tudo branco, vimos pegadas pelo solo, e sinais de pneu. Mas nenhum sinal de vida, talvez fosse problema os dados atuais, mas o meu sensor constatou algo se movendo sob meus pés. Comuniquei tal fato ao meu superior, me repreendeu, e ressaltou para não causar estardalhaço por um fato sem provas, mas vi algo no meu sensor, por isso sempre odiei ateus, nunca acreditam em fatos que na sua concepção não possa ser comprovadas consoante a ciência.
Nossa maior surpresa, bandeiras da China², eles enganaram o mundo inteiro, crendo que jamais retornariam para novas incursões em sua estação espacial, nada melhor do que usufruir de um planeta inteiro para colonizar e descobrir novas formas de vencer o capitalismo, não acha? Quando entramos para examinar uma cabana, com sinal de uma cruz, lentamente, abrimos a porta, foi necessário um grande esforço físico, quando entramos, descobrimos o motivo, tentavam bloquear com inúmeros objetos, mas qual seria o medo quem estava lá dentro?
Andamos, tentando encontrar qualquer resquício de vida, não achamos nada, a não ser um cheiro horrível, mesmo com nossa roupa, podemos sentir aquilo, quando voltamos para nossa nave, os outros sumiram, quando olhei rapidamente em 360º, o soldado que estava ao meu lado, correu o mais rápido que pode, até ficar diante de um lugar bem alto, fui atrás dele, gritando para retornar agora mesmo, se não usaria a força se fosse necessário, não escutou nenhuma ordem minha, parou do nada, ficou de joelhos, como se estivesse falando com alguém, apontei a arma para ele, quando virou para mim, tinha estava segurando algo, deixei a arma cair, não poderia ser possível, era sua filha³, entretanto, ele mesmo disse que morreu há cinco anos, e o pior, não apenas ele enxergava, mas eu também.
Agora comecei a compreender por qual razão não achamos ninguém, todos foram hipnotizados e mortos sem usar de nenhuma violência, eu não morrerei hoje, ainda mais tão longe da minha casa, peguei novamente a arma, com lágrimas nos olhos, atirei em sua "filha'', ficou como se estivesse dominado pelo próprio demônio, começou a correr em minha direção, não exitei, puxei lentamente o gatilho, até cair o cartucho.
Voltei para nave, precisava o mais urgente, partir daquele local infernal, creio que eu não tinha nenhuma alucinação, pois jamais, perdi alguém que amasse, além disso, apontam que o amor pelo seu próprio descendente é mais forte que tudo, e como nunca tivesse desejos pela maternidade, tenho um antídoto indireto para não ser afetada.
Quando iniciei o procedimento, apertei os botões, dentro de vinte segundos partir para nunca mais retornar. Fechei a porta, digitei o código cinco vezes, para informar correr perigo de vida, e pular o procedimento de segurança antes de iniciar os motores. Observei pela janela, uma pessoa, estava bem longe para ser possível descobrir quem seria, vi novamente, aquela mesma criança, indo em minha direção, SEIS; CINCO; QUATRO; TRÊS; DOIS; UM; A nave começou a subir nem via mais nenhum sinal daquela pedra vermelha. Quando estava vencendo a barreira da atmosfera, olhei pela janela, e vi minha avó, ela morreu quando eu era bem criança, mas éramos muito próximas, para evitar qualquer problema, com lágrimas nos olhos, peguei uma faca, agora, não teria mais nenhuma alucinação, contudo, nesse ínterim movi o manche para baixo, e apenas senti um grande solavanco, não sei como, não morri pela força do impacto.
Menos mal, estava presa, e morreria ali, quando o oxigênio acabasse, quando abri os olhos novamente, jamais saíra do chão, furei os olhos do capitão que tentara me alertar, atrás de mim, aquela doce criança, se tornou uma mulher adulta, na faixa dos trinta anos, suas mãos eram garras longas de oito centímetros, vestia um uniforme rosa, e exibia um rosto maquiavélico, minha primeira reação fugir, foi em vão, saíram sete tentáculos das suas costas, tentava me segurar em qualquer objeto que se encontrava fixo, gritei, mesmo sabendo que não esboça nenhuma reação, porque ali ninguém iria me resgatar, estava me colocando em sacos roxos, para eu sofrer a metamorfose que sofrera, segundo ela, eu me tornaria o verdadeiro organismo perfeito4.
INSPIRAÇÃO

Texto muito rico em intertextualidade. Parabéns ficou muito bom!
ResponderExcluirA idéia de mesclar terror e ficção científica foi excelente.
ResponderExcluirE o final nos causa uma certa surpresa ao fugir dos clichês.