"Liberte-se da escravidão mental, ninguém além de nós pode libertar nossas mentes!" Bob Marley
Despertei com grande medo, olhei rapidamente para os dois lados antes de realmente me certificar onde me localizava, sentia o coração batendo mais forte que o normal, suava muito, minha roupa de dormir estava igual quando você é criança e dorme após beber água, olhei pela janela, era Ano Novo, presumi que os fogos de artifícios me acordaram, tal fato seria relatado na próxima consulta.
O dia ocasionalmente ocorria sem nenhum evento grandioso, passava grande parcela das minhas horas de vida, ou o que restavam delas, dentro do meu apartamento, não tive filhos, e a única mulher que namorei me trocou quando fui convocado, desde então, não defini um relacionamento amoroso como prioridade; mas às vezes, sentia um vazio interno, aquele que jamais fora preenchido, talvez por esse outro motivo, tenha atenuado o meu estado quando me tornei mais isolado.
É incrível nossa memória, não acha? Quando sonho, estou recebendo ordens, daquele maldito tenente, consigo sentir o mascado na fala de dizendo que fumou quase uma cartela antes de proferir "palavras de coranges'' antes do nosso ataque, naquele período, ele era gordo, em nosso pelotão espalhou-se o boato que era tão grande que nem o próprio pau conseguia ver; mas essa imaginação quando estou dormindo, é apenas 4% feliz ou de momentos de descontração. A maioria é descrita pelo verdadeiro inferno na Terra, o som ensurdecedor da artilharia inimiga varrendo o chão e deixando o mais plano possível para fazer nossos corpos como ponte, o fedor de carne moída em quantidade expressiva, julgo por conta desse fato me tornei vegano; entretanto, o pior de tudo, é escutar o choro em meio a intensa lamentação de jovens que sabem o seu destino, retornar em uma bela suíte de madeira. "Entregue essa carta para minha mãe, diga que eu a amo". Interessante comentar que nem o corpo iriam conseguir identificar de quem seria ou mesmo ler a própria carta, que acabou caindo ao lado do corpo e servindo como esponja.
Outra noite, escutei um barulho vindo do armário, pude ouvir frases em alemão, peguei a pistola que guardava sempre comigo embaixo do meu travesseiro, aprendi na guerra que a pior forma de morrer seria dormindo, por isso deveria tentar evitar ao máximo essa possibilidade, atirei até o cartucho ficar vazio¹, a fumaça saia lentamente do cano da arma, andei lentamente, quando me aproximei da porta, senti meus dedos pisarem em um líquido, pulei para trás no susto, abri lentamente a porta, acertei quatro ratos que sem saber, ligaram o rádio velho que obtive em um jogo de cartas.
Desse modo, a Dra. Samara Fernandes², famosa psiquiatra, transcorria em seu relatório final sobre qual seria o sintoma do paciente, e concluiu sofrer de transtorno de estresse pós-traumático, por essa razão, argumentou no laudo que ele deveria ser internado de maneira compulsória em uma clínica mental, no final do seu texto, ressaltou a importância da música para servir como uma terapia ocupacional, trazendo à indicação de instrumentos de percussão, especificamente, um tambor³.
INSPIRAÇÃO
OBS: Serviu como inspiração para o texto, o jogo EXP: War Trauma onde descreve uma pessoa que passa por um trauma após a guerra, como descrevo ao longo do texto.
https://www.youtube.com/watch?v=QPhMahClNq0 Trailer do jogo, serviu como fonte para a descrição da residência do personagem.

Texto muito rico em sua miscelânea ao utilizar um pouco se assuntos introspectivos,em um contexto ainda hodierno,a estafa mental em veteranos.
ResponderExcluirA sensação de sufoco parece transpor a tela ,a leitura do texto realmente nos permite sentir o que o personagem vivência.Excelente !
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