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O CULTO

 "As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras." - Friedrich Nietzsche

 

    Recebi uma mensagem da minha melhor amiga, me convidando para um evento exclusivo da sua cidade natal, como estava de férias do trabalho, e realmente precisava descansar a mente após aquele fato, tomei um comprimido, antes de finalmente responder sua mensagem. Informou-me que iríamos sair bem cedo no dia seguinte, por essa razão, arrumei minha mala. Peguei uma foto dele e guardei junto da minha carteira, ainda não exterminara por completo o sentimento de saudades. 

     Amanheceu coberto de névoa e chuva densa, o irmão dela se prontificou para nos deixar no aeroporto, como acordei bem cedo estava morrendo de sono, foi questão de minutos, quando o avião decolou apaguei por completo, sonhei algo estranho, com uma idosa segurando uma faca, estava dentro de uma casa bem rudimentar, quando me aproximei dela, julguei estar cortando sobras de carne, mas quando ela se virou, notei ser oriundos de carne humana, tentei me afastar dela, despertei com minha amiga me cutucando informando que acabou de pousar.

    Dentro de três horas, indo para o interior da cidade, em uma van, comecei a ficar fascinada pelas belezas desse evento, já no caminho apresentava amostras das mais variadas pinturas, esculturas e artes bem surreais, aparentavam tão reais que até diria que foram feitas de pessoais de carne e osso, nesse momento as pessoas que estavam dirigindo o automóvel, apenas riram da minha afirmação.

    O lugar é surreal de belo, quase como se fosse elaborado pelo arquiteto Ari Aster'¹, era dividido em quatro partes, um jardim amplo, funcionava como Boas-vindas aos visitantes, no painel de madeira estava escrito Festival de Artístico XX - Baalze², pessoas portando um colar de cruz, e vestindo longos trajes nos cumprimentaram, uma mulher jovem, na faixa dos 20 anos, falou que seria minha guia, e explicou que a primeira parte azul funcionava como lugar de conexão com o seu Deus, a segunda parte, verde, funciona como provisão dos mantimentos, a terceira parte, é indicada como um desenho de um lenhador, revelando que é para aqueles que devem trabalhar em prol do movimento, e por fim, o quarto, localizado exatamente no encontro de todos os outros no centro, contendo apenas um grande mural vermelho, quando me aproximei, a guia quase me arrancou meu braço, apenas falou que ainda não estava pronto, e me alertou que me aproximar dele antes de ser iniciada, teria consequências terríveis.

    Me alonguei muito até finalmente conseguir dormir, acordei mais cedo que os demais, levantei da cama fazendo o menor barulho possível, eu queria descobrir por qual razão a mais bela obra de arte não seria acessível aos visitantes, para minha sorte a entrada estava aberta, abri lentamente a porta, o barulho não despertou ninguém, andei lentamente, usando o meu celular como lanterna, até que cheguei naquela parede, sentia criar um afeto e, ao mesmo tempo, fascínio por aquele objeto de maneira inexplicável, notei conter inscrições que não entendia nenhuma letra, aquilo era uma língua morta, pensei.

    Tirei a manta que cobria aquela obra de arte, observei ficar mais vermelho que o habitual igual à cor do sangue, me senti imóvel, apenas sentei tomada pela circustância, algo fazia com que me sentasse cada vez mais perto, mais perto, mais perto, até que finalmente estava a mera distância de um palmo, ouvi uma voz muito baixa, de mulher falando meu nome, quando aproximei meu rosto, senti algo agarrando o meu pulso, tentei com toda força retirar, mas foi impossível, sofri uma dor angustiante, o que prendera minha mão a deixou ir, pingava sangue, ainda era impossível me mover, diante de mim, o muro vermelho, revelou a face do meu falecido, falou algo que foi surreal escutar, tentava de qualquer modo parar de escutar aquela voz, furei o meu tímpano, só percebi dor e o sangue escorrendo, o som da fala não cessava, até que avaliei melhor fazer o que deveria ter feito desde o início, furar me matar furando o meu olho com a faca que me cortou.

    No ano seguinte, os próximos turistas se impressionaram pelo nível da cabeça que estava no hall principal, muitos comentavam que parecia tão real, interessante revelar que não tinha o olho esquerdo, mesmo lugar que a nossa protagonista usou para se matar, mas então o que teria a voz revelado para fazer uma pessoa tão doce se matar da maneira mais aflição possível? Jamais saberemos...

 


 

INSPIRAÇÃO

 
      A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. A ideia para esse texto surgiu após visualizar a foto da Rejane Rodrigues e grato por permitir o seu uso no blog, além disso, usei como fonte primordial para construir do texto seita o filme de terror, Midsommar - O Mal Não Espera a Noite (disponível na Amazon). Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
 
REFERÊNCIAS: 
 

1. É  um cineasta e roteirista norte-americano que dirigiu Hereditário e Midsommar, melhores filmes de terror da atualidade. 

 2. Culto indireto para uma entidade;


https://www.youtube.com/watch?v=Ui13PlmyZhQ HEREDITÁRIO 

https://www.youtube.com/watch?v=kDS3iksaaWo Midsommar - O Mal Não Espera a Noite

 OBS: O primeiro filme é melhor!

 

Comentários

  1. SAMARA FERNANDES LEITE25 de dezembro de 2021 às 08:46

    Ótimo texto.
    Trata de um assunto sombrio e ao mesmo tempo intrigante para muitos.
    Parabenizo também o lado criativo em desbravar a escrita em um tema tão moralmente evitado.

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  2. Parabéns por esse texto tão envolvente! Apesar de curto, prende o leitor do início até o fim - qualidade máxima dos bons textos! Show!!!

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  3. Sei nem o que dizer!!!!!!!! Minha foto como fonte de inspiração. Obrigada prezado Gabriel por permitir que eu me torne influência em sua arte.

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  4. Ótimo texto ! Adorei a atmosfera sombria .

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