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ALTERNATIVA

 "O fim da esperança é o começo da morte.'' - Charles de Gaulle

     Despertei coberto de suor, a luz faltou durante a madrugada, pensei, mas fui surpreendido quando escutei o vizinho aspirando o tapete, encontrei uma carta ao lado da porta, informando que por ausência de pagamento cortaram, quando abri a geladeira, as possibilidades de comida seriam ótimas caso eu fosse uma planta¹,  olhei para o relógio, deveria sair agora ou iria me atrasar para o meu trabalho, quando peguei o celular, vi que não carregou nada no aparelho portátil, isso acendeu uma leve ira em meu interior, tentei me tranquilizar, respirei fundo, e fui para o trabalho. 

    Quando estava na parada de ônibus, um carro passou em alta velocidade fugindo da polícia e fez eu me sentir o Medina, tentei ao máximo enxugar o que pude antes de adentrar no transporte público, um papel grudou no meu sapato, tive que usar força por conta de um chiclete que enaltecia agora  o meu calçado preto, li rapidamente o anúncio, uma propaganda de luta, ressaltava que paga 500 reais para o vencedor³, não dei importância, pois não tenho nenhum músculo e muito menos dinheiro para academia. Na metade do caminho, um veículo invadiu a pista exclusiva e se chocou contra o ônibus, sorte que mínguem se feriu, minha ira aumentou gradativamente, deveria tirar mais dinheiro e só chegaria 10 horas no serviço.

     Quando finalmente, estava sem um sapato, cheirava muito mal, o gerente quando me olhou apenas me mandou para o RH, não concedeu nenhuma possibilidade para explicar, por qual razão cheguei atrasado novamente na terceira vez no ano, essa é a grande dura realidade da grande maioria dos brasileiros, devem se matar para ganhar migalhas e tentar se manter feliz com isso. Quando cheguei no local, tinha uma moça ruiva, com um jeito antipático, apenas me olhou, mandou eu sentar, assinar os documentos e se mandar, pois, já contrataram um novo funcionário. Meu celular vibrou, olhei a notificação de uma gostosa que já saímos algumas vezes, indagando se estaria disponível agora para um encontro quente, comecei a digitar dizendo que SIM, todavia, meu celular descarregou naquele momento, e nunca mais ligou, pois, joguei com toda força do mundo na parede se partindo mais que a xícara³ da Scarlett O'hara.

    Quando cheguei na porta do meu apartamento, notei um papel colado, informando que se não pagasse até sexta o aluguel, iria me tornar o mais novo mendigo da região, engoli em seco, a única maneira que poderia solucionar esse problema seria daquela maneira drástica, e sem nenhuma probabilidade de volta, fui em uma loja de usados perto, vendi alguns casacos velhos e uma mesa de jantar, sem comida seria mais fácil passar para frente. Usei o dinheiro para comprar um saco de pão e o resto passei em uma loja de construção, adquiri uma corda bem resistente, a melhor para segurar um homem adulto, martelo e prego, pois a base deveria ser bem fixa, não gostaria de ter nenhum problema na hora h, não acha, leitor? 

    Organizei o material, testei a corda, peguei um banco de madeira, para observar melhor, coloquei ela em volta do meu torso, puxei levemente para ficar mais apertada como gostaria, respirei fundo mais uma vez, se desse tudo certo não teria mais problemas na próxima vez, estava tenso, chutei o banco para longe, caiu igual um pião, até que parou de rolar de um lado para outro, minhas pernas balançavam incessantemente. Minha pele começou a ficar vermelha, e após alguns minutos bem roxa, especialmente em volta da cabeça, quando soltei a corda apenas fez um barulho grave e oco, como se fosse osso se partindo. Agora poderia começar os treinos para conseguir o dinheiro do aluguel. 


INSPIRAÇÃO

 
      A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. Pensei em criar um texto de uma pessoa bastante azarada, que em nenhum momento revelasse nome ou qualquer referência física ao personagem para quem lê se sentir como ele, esse era um conto que já gostaria de elaborar anteriormente, ou seja, uma ideia antiga, como imaginou em sua cabeça, ainda mais analisando os fatos que o protagonista passa, julga que irá cometer aquele fato de última instância, ressaltei ao máximo a descrição dos detalhes para reforçar essa imagem que você tenta construir do que irá ocorrer posteriormente, contudo nesse momento crio uma realidade diversa da esperada. Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!

REFERÊNCIAS: 
 
1. Luz + água = ótimo para a fotossíntese; 

2. Inspirado na cena do Homem aranha original, quando o Petter Park, encontra um anúncio no jornal para uma luta;

3. Parte inicial do romance, E o vento levou, da escritora norte-americana, Margaret Mitchell, onde traz a cena que após a discussão com uma pessoa com interesse, a Scarlett O'hara joga um objeto na parede, nesse momento o Rhett Butler, é apresentado, enquanto tentava dormir ouviu toda a conversa de ambos. É possível ver essa cena no vídeo abaixo. 



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