"A única salvação para os vencidos é não esperarem nenhuma salvação.'' - Virgílio
Fui desperto com murros pesados na porta de madeira, tremia a cada batida, levantei-me ainda sem entender por qual razão me chamavam tão cedo, abri a porta, um oficial entrou no meu quarto, falou brevemente que o rei desejava para ontem a minha presença para solucionar o problema com um dragão, fera que muitos julgavam estar extinta, há séculos não tínhamos notícias de ataque, será que alguém teria invocado o monstro ou se transformando em um? Tentava responder em silêncio. Apenas afirmei que dentro de cinco minutos estaria lá embaixo. O militar mostrou um sorriso, revelando dentes tortos fruto de muitos anos no campo de batalha, um amarelo forte.
Vesti meu roupão rasgado, peguei meu cajado de feitiços, fiz alquimia para produzir determinadas poções que aumentariam a minha possibilidade de sucesso, consultei o livro sobre criaturas lendárias, confeccionada pelo especialista em monstros, Beowulf¹, revelava que o dragão é quase impossível de ser morto, salvo conseguindo por três possibilidades, reverter a maldição, matar a mãe do monstro, ou arrancar o coração internamente, nesse momento após analisar a situação, esfreguei o suor que se formava na minha testa, hoje seria um longo dia, por essa razão, adaptei alimentos para evitar a fome da minha barriga.
Quando cheguei no diante do trono do rei, fui informado que há quatro horas tal besta foi vista dizimando um vilarejo próximo, até eu ser notificado, já rondava pelas áreas rurais do castelo, os que sobreviveram relatam um forte odor de enxofre, infelizmente os sobreviventes lembrarão para sempre desse dia, pois o demônio deixou cicatrizes profundas de queimadura, mesmo com magia era impossível reverter o quadro, todos estavam zangados, percebi que eu seria a única pessoa que poderia trazer fim à maldição.
Solicitei o cavalo branco mais veloz, um mapa, e 12 dos melhores soldados, e 500 dracmas de ouro, o rei julgou que poderia enganá-lo, apenas reafirmei que isso seria necessário para pôr em prática o ritual, porque as pessoas pensam que os dragões buscam sede de sangue, mas não, sua busca principal é por dinheiro, são mais mesquinhos e aficionados por moedas do que um judeu².
Nem amanhecera, e partimos em direção ao monstrengo, não era muito difícil encontrá-lo, o caminho de destruição que fez era bem evidente de achar, não apenas por ser nítido inúmeros vilarejos queimados, o odor de carne queimada é horrível, difícil evitar vomitar o que comeu no café da manhã, o ardor diz algo bom, o bendito está perto, andamos mais algumas milhas, até que chegamos a uma caverna, provável ser a casa do monstro.
Falei latim puro, com a mão direita fiz sinal para cima e depois indicando o sinal da cruz, um arco azul se abriu diante de nós, quando entramos observamos uma criatura gigante, maior três vezes que o nosso castelo, quando dormia enquanto das suas narinas saia fumaça leve, a pele dele era impossível ser cortada por uma mera espada humana, detinha coloração vermelha com laranja, em camadas, escamas em toda extensão do torso até a cauda, duas grandes asas, notei serem de um material menos complexo, solicitei aos soldados que rasgassem elas, dessa forma, ficaria impedido de ter uma enorme vantagem contra o homem, odiamos quando um animal, detêm, mesmo de maneira temporária.
Quando os soldados estavam já na segunda asa, o bicho abriu os olhos, começou a se agitar, alguns soldados foram jogados com toda força do mundo na pedra pura, morriam na hora, quem não tinha essa sorte ficou gemendo de dor até ser dilacerado, alguns tentavam correr diante do perigo da morte, para evitar perseguição atoa, abriu um grande assopro de fogo, conduzindo que jovens guerreiros se tornassem pó. O monstro abriu os olhos para mim, demonstrando deter interesse especial, mostrou os dentes, exibindo ainda corpos de crianças, mulheres e soldados preso nos dentes, peguei o meu cajado e joguei um feitiço de diamante, o objeto mágico capaz de atingir essa criatura, notei que teve uma forte ferida, pois urrou de dor, caminhando levemente, pisou em mim, mas sem sucesso, até que se chocou contra duas colunas que sustentavam a caverna, gritei bem alto!? SUSPIROUS, consegui por leves minutos ainda sustentar o enorme peso sob as costas, quando fui atingido pelo seu rabo, foi impossível o manter congelado, a força que exibiu era surreal, jamais vira nada daquilo, até que grandes pedras caíram em nossa cabeça.
Quando acordei, todo meu corpo doía muito, pela minha sorte ainda estava vivo, todavia, o monstro ainda não, peguei uma espada presa em uma pedra, cortei o pedaço do seu pescoço e entrei nele, caminhando ainda pela garganta, cheguei até o coração, grande, volumoso e vermelho, a cada segundo batia ficando maior e menor, assim sucessivamente, quando quase sem forças vitais, com minhas próprias mãos arrancaram o coração dos tubos que ligavam ao resto do corpo, a dor na minha mão foi indescritível, o forte ardor, sentia como se estivesse passando a mão na lava pura, quando enfiei a espada parou de bater, contudo, para o meu azar, tal animal desenvolveu um mecanismo de defesa, começou a ser liberado fogo líquido, e por onde entrei acabou fechando por um desmoronamento, ou seja, a melhor vitória que pode alcançar é quando você troca pela sua vida³.
INSPIRAÇÃO

Sábias palavras, meu caro amigo!
ResponderExcluirTexto inovador no blog.
ResponderExcluirUm conto de fantasia bem descritivo que prende a atenção.
Não esperava pela surpresa do final.
Ótimo
Parabéns !!!!
Narrativa com ótimas descrições e referências . Final surpreendente !
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