"O racismo é a prova o quanto ainda somos primitivos.'' - César Jihad (Vulto Madhiba)
Despertei cedo, levantei-me rápido, pois estava atrasado para a escola, corri para tomar café e não perder a primeira aula. Era um dia frio, com neve em todas as ruas, adora quando acontecia esse fato natural, pois até Deus compreendeu que essa é a melhor cor, ressalta o que há de bom no mundo, e não somos desprezados, sentimento de superioridade era mentalizado em sua cabeça.
Na escola, o professor de História, ressaltava que os negros são como o judeu para a Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial, olhava em no olho de cada um, especialmente nos olhos de um pequeno grupo de cor, era nítido que não tinham muitos recursos, suas roupas não eram do momento, além disso, observei apresentarem sujeira grudada na pele, recordei dado que peguei uma esponja e tentei limpar um, no retorno para casa, a cor não saiu, mas pelo incrível que aparenta, temos o mesmo sangue, tal fato me assustou, ser “igual’’ aos seres inferiores.
Em uma palestra sobre racismo reverso, o palestrante começou dissertando sobre o aspecto na vida dos negros, mesmo na visão deles passando por “dificuldades, tudo é muito fácil, pois imaginem, apenas por me inscrever como cota para uma seleção pública, já detenho grande vantagem, e apenas preciso tirar um terço da nota que o mesmo candidato tirou na ampla concorrência, “acham correto essa atitude?’’ Por essa razão, desenvolvi a máquina COR, ao entrar nela você passa um mês nos olhos do outro, e verá como usar racismo para qualquer abordagem policial e ainda lucrar dinheiro.
Após citar dinheiro, meu espírito de Mário foi ligado, e fui um dos primeiros a ter interesse, após a aula marquei a visita, a máquina era alta, cerca de quatro metros por dois, pintada de cor branca, com uma frase inscrita no alto da entrada: “Venha conhecer o que é regredir 500 anos’’, saiba que não poderá ser revertido, salvo quando atingir trinta dias nessa maldita cor.
Senti fortes dores, dos pés até a cabeça, em particular na barriga, doía demais, quase mijei nas calças, quando sai, andei por um corredor escuro, me encaminhava para um lugar com inúmeros armários, me informaram que meu número é 66, quando abri a porta, encontrei roupa bem distante da que eu usava, ouvi uma pessoa falando que deveríamos sentir na pele, julguei ser apenas por conta das vestimentas.
Mas quando retornei para a escola, tentei entrar em contato com meus amigos, e fui surpreso por nenhum me identificar, me senti no conto a Negrinha, pensei ser apenas mito esse outro lado, apenas falaram o seguinte: “Olha, galera, não sabia que nossa escola estava tão avançada no tempo, pois estou vendo um macaco falante’’, foi quase impossível evitar reagir às ofensas. Todos imitavam o jeito de um macaco, até que me aproximei dele e dei um soco bem forte na boca, após isso me jogaram no chão, e começaram a me socar, chutar minha barriga, me segurei para não vomitar, e por fim, ainda cuspiram no meu rosto. “Vá para selva, e mande mensagem para o TARZAN’’.
Voltando para casa, foi tenso, ouvia xingamentos dos mais diversos, sempre analogias nada cômicas sobre a minha cor, até tentei me limpar no (lava) jato, mas era impossível retirar essa cor, parece que me pintaram com tinta permanente, fora os meus dentes, nenhuma região no meu corpo era mais branca, isso me entristeceu. Quando virei uma esquina, vi alguém me acusar de ter furtado comida do mercado, corri como louco, igual o cachorro quando verifica que o portão está aberto, todavia, até esse mero animal detém melhores condições do que pessoas da minha cor atual, pensei.
Um carro da polícia que fazia ronda, parou ao meu lado, já chegaram gritando com um ódio em sua fala, um dos agentes correu e me deu uma rasteira, cai com a cara no chão, coloquei as mãos para evitar algum hematoma maior, um deles fumava, “Sargento, ele é novo, não tem nenhuma assinatura. “Saiba que isso não será problema’’, sei como resolver isso. Caminhou em minha direção, quando outro me segurava e me algemava, expirou a fumaça do seu vício, pegou sua mão direita e levou em contato ao meu braço esquerdo, próximo ao cotovelo, e apertou bem forte, senti o calor infernal, lágrimas caiam em meu rosto, minha bochecha estava encharcada e muito vermelha.
Observei um vizinho da minha rua, ele é advogado, um ótimo na sua área, ele iria me ajudar é claro, gritei o seu nome, ele olha para os dois lados procurando uma voz, “Eu, me AJUDDAAAAAAAAA! Posso morrer hoje, pelo amor de Deus.’’ Ele apenas parou diante de mim, cumprimentou os agentes da segurança, elogiou a importância do trabalho deles, e apenas me informou que não era problema dele, pois desde a Lei LESS 5, foram retirados tais direitos da população que apresenta essa cor, e por serem os mais residentes dos presídios consequentemente são quem comete mais delitos.
Pelo incrível que pareça, consegui romper a força dos guardas que me seguravam, julgo que não chegou a prender minha mão na algema, por isso pulei em sua direção, arrancando sua orelha, grito de dor, horror, sangue cobrindo seu belo uniforme, agora se formava um círculo vermelho, os outros dois, pegaram rapidamente sua arma de fogo, tiraram do coldre como um duelo no Velho Oeste, e fui alvejado quatro vezes, duas no peito, e o resto no estômago, tossia sangue, em questão de segundos não tinha mais forças para ficar sentado, deitei, perdia a visão de forma gradativa.
Mas antes de partir, pude ouvir um pouco da sua conversa.
“Chamem uma ambulância, mais um caso de 548, URGENTE, o sargento foi ferido, ele faz parte da família do Governador!
“O que fazer com esse corpo? Provavelmente era um novo no cargo, apenas informou que não deveria perder tempo com um macaco, melhor matar, pois, quando cresce cria problemas enormes, ambos riram e pude ouvir o barulho intermitente da sirene.
INSPIRAÇÃO

Bom texto.
ResponderExcluirAbordando diversas referências de literaturas sobre racismo.
Cheguei a perceber referências além de Monteiro Lobato,a máquina à moda de Macunaíma.