''Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente." - William Shakespeare
O barulho do sino que ficava no alto da porta começou a bater, ou seja, indicava entrar mais uma pessoa. Uma senhora se apresentou diante de mim, me mostrou sua identidade e o papel da consulta com a indicação do exame determinado, era possível observar a rubrica do doutor Moisés. Aparentava ter na faixa dos cinquenta anos, mas pela foto e examinando sua face, nem aparentava ser tão velha, até parecia uma prima. A paciente era baixa, estava nervosa, pois o papel do exame estava amassado, olhei rapidamente em como ela olhava todos os lados, como se estivesse planejando assaltar aquela clínica ou tivesse visto um fantasma.
Meu Deus!? Não sei se irei suportar esse exame, é muito evasivo, mas segundo o meu psiquiatra essa era a única maneira de solucionar o meu grande problema, a partir daquele dia eu seria NORMAL novamente, e jamais iria ficar vendo tais vultos ou escutando aquela voz oriunda da sala, respirei fundo, a recepcionista me indicou onde era a sala 605-C, informando que deveria pegar o elevador, pegar a direita, ir até o final do corredor, lá, deveria pegar uma escada e na porta amarela e com uma cadeira na placa seria o destino.
Cheguei lá em poucos minutos, eu acho, estava tão tensa, que nem reparei nas horas, mas como vim cedo, presumi que seria chamada mais cedo, um jovem me indicou onde deveria me sentar, entreguei para ele o papel, configurou a máquina, é muito similar com aquela sendo realizada em quem apresenta problemas na visão. A única diferença, que ao invés de ver letras, você adentra um mundo novo, totalmente inesperado. Colocou em mim, um aparelho nos olhos que impedia ver a realidade, estava tudo escuro, apenas me deu uma pílula, ressaltando ser essencial para funcionar.
Interessante ressaltar que senti que apaguei, me senti na Origem, estava tudo preto, mas o cheiro era ótimo, quando tentei abrir os olhos tiveram uma surpresa, estava em um local novo, um grande jardim retangular, tinha flores de todos os tipos, coloridas, simples, até as sem cores, até senti a diferença no nariz, sentir o verdadeiro odor da natureza é surreal. Senti algo me cutucando na coxa, o sangue gelou, comecei a virar lentamente, indaguei o que seria aquilo, mas sem nenhuma resposta.
Quando virei, era ela, minha flor, a pessoa que foi tirada de mim antes de poder celebrar 8 de maio, fui tomada por lágrimas como uma cachoeira, abracei ela bem apertado, me dei um beijo no rosto, e perguntou por qual razão a deixei sozinha, falou que estava com frio, por incrível que pareça a pele dela estava como de um anjo, uma beleza celestial, senti uma pontada no coração quando me perguntou quando iria visitar ela novamente, pois sentia muito a minha falta. Fiquei de mãos dadas, com ela, minha pequena, cabelos castanhos, olhos azuis, uma beldade, sofri tanto por perder ela naquele maldito acidente, AHHH, se eu pudesse voltar no tempo, teria ficado em casa como ela tinha me pedido.
Ela correu pelo jardim, pegou um girassol, me entregou, como ela sabia ser a minha flor favorita? Presumi que deve ser o material genético que a mãe transfere para os descentes.Eu me agachei para ficar mais perto dela, me deu um beijo na testa, e me disse algo que me impediu continuar o exame.
“Mamãe, não chore, pegue essa linda flor para colocar no meu túmulo!’’.
INSPIRAÇÃO

Interessante a revelação surreal para abordar um tema crítico ao avanço tecnológico a serviço das ambições humanas.
ResponderExcluir👏👏👏👏👏
ResponderExcluirVivenciar o luto é um desafio, jamais estaremos preparados para perder quem amamos.
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