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SEXTA-FEIRA 13 ESPECIAL

 

A VOZ

       Uma criança estava deitada no sofá, horas antes seus pais foram para um evento importante, filho único, ou seja, o único que estava naquela residência. Como seus responsáveis assinaram recentemente televisão por assinatura, decidiu ficar em casa, ainda mais considerando que estava aberto, canais que não possuíam.     Deitado no sofá, em baixo de uma fina coberta, procurava alguma programação que cativasse seu interesse, até que finalmente encontrou e continuou assistindo.    

    Após alguns minutos, ouviu um barulho estranho, pensou que fossem apenas coisas da sua jovem cabeça, até abaixou um pouco o som do aparelho eletrônico, para escutar melhor, e aquilo que temia estaria confirmado, pois, ouvira a voz de uma senhora, oriunda do segundo andar chamando pelo, o seu nome. Mas como isso era possível? Se tinha total certeza que estava sozinho em casa, até aquele lugar, devagar tomando coragem para subir as escadas, tentando observar o quem era, olhando para cima, observou um vulto branco se movimentar rápido. Foi tomado por um enorme frio na espinha, que gelou todos os seus pelos, dos pés até a cabeça. Encontrou uma mulher, bem mais velha que ele, detinha trajes rasgados e um cheiro, que quase fez ele recogitar ali mesmo, ela disse: "Venha me abraçar, querido.'' Correu como uma bala para o andar de baixo, entretanto seus pais levaram a única chave, se deitou nas cobertas e tentou dormir. Despertou horas posteriores, a televisão se encontrava ligada e sem sinais daquela mulher, talvez tudo tenha sido um sonho, mas o jeito que dizia o meu nome, ainda tirava o meu sono.

    BARULHO

    Trabalhei em um Arquivo onde existia apenas eu ali, por essa razão passava muitas horas sozinho, apenas com o conforto de livros, músicas no celular e podcast se tornavam minha companhia, pois quando aparecia pessoas, geralmente era apenas para buscar determinado  documento, por essa razão ficavam poucos minutos e já desapareciam seguindo o seu cronograma profissional. 

    Há algo que até hoje não compreendo muito bem, durante um momento do tempo de intervalo, aproveitei para deliciar mais daquele bom livro que estava lendo, cheguei em um momento que o autor consegue te fisgar muito bem e não desiste do peixe, estilo o velho e mar. Estava lendo, quando do nada, escutei um barulho bastante alto, que seria impossível não notar e parar de ler. Existiam algumas lâmpadas queimadas, imaginei, que provavelmente seria esse objeto que explodiu, iria verificar no dia seguinte. Para a minha enorme surpresa, contei e verifiquei todas as luzes daquele lugar, e nenhuma tinha traços do que havia presumido, o que fez aquele barulho? Talvez trabalhar sozinho associado com ler uma obra de terror contemporânea, pode influenciar bem em nossa imaginação, entretanto, não acredito nisso, confio muito bem na evidência auditiva daquele dia.

 

CORRIGINDO O ERRO

    Assumi esse trabalho como vigia de cemitério recentemente, além da arma branca para me defender caso alguém tentasse me agredir, portava uma arma de fogo, porque fui informado que haviam doidos que tentavam furtar os corpos durante a noite ou madrugada. Hmm, talvez alguém tenha lido muito a obra principal da autora Mary Shelley. 

    Era uma noite silenciosa, além do chuvisco torrencial que caia, havia pingos de uma possível neblina que se aproximava para a tomar a cidade pela manhã, em decorrência desse fato, dificultava ainda mais meu ofício, quando começou a ficar desse modo, decidi ascender a lanterna, para minha sorte trazia fim a penumbra que atormentava minha mente, me sentia inserido dentro do cenário da (Chapeuzinho) Vermelho caso tivesse sido elaborado pelo Poe em um trabalho conjunto com Lovecraft. 

    Ouvi barulho que demonstrava que um cidadão estava realizando um tremendo esforço,  corri o mais rápido que pude, pois, em minha primeira semana de trabalho, não gostaria de ser repreendido ou até perder esse emprego por conta de um grave descuido. Encontrei uma cripta, com um homem acima dela, estava curvado um pouco para a frente, suspirei profundamente, para a minha sorte não era um ladrão de corpos.  Mas fiquei bastante curioso por qual motivo estava lá e como entrou...

    — Olá, senhor, posso ajuda-lo para encontrar o caminho da saída? 

— Claro, meu jovem. Deixa apenas corrigir um pequeno erro aqui.

— Qual seria esse erro? o indaguei.

 — Então é que infelizmente, por conta do meu sobrenome estrangeiro, erraram o meu nome nessa lápide, por essa razão estou corrigindo!

 

A PORTA

        Além de ouvir que o corpo estava naquele ressinto, o policial me deu um café forte, ainda mais, pois havia me informado que precisaria tomar algo antes de ingressar naquele quarto. Agradeci para ele, quando entrei, senti uma sensação estranha, como se algo tivesse liberado ou ocorrido algum fato naquele lugar que deixaria, Ira Levin com os cabelos em pé. Estava bastante escuro, para nossa sorte já estabeleceram a energia que foi cortada, provavelmente pelo invasor, por isso deveria solicitar para que os meus subordinados examinassem caso encontrassem alguma digital, pensei. Logo em seguida ministrei as ordens, havia dois corpos, uma de uma mulher que fora crucificada ao contrário, e alguma inscrição na madeira. A outra se encontrava no chão sem um dos pés, mutilado, vasculhamos a área e não o encontramos, apresentava sinais de corda nos braços e pernas, por conta desse fato, pensei que a autora desse delito deveria ser a enfermeira Annie, mas isso é apenas um bom livro, vamos focar no real.

     Desculpe, por conta da correria nesses casos, nem me apresentei, meus amigos de trabalho me chamam de Black, porque gosta de andar de preto, meu nome é Mariângela, apresento cabelo black, olhos castanhos grandes e marcantes( tornado difícil alguém mentir e conseguir passar por ela), além disso, mesmo dizendo que sou uma grande mulher é um fato, todavia, saiba que sou baixa, minha estatura é de 1,55. Mas não vá acreditando que sou uma pessoa frágil, pois em uma tentativa de assalto, quebrei o pulso do assaltante, talvez tenha sido o receio de morrer ou algo tenha me dominado internamente naquele momento. 

    O tempo passou, e aquele caso não apresentou mais novidades, tornando se bastante árduo o seu trabalho, estava quase para ser arquivado, com uma enorme pressão tanto midiática que cobriu e divulgou em âmbito Nacional o caso, quanto para a nossa cidade. Devemos sempre, não importa de qual método encontrar o culpado, conversei com o delegado, pois existia uma possibilidade na manga, todavia, deveria ficar apenas entre nós. Ele aceitou a proposta, era melhor que nada, e nos dirigimos novamente para aquela residência, ninguém havia se mudado para lá. Havia solicitado apenas os melhores polícias e ex veteranos de guerra da região, pois caso desse ruim, teríamos que matar a criatura, antes que fugisse.

    Adentramos aquele quarto, nem parecia com o lugar de um delito hediondo. Coloquei uma mesa pequena no centro, abri a mochila que carregava comigo para essas situações, peguei um objeto de madeira fina, mas poderia ser  maleável, quando abri, todos ficaram surpresos, nenhum que estava lá pensou que essa era a saída. Me chamaram de doida, louca, bruxa haha, mas sabiam que, no fundo, funcionavam, em breve iriam apenas respirar fundo e engolir em seco sua própria descrença sobre minha técnica.

    Montei o tabuleiro de ouija, antes de iniciar, comentei sobre as orientações que nenhum deles, deveria em hipótese nenhuma, quebrar o círculo que estávamos realizando por intermédio das mãos e risco prévio no chão, inserido dentro de um pentagrama, notei alguns homens, inclusive os ateus fazendo o sinal da cruz, todos deveriam sentir medo mesmo. Ressaltei que hipótese nenhuma deveria indagar para a entidade, sobre como foi sua morte; o que sentiu nesse momento e de forma indireta convidar para aparecer ou adentrar.

    — Qual o seu nome?

    — A-M-A-N-D-A, a vítima... Então deve saber quem a matou, presumo.

    O que significa aquela palavra escrita na cruz? Indaguei o que fosse do outro lado, pois ainda tinha enormes dúvidas que fosse quem realmente esperávamos, pois é como uma conexão bluetooth, outros podem encontrar e se conectar ...

    - P-O-R-T-A 

    Até que alguém sem a minha permissão falou: "Porta, aberta''. 

      

   Naquele quarto, estava cerca de 8 agentes da segurança, incluindo o delegado local, um de nossos membros começou a tremer e emitir sons estranhos, mas que eram familiares para mim, pois não eram desse mundo, ele foi dominado por um demônio forte. Nem a força de todos conseguiram segura-lo, jogou alguns homens na parede. Ouvimos o barulho do rompimento de ossos, gemidos de dor, até que desapareceu na escuridão, e em segundos nos deixou em completa escuridão.

    Era difícil olhar no escuro, apenas via o vulto de um corpo, já sem alma que andava ao contrário, como a cena emblemática do exorcista, mas vendo com os próprios olhos eram bem mais atormentador, conseguia correr mais do que nós. Avisamos o grupo que ficou no primeiro andar pelo rádio, apenas ouvimos ruídos e gritos de tremendo horror, não chamamos a vítima, mas sim uma entidade bastante poderosa, única maneira seria tentar matar ele, avisei para aqueles que estavam comigo, era quase impossível, acertar algo que era mais rápido do que os olhos humanos.

    Corremos rápido para o andar de baixo, o que vimos lá, é quase fruto de uma criação do diretor Sam Raimi, sangue, tripas, pedaços de corpo mutilados (principalmente os membros superiores), acredito que seja a tentativa do autor de evitar ser morto pelas armas, o chão inicialmente era branco, mas agora estava tão pintado com vermelho que a Carrie no baile. Eu vi, ele, começamos atirar, e foi questão de minutos, cada piscar de olhos, o visse dilacerando uma nova vítima quase como se fosse o que restaria de uma pessoa se tentasse enfrentar uma fera selvagem, fui ferida por ele na barriga, andei e apaguei.

    Não vi nenhum sinal dele, mas encontrei o corpo já sem nenhum movimento lá entre os mortos. Avisei pelo rádio, chegaram novas tropas, exigi uma nova busca nas paredes da casa, algo me revelava que seria encontrado o objeto do crime, foi quase que uma premonição, o autor foi quem ceifou todos menos eu, mas por qual motivo, tentava ao máximo me lembrar dos fatos, mas não vinha nada em minha mente.

    No mês seguinte esse fato, após tomar uma, ducha, coloquei a roupa para ir dormir, mas antes fui ao banheiro para  escovar os dentes, tudo normal, fechando onde colocava o creme dental, minha íris alterou de coloração para aquele do demônio, minha respiração nesse momento aumentou mais que o normal, coloquei a mão para tapar a boca, fiquei totalmente sem reação, e notei uma inscrição na parede, “você pensou que eu morri? Ou por acaso, se esqueceu quem de fato me convidou para entrar? 

 

   — "Você me chamou, e eu apenas entrei, todavia, saiba que não sou mais um CONVIDADO''! 

     



 

INSPIRAÇÃO
 
  A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. Sugestão para a escrita desse texto, foi inspirado em elaborar vários textos utilizando o meu gênero favorito, e como observou incluindo referências literárias quanto cinematográficas. Há pessoas que não acreditam em tais fatos, mais dois narrados são baseados em fatos. Além disso, grato pela amiga Mariângela permitir menciona-la em um texto,  exigiu apenas que trabalhasse com investigação e sobrenatural (seu tema favorito do terror). Aproveite a sexta-feira 13!   Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!

  

Comentários

  1. Muito bommm 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻 Excelente 👍🏿

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  2. Excelentes textos, muito bem escritos e do meu gênero favorito.

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