"Todo o inferno está contido nesta única palavra: solidão."
Victor Hugo
Um astronauta acorda de seu sono induzido só para descobrir que sua nave está sendo devorada e
arrastada para uma região vermelha do espaço. Enquanto flutua em direção ao painel de controle,
sente um baque.
Perdera toda a comunicação.
Ele se depara, ainda grogue, com um vasto planetoide também vermelho piscando em sua tela e cuja atmosfera fora escaneada como sendo semelhante à da Terra. Decide, emergencialmente, pousar para poder pensar com calma em sua atual e desesperadora situação.
À distância, após o tranquilo pouso, nota o que parece ser outra embarcação e decide sair para investigar.
Ele é imediatamente atingido por uma música ambiente ao sair da nave, com o que parecem ser berros e rugidos altos hora ao fundo e hora se sobrepujando ao som. Tais sons guturais o fazem se sentir tonto e desorientado.
Ele vai em direção à outra nave, ainda assim, notando agora ser uma nave de pouso espacial mais antiga da URSS.
Meu Deus, há quantos anos já não há União Soviética! – Ele pensa. – A nave deve estar
arruinada por dentro.
A porta está aberta. Ao entrar, ele nota um esqueleto fossilizado deitado há muito sem vida em um traje espacial apodrecido, parecendo perdido em meio à escuridão da nave e dessa sensação de vazio tão estranha.
Ao lado dele, o astronauta nota uma pasta de arquivos intitulada Projeto Morte Vermelha, dentro da qual descobre páginas e mais páginas a contar sobre como a URSS já conhecia essa região do espaço e enviara várias sondas e missões para esse mesmo local, na esperança de coletar amostras do misterioso vermelho que cobria o planeta e seu redor.
arrastada para uma região vermelha do espaço. Enquanto flutua em direção ao painel de controle,
sente um baque.
Perdera toda a comunicação.
Ele se depara, ainda grogue, com um vasto planetoide também vermelho piscando em sua tela e cuja atmosfera fora escaneada como sendo semelhante à da Terra. Decide, emergencialmente, pousar para poder pensar com calma em sua atual e desesperadora situação.
À distância, após o tranquilo pouso, nota o que parece ser outra embarcação e decide sair para investigar.
Ele é imediatamente atingido por uma música ambiente ao sair da nave, com o que parecem ser berros e rugidos altos hora ao fundo e hora se sobrepujando ao som. Tais sons guturais o fazem se sentir tonto e desorientado.
Ele vai em direção à outra nave, ainda assim, notando agora ser uma nave de pouso espacial mais antiga da URSS.
Meu Deus, há quantos anos já não há União Soviética! – Ele pensa. – A nave deve estar
arruinada por dentro.
A porta está aberta. Ao entrar, ele nota um esqueleto fossilizado deitado há muito sem vida em um traje espacial apodrecido, parecendo perdido em meio à escuridão da nave e dessa sensação de vazio tão estranha.
Ao lado dele, o astronauta nota uma pasta de arquivos intitulada Projeto Morte Vermelha, dentro da qual descobre páginas e mais páginas a contar sobre como a URSS já conhecia essa região do espaço e enviara várias sondas e missões para esse mesmo local, na esperança de coletar amostras do misterioso vermelho que cobria o planeta e seu redor.
A essência dele.
Quando uma das amostras voltou, eles perceberam que isso causava alucinações e destruía mentalmente qualquer um que tivesse o azar de entrar em contato com a substância.
Os soviéticos, então, - o astronauta pensou - planejavam extrair lotes na esperança de projetar uma arma de destruição em massa, que erradicasse a vida com algo diferente da radiação!
Enquanto os soviéticos despejavam milhões e milhões de dólares neste programa de armas, o tempo os alcançava e sua poderosa URSS entrou em colapso!
Sussurros estranhos trouxeram o astronauta de volta à realidade. Ele se vira para encontrar o que parece ser uma pessoa andando por uma colina vermelha próxima, acenando-lhe a seguir.
Ele corre em direção à figura, atordoado com a vasta quantidade de informações absorvidas em tão pouco tempo, e os gritos ficam cada vez mais e mais altos. Ele para por um momento, apoiando suas mãos nos joelhos para tomar fôlego, mas ao se levantar percebe que a figura misteriosa desapareceu.
Ao chegar ao topo da colina, seus olhos se arregalam e o queixo cai quando ele olha para o horizonte.
Um oceano de cadáveres gritando em pura agonia.
Ele cai de joelhos.
Sua cabeça se torna um doloroso peso e visões indescritíveis de horror passaram por sua mente.
Meu Deus, enlouquecerei! – Ele pensa, conforme as visões lhe invadem a mente como ondas
do mais puro sofrimento.
Ele lentamente se vira, tentando fugir daquilo, apenas para se deparar com uma criatura.
É incapaz de distinguir bem suas formas, pois a criatura lhe parece tão embaçada quanto estática na televisão. Como se sua mente não conseguisse compreender a coisa sobrenatural complexa que estava olhando.
Em sua percepção, ainda assim, a criatura ri quando o empurra daquela colina vermelho-sangue para o mar sem fim de corpos.
Ele grita quando o arrastaram ainda mais para as profundezas que parecem feitas de pura carne viva e rugindo.
Fica claro para o solitário astronauta que o que consideramos o inferno não é um poço de chamas no chão.
O inferno – ele lamenta – sempre esteve acima de nossas cabeças o tempo todo. Não há condenação se o tempo não existe. Não há dor física interminável e agonizante, mas sim um sofrimento psicológico horrível que faz você sentir sede de dor e morte, com apenas um fiapo de esperança de que algo venha e acabe com sua existência inteiramente.
A União Soviética não encontrou uma região oculta cheia de armas com potencial para destruição em massa.
Quando uma das amostras voltou, eles perceberam que isso causava alucinações e destruía mentalmente qualquer um que tivesse o azar de entrar em contato com a substância.
Os soviéticos, então, - o astronauta pensou - planejavam extrair lotes na esperança de projetar uma arma de destruição em massa, que erradicasse a vida com algo diferente da radiação!
Enquanto os soviéticos despejavam milhões e milhões de dólares neste programa de armas, o tempo os alcançava e sua poderosa URSS entrou em colapso!
Sussurros estranhos trouxeram o astronauta de volta à realidade. Ele se vira para encontrar o que parece ser uma pessoa andando por uma colina vermelha próxima, acenando-lhe a seguir.
Ele corre em direção à figura, atordoado com a vasta quantidade de informações absorvidas em tão pouco tempo, e os gritos ficam cada vez mais e mais altos. Ele para por um momento, apoiando suas mãos nos joelhos para tomar fôlego, mas ao se levantar percebe que a figura misteriosa desapareceu.
Ao chegar ao topo da colina, seus olhos se arregalam e o queixo cai quando ele olha para o horizonte.
Um oceano de cadáveres gritando em pura agonia.
Ele cai de joelhos.
Sua cabeça se torna um doloroso peso e visões indescritíveis de horror passaram por sua mente.
Meu Deus, enlouquecerei! – Ele pensa, conforme as visões lhe invadem a mente como ondas
do mais puro sofrimento.
Ele lentamente se vira, tentando fugir daquilo, apenas para se deparar com uma criatura.
É incapaz de distinguir bem suas formas, pois a criatura lhe parece tão embaçada quanto estática na televisão. Como se sua mente não conseguisse compreender a coisa sobrenatural complexa que estava olhando.
Em sua percepção, ainda assim, a criatura ri quando o empurra daquela colina vermelho-sangue para o mar sem fim de corpos.
Ele grita quando o arrastaram ainda mais para as profundezas que parecem feitas de pura carne viva e rugindo.
Fica claro para o solitário astronauta que o que consideramos o inferno não é um poço de chamas no chão.
O inferno – ele lamenta – sempre esteve acima de nossas cabeças o tempo todo. Não há condenação se o tempo não existe. Não há dor física interminável e agonizante, mas sim um sofrimento psicológico horrível que faz você sentir sede de dor e morte, com apenas um fiapo de esperança de que algo venha e acabe com sua existência inteiramente.
A União Soviética não encontrou uma região oculta cheia de armas com potencial para destruição em massa.
Eles encontraram a localização do inferno.
INSPIRAÇÃO
A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. Sou um grande fã do gênero de horror, tanto no cinema quanto na literatura, e decidi desenvolver um texto que explora esse tema em um ambiente espacial — um projeto que pretendo aprofundar futuramente. Para esta narrativa, busquei inspiração no jogo de terror Dead Space e na obra do mestre do horror norte-americano, H.P. Lovecraft. Também inseri uma analogia política que remete ao final da Guerra Fria, e utilizei o filme Alien: O Oitavo Passageiro como referência para a ambientação claustrofóbica e as descrições de cenário. Enfim, caro leitor (a), espero
que sua leitura seja prazerosa!
10 de julho de 2020
https://www.youtube.com/watch?v=Secfn81KB8k TRAILER DO JOGO
https://www.youtube.com/watch?v=6aGlNeIFeHM&t=1s Inspiração do conto e canal do autor

Um ótimo texto
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