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ATAQUE A PEARL HARBOR - CAUSA E REPERCUSSÃO

Nesse capítulo serão discutidos quais foram as principais causas e ambições que levaram ao Japão entrar em Guerra contra os Estados Unidos da América. 
Analisando o contexto histórico pré-guerra do Pacífico para compreender quais foram os fatores que levaram à tal conflito na América do Norte, e sua aplicação para entendermos a dimensão da batalha de Pearl Harbor. 

 ⦁     Causa do ataque surpresa 

Nesta seção será discutido qual foi o motivo desenvolvido para os japoneses atacarem os americanos em Pearl Harbor (é uma base naval dos Estados Unidos e o quartel-general da frota norte-americana do Pacífico, na ilha de O'ahu, Havaí, perto de Honolulu.) 
Para dissertar sobre a batalha de Pearl Harbor é necessário fazer algumas observações sobre o contexto histórico que o Japão se encontrava antes da Guerra do Pacífico. 
O Japão iniciou a sua expansão com a Indochina Francesa, onde venceu a batalha contra ela e instalou um governo compartilhado. Inglaterra estava preocupada com a situação no Oriente, mas não podia fazer muito, pois estava demasiada ocupada com a Alemanha, então pediu assistência aos Estados Unidos. Contudo a ação americana se restringiu a bloquear os fundos do Japão nos Estados Unidos e a embargar combustível para a aviação, sucatas de metal e outros produtos estratégicos. 
Com o agravamento das pressões nacionalistas, os políticos e empresários foram tomadas por uma febre militarista, que buscava a expansão pela força das armas. O acesso às fontes de matérias-primas e a obtenção de novos mercados para os fabricantes japoneses foram considerados necessidades urgentes. 
O Congresso Americano aprovou em julho de 1940 uma lei regulamentando as licenças de exportação, a venda de aviões aos japoneses foi cortada, apesar de o fornecimento de ferro e aço continuar até o outono e de a exportação de petróleo não ter sido suspensa ainda, em breve teria ocorrência para tentar enfraquecer os japoneses. A situação do Japão não era diferente nos anos imediatamente anteriores à Segunda Guerra Mundial. O país tinha emergido da primeira Guerra Mundial como a única potência industrial e militar do Extremo Oriente. Para sustentar sua indústria e alimentar sua população, necessitava de produtos agrícolas e matérias primas como ferro, carvão, bauxita, borracha e principalmente petróleo. 
  O principal fornecedor de algumas dessas matérias primas, como o petróleo e a sucata de metal, eram os Estados Unidos. Nos anos imediatamente anteriores à guerra, 70% dos resíduos de metais reciclados pela indústria japonesa e 80% do petróleo eram norte-americanos. 
Se o Japão fosse de alguma forma privado do acesso a esses recursos estratégicos, seria obrigado a optar entre dois destinos, ambos sombrios: desaparecer como potência, arcando com o perigo que essa queda poderia representar para seus dirigentes e para a “divina’’ figura do imperador; ou empreender uma guerra desesperada contra aqueles que estivessem impedindo seu acesso às fontes dos recursos estratégicos 
Desde que iniciou sua guerra de ocupação na China, o Japão foi confrontado, no campo diplomático, com os Estados Unidos, que tinham seus próprios interesses e planos para a China. Embora a maioria da população norte-americana fosse contra a intervenção de seu país no conflito mundial, o governo sabia que deveria apoiar o Reino Unido em sua guerra contra a Alemanha. 
Entre outras coisas, isso implica proteger os interesses britânicos no Extremo Oriente para que o Reino Unido pudesse se concentrar em defender suas próprias ilhas britânicas. Dessa forma, os Estados Unidos deveriam manter uma postura firme diante do expansionismo japonês. 
Em julho de 1941, as sanções econômicas (ações que restringem as relações comerciais de outras nações com o país punido. Este tipo de sanção pode ser ocorrer na forma de embargo econômico, que consiste em restrições de comércio e comercialização dirigidas ou não a setores específicos da atividade econômica.)  contra o Japão chegaram ao ápice com o congelamento de bens dos japoneses nos Estados Unidos e o embargo total do petróleo. 
Os EUA encararam essa extensão do poder do Eixo no Sudeste Asiático como intolerável, e aplicaram severa pressão econômica sobre o Japão, cujo comércio e abastecimentos dependiam inteiramente das comunicações marítimas. Foi esse conflito que levou à guerra entre os dois países. O ataque japonês a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941 tornou a guerra mundial. Dentro de poucos meses, os japoneses tinham tomado todo o Sudeste Asiático, continental e insular, ameaçando invadir a Índia a partir da Birmânia no Oeste, e o vazio Norte da Austrália a partir da Nova Guiné. (HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos – O Breve Século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995 p. 47-48.) 
Diante dessa situação, havia apenas duas saídas possíveis para os japoneses. Uma delas era aceitas as exigências norte-americanas e, assim, desacelerar o progresso de sua própria economia e também renunciar a sua segurança nacional, que sempre esteve relacionada com ao controle da Manchúria e da Coreia. 
A outra opção era iniciar, o mais rapidamente possível uma guerra contra os Estados Unidos e seus Aliados que possuíam domínios no sudoeste do Pacífico, uma vez que as reservas de petróleo que restavam ao Japão eram suficientes para 18 meses. Nesse contexto, e levando-se em conta a história do Japão até aquele momento, parecia claro que a única saída para o governo nacionalista e militarista seria a guerra. E esta seria direcionada para o sul, onde havia abundância de recursos estratégicos de que se necessitava. A guerra iria se desenvolver principalmente em um cenário em que o Japão era considerado uma potência: o mar. 
Apesar disso, os próprios governantes que iriam colocar o Japão na Guerra sabiam, que não poderiam vencê-la. Presumia se que iriam enfrentar uma potência industrial que dispunha, em seu território nacional ou em seu próprio continente, de todos os recursos estratégicos dos quais eram necessários e que poderiam contar com um abastecimento seguro por meio de rotas que passavam por países aliados. 
Foi a briga entre os impérios do Pacífico que garantiu a participação dos Estados Unidos no conflito mundial. Ao longo de 1940 e 1941, os dois poderes imperiais não conseguiram chegar a um acordo sobre suas respectivas esferas de influência. 
No dia 7 de dezembro de 1941, a Força Área Japonesa fez um ataque surpresa à principal base naval dos Estados Unidos, situada em Pearl Harbor, no Havaí, danificando severamente a frota americana no Pacífico. 
Na verdade, foram o embargo ocidental (isto é, americano) ao comércio japonês e o congelamento de bens japoneses que obrigaram o Japão a passar à ação, se não queria que sua economia, inteiramente dependente de importações oceânicas, fosse estrangulada de repente. A jogada que fez era perigosa, e revelou-se suicida. O Japão talvez aproveitasse sua única oportunidade de estabelecer rapidamente seu império sulista; mas como calculava que isso exigia a imobilização da marinha americana, a única força que podia intervir, também significava que os EUA, com suas forças e recursos esmagadoramente superiores, seriam imediatamente arrastados para a guerra. Não havia como o Japão vencer essa guerra. 

⦁     Objetivo do Ataque em Pearl Harbor 

Nesta seção será discutido outras hostilidades que ocorreram no mesmo tempo em que um grupo japonês atacava em Pearl Harbor. 
Hoje, o consenso entre os historiadores é que o Japão não queria conquistar ou destruir os Estados Unidos, visto que os Estados Unidos possuem uma indústria gigante e que tem como conseguir recurso facilmente, os governantes não acreditavam na conquista do território americano. A ideia do Japão era atacar a base naval americana e assim avançar no Pacífico e assumir a dominância nesse oceano. Com o caos na Europa, iria propor uma Paz negociada para garantir as suas conquistas e recursos 
Assim, a ideia que hoje prevalece é que, com o ataque a Pearl Harbor7, o Japão pretendia apenas afastar a ameaça da frota norte-americana de superfície durante o tempo necessário para conquistar territórios no sudeste do Pacífico e estabelecer um perímetro de segurança em direção ao Leste. Em seguida, aproveitando a suposta fragilidade dos países ocidentais iriam tentar uma paz negociada que reconhecesse a posição dominante do Japão sobre o território consolidado. 
Dessa forma, Yamamoto (foi um importante almirante japonês que criou os planos de ataque a Pearl Harbor, durante a Segunda Guerra Mundial) estava ciente, desde o início de que teria de neutralizar as forças norte-americanas antes de levar suas operações adiante. Nessas circunstâncias acreditava que a solução seria um ataque aéreo a partir de porta-aviões contra a frota do Pacífico em sua própria base e coincidindo com a ofensiva no restante da linha de frente. 
O comandante da frota combinada japonesa, almirante Isoroku Yamamoto, calculava, desde janeiro de 1941, que o Japão carecia de recursos para sustentar uma guerra longa contra os Estados Unidos e que era preferível desencadear um ataque surpresa contra a Marinha norte-americana em Pearl Harbor, para destruir o poder naval do inimigo no Pacífico. 
Pearl Harbor, na ilha de Oahu, era utilizada pela Marinha norte-americana havia 40 anos. Em abril de 1940, uma poderosa frota havia se instalado ali como elemento de dissuasão, embora a base apresentasse graves defeitos: sua entrada só tinha 500 metros de largura e 12 metros de profundidade, a saída era trabalhosa e os enormes navios estavam atracados em grupos muitos vulneráveis. 
A operação foi planejada cuidadosamente, estudando uma rota não habitual10, com rádio em silêncio e ao amparo das frentes de chuva, para chegar ao Havaí num domingo de manhã. O plano foi concluído no outono de 1941 e foi aceito em 5 de novembro. 
Os aviões japoneses da primeira onda de ataque, sob o comando do capitão de fragata Mitsuo Fuchuda, tinham duas alternativas para a execução da operação, caso conseguissem ou não o elemento surpresa. No primeiro caso, os torpedeiros deviam concentrar-se sobre os navios da frota norte-americana, e o restante das unidades atacaria posteriormente o porto, os aeródromos e as bases aeronavais. No caso de não conseguir atacar de surpresa, o objetivo principal seriam as instalações aéreas, para assim impedir a reação dos caças adversários e lançar mais tarde, o ataque sobre os navios, já sem oposição no ar. 
O Japão começa então a preparar o ataque à base americana de Pearl-Harbor, visto que era melhor destruir essa base antes de atacar os Estados Unidos nas Filipinas. O ataque foi planejado meticulosamente, desligando o rádio, usando rotas não convencionais e se utilizando de frentes de chuva. 
O ataque foi realizado no dia 7 de dezembro de 1941, pegando totalmente desprevenido os Estados Unidos. A operação foi um sucesso para os japoneses, que tiveram poucas baixas, enquanto devastaram a base naval. Contudo nem tudo aconteceu como devia: os três porta-aviões da frota do pacífico não se encontravam no porto e a terceira onda de ataques prevista para terminar a ofensiva e destruir pontos estratégicos da ilha não ocorreu, o que resultou em uma recuperação rápida dos americanos posteriormente. 
Às 6h05 do sábado, 08 de dezembro, uma lâmpada verde foi agitada no deque do Akagi. Os pilotos ajustaram os seus kachimaki, uma faixa de cabeça branca com o símbolo do sol nascente na testa, que indicava que haviam prometido morrer pelo imperador. O grito de “Banzai!’’ ecoava entre a tripulação cada vez que um avião levantava voo. Apesar do inchaço, os seis porta-aviões da força-tarefa lançaram uma primeira leva de 183 aviões, incluindo caças Zero, bombardeiros Nakajima, aviões torpedeiros e bombardeiros de mergulho Aichi. A ilha de Oahu estava a 370 quilômetros. 
Os aviões circundaram a esquadra de porta-aviões e depois entraram em formação ao se dirigirem para o alvo. Voando acima das nuvens ao amanhecer era difícil perceber o seu rumo, então o comandante Fuchida Mitsuo, líder de bombardeiro, sintonizou a estação de rádio de Honolulu. 
Uma hora e meia após a decolagem, os pilotos avistaram a ponta norte da ilha. O avião de reconhecimento então noticiou sobre a presença de dez encouraçados, um cruzador pesado e dez cruzadores leves. Ao avistarem Pearl Harbor, Fuchida estudou a ancoragem com os seus binóculos. Às 7h49 deu a ordem de avançar e passou parar o porta-aviões o sinal “Tora, tora, tora!’’ A palavra código, cujo significado era “tigre’’, queria dizer que haviam conseguido surpresa total dando início ao ataque. 
Embarcações americanas momentos após o ataque: Barcos danificados com gravidade afundaram, e apenas três puderam ser reparados. O ataque deu ao Estados Unidos a chance de reconstruir suas embarcações e ingressar na guerra com recursos superiores. 

⦁   Outras investidas militares dos japoneses 

Nesta seção será discutido outras hostilidades que ocorreram no mesmo tempo em que um grupo japonês atacava em Pearl Harbor. 
O início da ofensiva nipônica no Pacífico sempre esteve associado ao ataque realizado na manhã de domingo, 7 de dezembro de 1941, contra a frota norte-americana ancorada em Honolulu. Mas, embora seja muito importante, esse fato não foi a única ação de guerra do Japão naquele dia. 
O Japão continuou com sua ofensiva agressivamente em vários pontos do Pacífico durante semanas subsequentes, enquanto os Estados Unidos passaram alguns momentos analisando sua posição. Até que alguns dos recursos perdidos em Pearl Harbor fossem substituídos, as atividades americanas ficariam seriamente restritivas a uma luta defensiva ou a ações de retardamento, ao invés de uma ofensiva. 
No mesmo dia do ataque a Pearl Harbor, as forças japonesas atacaram outras bases americanas e britânicas na Ásia Oriental e no Pacífico. Seguiu-se então uma das mais espetaculares campanhas ofensivas da História e, em meados de 1942, o Japão havia ocupado quase todas as ilhas do Pacífico Ocidental, além das Filipinas, norte da Nova Guiné, Índias Orientais Holandesas, Hong Kong, Tailândia, Malásia, Cingapura e Burma, e estava ameaçando a própria Índia, joia da coroa imperial britânica. A ofensiva foi acompanhada por atos de grande brutalidade; os japoneses tratavam como espécies inferiores todas as raças que encontravam, e os soldados que se rendiam em vez de lutaram até a morte eram considerados covardes desprezíveis para serem usados como escravos e submetidos a fome, espancamento e execução sumária. 
Em poucas semanas, as Forças Armadas japonesas avançaram sobre todo o Pacífico. Começaram por Pearl Harbor e chegaram até a costa australiana, após conquistar Filipinas, Birmânia, Malásia, Índias Holandesas e Nova Guiné. 
Às 7:55 de 7 de dezembro de 1941, horário do Havaí, 360 bombardeiros de combate japoneses atacaram os navios de guerra americanos atracados em Pearl Harbor. Quatro encouraçados foram destruídos pelo bombardeamento ou afundaram nos ancoradouros. Outros quatro ficaram danificados e onze navios de guerra foram afundados ou inutilizados. 
Não se limitando aos navios de guerras americanos, os atacantes japoneses bombardearam as bases aéreas de Pearl Harbor, destruindo 188 aviões americanos. Quando as aeronaves japonesas voltaram aos porta-aviões da 1ª Frota Aérea, deixaram atrás de si 2.330 americanos mortos ou moribundos, entre os quais 1.177 tripulantes do couraçado Arizona. 
Três outras ilhas do Pacífico foram bombardeadas no mesmo dia : Guam, Wake, e Midway, cujos aeródromos ficaram bastante danificados, enquanto no outro lado do mar da China, a 2ª Frota Aérea japonesa da Malásia. Ao mesmo tempo, em Cingapura, os ataques aéreos japoneses provocaram a morte de 61 civis, e em Hong Kong, destruíram sete entre os oito aviões alinhados no aeroporto de Kai Tak. 
Na manhã de 8 de dezembro, era evidente a escala da agressão japonesa. A esquadra americana estacionada em Pearl Harbor fora quase aniquilada. Tropas japonesas haviam desembarcado na Malásia. Nas Filipinas, um ataque aéreo contra a ilha de Luzon causara a destruição de 86 entre os 160 aviões americanos na ilha, contra apenas sete aviões de combate japoneses abatidos; o desembarque na ilha de Bataan fora igualmente bem-sucedido. No litoral da China, as tropas japonesas capturaram as guarnições americanas de Xangai e de Tientsin – na primeira, a tripulação da canhoneira americana Wake, depois de uma tentativa de afundar o navio, rendeu-se. 
As conquistas do Japão eram impressionantes; em 9 de dezembro, suas tropas ocuparam Bangcoc, capital da Tailândia, e realizaram dois desembarques na Malásia, nas cidades costeiras de Singora e de Patani. No meio do Pacífico, suas tropas desembarcaram nas ilhas de Tarawa e de Makin, no arquipélago das Gilbertas 
Ao fim de três dias de guerra, os japoneses eram donos da parte sul do mar da China e do Oceano Pacífico. Em seu ataque contra os navios de guerra britânicos, somente quatro entre os 84 aviões atacantes haviam sido abatidos. Nesse dia, a 2.400 quilômetros, nas Filipinas, dois mil soldados japoneses desembarcaram no extremo norte de Luzon e outros dois mil fizeram o mesmo em Vigan, na costa oeste. 

 ⦁    REPERCUSSÃO DO ATAQUE NOS ESTADOS UNIDOS. 

  Nesta seção será discutido as principais consequências em âmbito nacional, político, social e principalmente no âmbito militar para os americanos. 
Pois tal momento permitiu os EUA desenvolver novas técnicas de guerra que fariam uma revolução internamente no âmbito bélico, populacional, econômico e ascensão do patriotismo norte-americano. 
⦁    Impacto no aspecto Político 
             Nesta seção será discutido qual foram o reflexo para o lado político da Nação, principalmente na figura do Franklin Rooselt (Franklin Roosevelt foi o 32° presidente dos Estados Unidos. Nesse cargo, ele foi eleito quatro vezes governando o país entre os anos de 1933 a 1945. Ele foi o primeiro presidente dos Estados Unidos reeleito por quatro mandatos), e seus atos de forma imediata onde alterariam o curso da Segunda Guerra Mundial. 
“Membros do Senado, e da Câmara de Representantes: (é a câmara baixa do Congresso, é composta por 435 membros representantes, cada um dos quais eleitos pelo sistema majoritário representa um distrito congressional. O termo dos membros deputados é de dois anos. Cada estado possui direito a um certo número de membros representantes, que depende primariamente da população do dado estado em relação à população do país). Ontem, 7 de dezembro de 1941, uma data que será sinônimo de infâmia, os Estados Unidos foram surpreendidos e deliberadamente atacados por forças aéreas e navais do Japão. As hostilidades existem. 
Não podemos ignorar que nosso povo, nosso território e nossos interesses estão em grave perigo. Com confiança em nossas Forças Armadas e a tenaz determinação de nosso povo, conseguiremos triunfo. Peço ao Congresso que declare que, desde o ataque pelo Japão no domingo, 7 de dezembro de 1941, os Estados Unidos e o Império do Japão estão em estado de guerra’’. 
Este solene discurso foi pronunciado da Casa Branca por rádio, no dia seguinte ao ataque japonês. No Senado, 82 senadores votaram a favor e não houve um só voto contrário; na Câmara dos Representantes, o resultado foi de 381 a favor e 1 voto contra. Às 16:10 daquele dia, Franklin D. Rooselt assinava a declaração formal de guerra. Com esse importante gesto, o isolacionismo que até então predominava no cenário político norte-americano foi rompido, e os Estados Unidos voltaram a entrar em guerra, após 23 anos de paz. 
                  Os Estados Unidos historicamente aderiram a uma política externa isolacionista, e, no período de 1939-41, não foi diferente. Como vimos, apesar da ascendente transformação econômica, a ajuda e participação norte-americana no conflito europeu foi dada de forma indireta e com uma certa neutralidade. Esta política só foi modificada após o ataque a Pearl Harbor. Em dezembro de 1941, a mobilização concreta começou e os anos vindouros se caracterizaram pela plena recuperação da economia norte-americana. 
                      A luta contra as potências do Eixo demandou uma mobilização ideológica e econômica total dentro dos Estados Unidos. Nos primeiros meses depois do ataque contra Pearl Harbor, a febre patriótica estava em alta. Milhões de jovens homens e mulheres alistaram-se nas Forças Armadas. Um apelo por trabalhadores da defesa civil rendeu 12 milhões de voluntários e a população aceitou com certa docilidade o racionamento de comida e produtos essenciais. Vinte e cinco milhões compraram títulos do governo usados para financiar a guerra. Muitos americanos acreditavam que realmente era uma guerra do povo. Mas o sacrifício exigido pela guerra precisava ser reforçado por ações do governo. A primeira tarefa era esmagar qualquer oposição. O Ato Smith (criminalizou qualquer oposição à guerra bem como a advocacia de doutrinas revolucionárias), estabelecido em 1940 em preparação para a participação no conflito. 
Socialistas, pacifistas, dissidentes religiosos, bem como as dezenas de milhares que se recusaram ao serviço militar obrigatório, enfrentaram forte perseguição. Em 1941, o governo condenou 18 militantes trotskistas por suas atividades contra a guerra e suas ideias revolucionárias. 
De fato, ao longo do ano de 1941, provocar o Japão foi o principal objetivo da política externa de Roosevelt. Seus membros do gabinete agiam como que favorecendo essa política de confronto, diante da possibilidade de que o Presidente Roosevelt tivesse o conhecimento dos planos japoneses, e sim, Roosevelt e o alto escalão americano, em outubro de 1941, já tinham em mãos vários códigos que os japoneses utilizavam para cifrar suas mensagens, alguns dos quais com dados reveladores. Essas informações faziam parte da enorme lista de dados que chegavam continuamente aos políticos e comandos militares norte-americanos. 
Apesar das polêmicas e de numerosas afirmações de todo o tipo, não existem provas conclusivas sobre a premeditação de Roosevelt e torna-se arriscado imputar- lhe toda responsabilidade, pois mesmo o homem mais poderoso de uma nação precisa de assessoramento. O discernimento sobre esse episódio possui enorme importância, não só para americanos, mas para todos, precisamos desenvolver a aptidão de questionar, duvidar, informar-se, ter a capacidade de participar ativamente da sociedade em que vivemos. Sociedade essa que nem sempre é idônea, sociedade que é capaz de manipular, mascarar e impor verdades – ou mentiras. Acreditar em uma conspiração guiando nosso destino político obrigaria muitas pessoas a repudiar uma vida inteira de opiniões acumuladas e pouca gente admite de bom grado ter sido ludibriada. 
O acontecido em Pearl Harbor, por parte do governo americano, não foi um acidente, um mero fracasso da inteligência americana ou um brilhante golpe militar japonês. O que se apresenta, inclusive defendido por autores famosos é que foi o resultado de um projeto cuidadosamente orquestrado, iniciado nos níveis mais altos do governo. Aproveitando-se da quizília com os nipônicos, Pearl Harbor era a única maneira de mobilizar o público americano relutante à ação. Antigo é o costume de se realizar ações no mínimo duvidosas a serviço de ideologias e interesses particulares, com a finalidade de reforçar ou embasar posições políticas. A grande questão de Pearl Harbor é o que se sabia e desde quando se sabia disso, mas surpresa sobre o terrível ataque nipônico naquela manhã de domingo, nenhuma. 
Com a entrada dos Estados Unidos na guerra, formou-se a Grande Aliança (Aliados: França, Inglaterra, EUA e, posteriormente, a URSS), isto é, a Grã-Bretanha, os Estados Unidos e a União Soviética, que tinham como inimigos comuns países que compunham o Eixo. Embora os Estados Unidos tenham entrado na guerra por força do ataque do Japão, em reuniões com Churchill, o primeiro-ministro britânico, e com representantes soviéticos, Roosevelt decidiu que o governo americano deveria centrar suas forças na Europa para derrotar o principal inimigo, que era a Alemanha. 

⦁    Reflexos na esfera econômica americana 

                 Nesta seção será discutido os reflexos econômicos, demonstrando que o verdadeiro New Deal (foi o nome dado à série de programas implementados nos Estados Unidos entre 1933 e 1937, sob o governo do presidente Franklin Delano Roosevelt, com o objetivo de recuperar e reformar a economia norte-americana, e assistir os prejudicados pela Grande Depressão) se tornaria a entrada na guerra, e mudanças bruscas na economia. 
Com a eclosão da guerra na Europa, Roosevelt se viu obrigado a mudar o rumo de suas políticas, dedicando exclusivamente sua atenção à política externa e à defesa de sua nação, através de políticas de massiva produção industrial. O presidente norte-americano conseguiu desfazer a prejudicial legislação neutralizante e convencer o Congresso de que era do interesse da segurança do país ajudar ao Reino Unido. Mais tarde, verificamos a expansão desta ajuda aos demais países que constituíam e apoiavam os aliados desse modo, os recursos e a mão de obra, que antes eram subutilizados, passaram a serem explorados de forma apropriada. Isso aumentou a produtividade da mão de obra e a utilização das fábricas para fins militares. Em consequência, a produção industrial se expandiu em ritmos jamais vistos, chegando a mais de 15% ao ano entre 1940 e 1944. Boa parte dessa expansão se deve a produção de guerra, mas não devemos nos esquecer que o setor civil norte-americano não foi prejudicado como em outras nações combatentes, e, portanto, a produção de produtos não-bélicos também aumentou. 
Por outro lado, as guerras foram visivelmente boas para a economia dos EUA. Sua taxa de crescimento nas duas guerras foi bastante extraordinária, sobretudo na Segunda Guerra Mundial, quando aumentou mais ou menos 10% ao ano, mais rápido que nunca antes ou depois. Em ambas os EUA se beneficiaram do fato de estarem distantes da luta e serem o principal arsenal de seus aliados, e da capacidade de sua economia de organizar a expansão da produção de modo mais eficiente que qualquer outro. É provável que o efeito econômico mais duradouro das duas guerras tenha sido dar à economia dos EUA uma preponderância global sobre todo o Breve Século XX, o que só começou a desaparecer aos poucos no fim do século. 
Assim, entre o final de 1941 e 1945, a economia norte-americana sofreu a mais rápida, maior e mais sustentada expansão jamais conhecida por qualquer outra grande potência. O produto nacional bruto aumento em 50%, ao mesmo tempo em que a produção para guerra aumentou de 2% para 40% entre os anos de 1939 e 1943, sendo ela, essencialmente financiada pela receita e não por empréstimos. 
Comparado aos estados de bem-estar dos países social-democratas da Europa, o New Deal de Roosevelt foi modesto. Não recuperou a economia (a Segunda Guerra Mundial o fez) nem redistribuiu renda, mas trouxe em alguma medida segurança econômica para muita gente, transformando as relações entre cidadãos e o Estado por meio da garantia de uma mínima qualidade de vida e proteção social contra adversidades. Imigrantes e sindicatos participaram pela primeira vez na cena política nacional (garantindo o seu apoio ao Partido Democrata – que adota uma linha política de centro-esquerda até os dias de hoje), americanos rurais receberam novos serviços públicos como eletricidade e os mais pobres, inclusive negros, beneficiaram-se da previdência emergencial. Depois de anos de miséria econômica, muitos americanos ganharam um censo de confiança e progresso. 

 Referências bibliográficas

Addis, Ferdie. Discursos que mudaram a história. Prumo, 2012.
Ambrose, Stephen E. Azul sem fim, os homens e rapazes que conduziram os b-24 aos céus
da Alemanha Nazista. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012.
Farrington, Karen. Segunda Guerra Mundial / Vitória no Pacífico – do ataque a Pearl Harbor
à Vitória em Okinawa. Ed. MBOOKS. 2014.
GILBERT, Martin. A Segunda Guerra Mundial - Os 2174 dias que mudaram o mundo. São
Paulo: Casa da Palavra, 2014.
HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos – O Breve Século XX (1914-1991). São Paulo:
Companhia das Letras, 1995.
KARNAL, Leandro; PURDY, Sean; FERNANDES, Luiz Estevam e MORAIS, Marcus Vinícius
de.História dos Estados Unidos das origens ao século XXI. São Paulo: Ed. Contexto, 2007.
LOPES, Helena Ferreira Santos. Rumo ao dia que mudou a guerra. Relações
Internacionais[online]. 2015, n.45, pp.137-143. ISSN 1645-9199.
Magnoli, Demétrio. História das Guerras. Ed. Contexto. 2006.
Smithsonian. Battles that changed history. EUA. Ed. DK, 2018.


Representação do dia fatídico na História norte-americana


INSPIRAÇÃO

             A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. Como percebeu logo de cara, texto bastante formal e de cunho acadêmico, fiz durante a graduação de História para a disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso para um dos melhores docentes que já conheci (Dr. Dinair Andrade). Como muitos sabem, em História, sou bastante fascinado em guerras e esse por essa razão elaborarei sobre esse tema, ou seja, unindo dois fatos que me fascinam no âmbito histórico: assuntos militares e acerca a História dos EUA.


14 de novemro de 2019

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