''A ilusão é uma fé desmedida.'' Honoré de Balzac Nas tardes cinzentas de julho, ela costumava sentar na frente do computador, a tela piscando a última lição. Agora, sem o toque dos dedos nas teclas e o som dos cliques das aulas, o vazio ecoava no quarto. Cada notificação de "Término de curso" parecia um lembrete cruel: o fim da rotina que, de algum modo, também era o fim de uma parte dela. No fundo, a melancolia escondia o alívio, e o espaço em branco na tela era um convite ao desconhecido. Ela moveu as peças do banco imobiliário com mãos trêmulas, o tabuleiro um palco para suas visões. As figuras que a cercavam, sussurrando estratégias e rindo, eram apenas sombras projetadas pela sua mente, mas no silêncio do quarto, era difícil dizer quem jogava contra quem. As manchas de tinta no teste de Rorschach dançavam como sombras de um mistério não reso...
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